quarta-feira, janeiro 25, 2017

Diferenças entre a Bíblia "Católica" e a "Evangélica"

Certa vez, uma amiga minha foi indagada por uma colega de trabalho (Católica) com a seguinte questão:

"Se vocês [evangélicos] querem ser tão certinhos, por que então retiraram vários livros da Bíblia?".

Esta pergunta expressa um pensamento comum entre os Católicos - o de que a Bíblia utilizada pelos "Protestantes" foi adulterada, pois alguns livros do AT que constam na Bíblia Católica não constam na Protestante. E como a Igreja Católica é mais antiga, então "certamente" foram os Protestantes que fizeram a adulteração. É assim que pensam!

Realmente, se você comparar o AT na Bíblia de Jerusalém (Católica) com o mesmo conteúdo em uma versão "Protestante" (Revista e Atualizada, por exemplo), verá facilmente que a quantidade de livros é diferente, assim como a ordem dos Salmos e alguns acréscimos em outros livros (Daniel, por exemplo).

Mas... quem fez a alteração?
1. Foram os Protestantes que RETIRARAM alguns livros?... ou
2. Foram os Católicos que os ACRESCENTARAM?

A Teologia chama os livros que estão no foco desta controvérsia de "apócrifos", apesar de que a Igreja Católica não considera os livros "extras" da sua Bíblia assim, por determinar que eles são tão inspirados quanto os 66 aceitos pelos Evangélicos.

Veja o que dizem dois renomados estudiosos deste assunto*:

Em suma, estes livros são aceitos pelos Católicos Romanos como canônicos, mas são rejeitados pelos Protestantes e judeus. No grego clássico, apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, a palavra tomou o sentido de “esotérico” (algo que só os “iniciados” podem entender, não os “de fora”).

Nos tempos de Ireneu e Jerônimo (séc. III e IV d.C.), o termo apocrypha passou a ser aplicado aos livros não-canônicos do AT. Desde a Reforma Protestante, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário (entre os dois Testamentos).

Seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que os apócrifos tiveram, eles não são canônicos pelos seguintes fatos:
1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do NT (não existem palavras de Jesus, por exemplo, citando os livros apócrifos).
3. A maior parte dos primeiros grandes Pais da Igreja rejeitou sua canonicidade.
4. Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos, senão no final do séc. IV d.C.
5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata (tradução para o latim), rejeitou fortemente os livros apócrifos.
6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os livros apócrifos.
7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.
 
Além do mais, segundo os critérios elevados da canonicidade, aos apócrifos ainda falta o seguinte:
- Os apócrifos não reivindicam serem proféticos.
- Não detêm a autoridade de Deus.
- Contêm erros históricos (cf. Tobias 1:3-5; 14:11) e graves heresias teológicas, como a oração pelos mortos (cf. 2Macabeus 12:45-46; 4).
- Embora seu conteúdo tenha algum valor para edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo, ou seja, são textos que já se encontram nos livros canônicos.
- Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.
- Nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
- O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os terminantemente.


Lista dos Livros Apócrifos, segundo a Versão Revista Padrão: 
Sabedoria de Salomão
Eclesiástico (Siraque)
Tobias
Judite
1Esdras
1Macabeus
2Macabeus
Baruque
Epístola de Jeremias
2Esdras
Adições a Ester (Ester 10:4-16:24)
Oração de Azarias (Daniel 3:24-90)
Susana (Daniel 13)
Bel e o Dragão (Daniel 14)

Oração de Manassés

* Fonte: Norman Geisler e William Nix, Introdução Bíblica - como a Bíblia chegou até nós (São Paulo: Vida), 2006. Págs. 90-98.

Outra dúvida apresentada frequentemente é com relação à numeração dos Salmos, pois há diferença nas duas Bíblias (Católica e Protestante).

Segundo o Comentário Adventista, o que ocorre é que a numeração dos Salmos é diferente no texto original hebraico e no texto da LXX (Lê-se "Septuaginta", que é a tradução do AT para o grego) e na Vulgata (que é a tradução para o latim). A numeração do texto hebraico massorético é a mesma que aparece na nossa Bíblia Almeida Revista e Atualizada.

Já a numeração da LXX e da Vulgata é utilizada na Bíblia de Jerusalém (católica) e na maioria das demais Bíblias católicas. A diferença se deve a que na LXX e na Vulgata os Salmos 9 e 10, como também os 114 e 115, se fundem. Por outra parte, os Salmos 116 e 147 se dividem em dois salmos cada um.
Até o Salmo 9, e a partir do Salmo 147, a contagem é idêntica. A LXX ainda acrescenta um Salmo 151.

