sexta-feira, outubro 05, 2007

Divindade - Parte II

Dando continuidade à postagem anterior sobre a Divindade de Cristo, vou agora falar um pouco sobre o tema da Trindade, tão "bombardeado" atualmente no meio Adventista, especialmente no Brasil. Apresentarei aqui apenas uma parte de um artigo que publiquei, e que pode ser encontrado no arquivo do ADVIR (clique aqui).

Há algum tempo recebi uma correspondência enviada para várias igrejas, dirigidas genericamente para líderes locais. O remetente destas cartas é um movimento chamado de "Ministério 4 Anjos", que procura solapar na mente do Adventista a doutrina bíblica e racional da 3ª Pessoa da Trindade - o Espírito Santo.

O pessoal do “Ministério 4 Anjos” tenta levar o pensamento dos leitores à certeza de que Ellen White ensinou que tudo que os pioneiros diziam, seja o que for, era uma verdade absoluta, incapaz de conter erros ou concepções humanas.

Para tanto, eles começam a “pescar” algumas citações de artigos escritos por ALGUNS destes pioneiros, como se tais artigos representassem a fé geral dos Adventistas naquele tempo. Interessante notar que eles só escolheram citações de pessoas que condenavam a Trindade, pois certamente haviam outros PIONEIROS que aceitavam esse ensinamento bíblico (mas é mais fácil ocultar parte da verdade... e essa é uma tática do inimigo de Deus).

Todas as citações escolhidas eram de datas bem remotas (1856, 1861, 1863, 1869). Veja que são utilizados artigos publicados apenas alguns anos após o surgimento da Igreja, que oficialmente só ocorreu em 1863. Neste período o corpo de doutrinas ainda estava sendo formado, e não se pode dizer que porque ALGUNS pioneiros tinham pensamento contrário ao ensinamento bíblico sobre a Trindade, isto significa que esta era a voz de Deus para Sua Igreja naquela época.

Ao longo dos primeiros anos, foram muitos os pontos doutrinários que foram sendo alterados, pois os pioneiros vinham de diferentes denominações religiosas (dentre elas a Conexão Cristã, que era anti-trinitariana), e por isso ainda traziam uma “bagagem” doutrinária que precisava ser deixada de lado. As orientações foram progressivas, e no decorrer dos anos, diversos pontos errados foram abandonados, e outros tomaram forma.

Eis alguns exemplos:

SÁBADO – A grande maioria dos pioneiros não acreditavam na guarda do sábado, pois vinham de denominações que desprezavam a lei de Deus e santificavam o domingo. Quando Joseph Bates surgiu com esta mensagem da santidade do sábado, muitos se opuseram, a princípio. Mas Deus orientou Sua Igreja durante os anos de estudo da doutrina, e a mensagem do sábado foi aceita e clarificada progressivamente, até tornar-se a torrente de luz que conhecemos hoje.

PREGAÇÃO DO EVANGELHO – Os que participaram da pregação de Guilherme Miller sobre a volta de Jesus, e passaram pelo desapontamento de 1844, ainda demoraram certo tempo para poderem compreender seu papel na pregação da verdade presente. Alguns achavam que não necessitavam pregar para ninguém, pois a porta da graça já estava fechada (entre estes estava a própria Ellen Harmon – que depois do casamento se tornaria Ellen White – também cria dessa forma: Tiago White, Joseph Bates, etc.); outros acreditavam que só deveriam pregar entre os americanos, e por isso as atividades missionárias só ocorreram alguns anos mais tarde, quando só então os missionários começaram a cruzar os mares para levar a mensagem do Advento a outros povos. Deus, ao longo do tempo, também precisou orientar Sua igreja sobre este assunto. Esta teoria (chamada de “teoria da porta fechada” só foi abandonada plenamente após 1849, quando Ellen White recebeu iluminação especial sobre o tema. Os pioneiros estavam equivocados também neste ponto, e se fôssemos aceitar TUDO que eles ensinaram e escreveram, também deveríamos deixar de pregar para o mundo, ou melhor, nem mesmo nós teríamos ouvido a mensagem, pois ela nunca deveria sair dos Estados Unidos, conforme criam alguns NO COMEÇO.

TEMPERANÇA E REGIME ALIMENTAR – É interessante observar que, NO COMEÇO, muitos dos pioneiros defendiam o consumo abundante de carne de porco, uso do fumo, e hábitos alimentares e físicos que muito comprometeram a saúde de alguns pioneiros daquela época. Muitos morreram na flor da idade, por não se preocuparem com a reforma de saúde ou hábitos temperantes do dia-a-dia. Somente em Junho de 1863 foi que Ellen White recebeu uma visão mais detalhada sobre a reforma de saúde, que seria a primeira de muitas outras que o Senhor daria para orientar Sua Igreja. Também neste assunto foi necessário que o Senhor conduzisse PROGRESSIVAMENTE Sua Igreja, para que ao longo do tempo a reforça de saúde e temperança passasse a fazer parte do estilo de vida dos Adventistas do 7º Dia. Se fôssemos dar ouvidos absolutamente a TUDO que os pioneiros ensinaram, também deveríamos voltar a comer carne de porco (e olha que uma banda de porco era o salário pago a alguns dos pastores da época), usar o fumo, e outros absurdos que foram cometidos, ENQUANTO O SENHOR NÃO OS ILUMINOU TOTALMENTE SOBRE O ASSUNTO.

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ – Todos sabem que a grande controvérsia na Igreja Adventista sobre o tema da justificação pela fé, ou seja, do modo como o homem é salvo por Deus, ocorreu na década de 1880, culminando na Conferência Geral de 1888. Haviam acirrados debates entre os dois principais grupos dos nossos pioneiros: de um lado os que criam numa salvação puramente pela fé, independente das obras (Ellen White, Jones e Waggoner, por exemplo); e do outro lado estavam os que eram conhecidos por “legalistas”, pois achavam que a salvação só vinham como conseqüência de obedecer detalhadamente a lei de Deus. Para este segundo grupo, a salvação não se dava somente pela fé, mas o homem também precisava fazer sua parte (as obras) para que fosse considerado “apto” a alcançar a salvação. O próprio Uriah Smith (tão citado pelo “Ministério 4 Anjos” e demais anti-trinitarianos como o sumo representante do pensamento dos nossos pioneiros) era assumidamente legalista, e utilizava as publicações da Igreja (pois ele era o editor da Review and Herald na época) para defender seus pontos de vista, em oposição a outros que defendiam a justificação pela fé, como Ellen White, Jones e Waggoner. Eu pergunto: estava Uriah Smith certo em defender a salvação pelas obras? Ele chegou mesmo a se opor aos próprios conselhos de Ellen White. Felizmente, Uriah Smith, George Butler (o próprio Presidente da Conferência Geral na época), e outros, reconheceram QUE ESTAVAM ERRADOS, e a crise foi resolvida. A Igreja Adventista passou a intensificar esta doutrina, que sempre existiu, mas que estava adormecida devido ao pensamento EQUIVOCADO de ALGUNS de nossos pioneiros. Foi a partir de então que