Portanto, a diferença de numeração se deve apenas ao fato de a Bíblia Protestante usar como base o texto original hebraico (mais fiel), e a Bíblia Católica utilizar os textos traduzidos da Septuaginta e da Vulgata.

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Em suma, como vimos, não foram os Protestantes que RETIRARAM aqueles livros da Bíblia.

Na verdade, foram os Católicos que ACRESCENTARAM tais livros de inspiração duvidosa.

Entretanto, na foto abaixo podemos ver até que ponto a versão Católica é tendenciosa para defender aquilo que o Papa determina, mesmo que para isso se pretenda alterar o próprio texto bíblico:

Apocalipse 1:10 na versão católica


"Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22:29).

6 comentários:

Lídia disse...

Pastor quero que vc comente o fato de na Biblia catolica o livro de salmos se apresentar diferente.Ele começa e termina igual mais chega uma hora no meio que fica diferente.

Marcio disse...

Pastor, se a reforma protestante ocorreu no século XVI, até o presente momento a bíblia utilizada pelos cristãos era a católica, logo a retirada dos livros aconteceu com Lutero.O sr. poderia explicar também sobre a bíblia alexandrina, usada pelos judeus, traduzida para o grego e sem o sentimento nacionalista adotado na época.

Gilson Medeiros disse...

Olá, Márcio.
Obrigado pelo comentário.

Não foi Lutero quem "retirou" livros das Escrituras. Quando você faz esta afirmativa, parte de uma premissa equivocada. Os livros que aparecem a mais, apenas na versão Alexandrina (chamada Septuaginta), são chamados Deuterocanônicos, exatamente porque não foram aceitos por todos de sua época (diferente dos protocanônicos). Estes livros "questionáveis" são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1º e 2º Macabeus, e alguns capítulos do Livro de Ester e do Livro de Daniel.

Interessante notar que Jesus e os demais apóstolos e escritores do NT fizeram centenas de citações ao AT, porém em nenhuma delas fazem referência a estes livros "acrescentados". Por que será?

Pensar que os judeus em Israel, com o seu orgulho de língua e tradição, se rebaixariam a ponto de usar uma duvidosa tradução Grega originada no Egito, que era um foco de cultos judaicos contaminados pela filosofia Grega, não é, de modo algum, razoável.

Em Mateus 5:18, Jesus falou do jota e do til do Velho Testamento, e isto se refere especifica e unicamente à língua Hebraica.

Jesus também Se referiu ao Velho Testamento pela divisão Hebraica e não Grega. Por exemplo:
Em Lucas 24:44, Ele disse “que convinha que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.” Isto é a ordem exata do Velho Testamento em Hebraico, mas a ordem no VT em Grego é a Lei, os Salmos e os Profetas, como na Bíblia em Inglês.

Quando Jesus Se referiu ao primeiro e aos últimos profetas martirizados no VT, Ele os mencionou pela ordem do Texto Hebraico e não pela ordem da Septuaginta Grega. “Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar” (Mt 23:35). Com esta declaração o Senhor Jesus acusou os líderes Judaicos da morte dos profetas durante a época do Velho Testamento, e Ele usou o Cânon Hebraico. Abel foi morto em Gênesis, (capítulo 4) e Zacarias em II Crônicas (24:20-22). Isto segue a ordem do Velho Testamento Hebraico que começa com Gênesis e termina com II Crônicas, como na Bíblia em Inglês. Já a Septuaginta Grega, por outro lado, termina com os profetas (concluindo com Malaquias) e alguns livros apócrifos. A Septuaginta traduzida por Lancelot Brenton e publicada primeiramente em 1851, por exemplo, termina com os livros apócrifos que seguem: I Esdras, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Sabedoria do filho de Siraque, Baruque, Epístola de Jeremias, Cântico dos Três Mancebos, Susana, Bel e o Dragão, I – IV Macabeus e a Oração de Manassés.

Um abraço.
Gilson.

Anônimo disse...

Cristãos Bereanos,

Penso que devemos ler estes livros, mesmo sendo considerados apócrifos, pois os mesmos contém grande bagagem histórica e profética.


Veja uma parte que mostra o homem do pecado(raiz do pecado).
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Macabeus - 1
11.Desses reis originou-se UMA RAIZ DO PECADO: Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que havia estado em Roma, como refém, e que reinou no ano cento e trinta e sete do reino dos gregos.
12.Nessa época saíram também de Israel uns filhos perversos que seduziram a muitos outros, dizendo: Vamos e façamos alianças com os povos que nos cercam, porque, desde que nós nos separamos deles, caímos em infortúnios sem conta.
13.Semelhante linguagem pareceu-lhes boa,
14.e houve entre o povo quem se apressasse a ir ter com o rei, o qual concedeu a licença de adotarem os costumes pagãos.
15.Edificaram em Jerusalém um ginásio como os gentios, dissimularam os sinais da circuncisão, afastaram-se da aliança com Deus, para se unirem aos estrangeiros e venderam-se ao PECADO.
16.Quando seu reino lhe pareceu bem consolidado, concebeu Antíoco o desejo de possuir o Egito, a fim de reinar sobre dois reinos.
17.Entrou, pois, no Egito com um poderoso exército, com carros, elefantes, cavalos e uma numerosa esquadra.
8.Investiu contra Ptolomeu, rei do Egito, o qual, tomado de pânico, fugiu. Foram muitos os que sucumbiram sob seus golpes.
19.Tornou-se ele senhor das fortalezas do Egito, e apoderou-se das riquezas do país.
20.Após ter derrotado o Egito, pelo ano cento e quarenta e três, regressou Antíoco e atacou Israel, subindo a Jerusalém com um forte exército.
21.Penetrou cheio de orgulho no santuário, tomou o altar de ouro, o candelabro das luzes com todos os seus pertences,
22.a mesa da proposição, os vasos, as alfaias, os turíbulos de ouro, o véu, as coroas, os ornamentos de ouro da fachada, e arrancou as embutiduras.
23.Tomou a prata, o ouro, os vasos preciosos e os tesouros ocultos que encontrou.
24.Arrebatando tudo consigo, regressou à sua terra, após massacrar muitos judeus e pronunciar palavras injuriosas.
25.Foi isso um motivo de desolação em extremo para todo o Israel.
26.Príncipes e anciãos gemeram, jovens e moças perderam sua alegria e a beleza das mulheres empanou-se.
7.O recém-casado lamentava-se, e a esposa chorava no leito nupcial.
28.A própria terra tremia por todos os seus habitantes e a casa de Jacó cobriu-se de vergonha.
29.Dois anos após, Antíoco enviou um oficial a cobrar o tributo nas cidades de Judá. Chegou ele a Jerusalém com uma numerosa tropa;
30.dirigiu-se aos habitantes com palavras pacíficas, mas astuciosas, nas quais acreditaram; em seguida lançou-se de improviso sobre a cidade, pilhou-a seriamente e matou muita gente.
31.Saqueou-a, incendiou-a, destruiu as casas e os muros em derredor.
32.Seus soldados conduziram ao cativeiro as mulheres e as crianças e apoderaram-se dos rebanhos.
33.Cercaram a Cidade de Davi com uma grande e sólida muralha, com possantes torres, tornando-se assim ela sua fortaleza.
34.Instalaram ali uma guarnição brutal de gente sem leis, fortificaram-se aí;
35.e ajuntaram armas e provisões. Reunindo todos os espólios do saque de Jerusalém, ali os acumularam. Constituíram desse modo uma grande ameaça.
36.Serviram de cilada para o templo, e um inimigo constantemente incitado contra o povo de Israel,

Continua no próximo, face o limite de 4096 letras.

Anônimo disse...

Contraditoriamente, Lutero reconheceu e aceitou parte do Canon Católico das Sagradas Escrituras, e manteve todos os livros do Novo Testamento. Com isso Lutero reconheceu a autoridade do concilio Católica para determinar o que deveria ser considerado Sagrada Escritura – ao menos no que se refere ao Novo Testamento – e que o Canon fora de fato guiado pelo Espirito Santo. Essa conduta leva-nos a uma pergunta obvia e bastante pertinente: Se o Espírito Santo guiou a Igreja corretamente na determinação do Novo Testamento, porque haveria da permitir que ela errasse quanto ao Canon do Antigo Testamento? Mais adiante, é importantíssimo salientar que no Novo Testamento ha diversas citaçoes dos livros excluídos por Lutero, tornando ainda mais evidente que eles de fato devem ser considerados como Livros Inspirados e contraditoria a decisao de rejeita-los.

A.K.Renovatto disse...

Essa dúvida é a de muitas pessoas! Esse texto irá sanar as dúvidas de muitas pessoas! Gostei da explicação! Deus o abençoe.

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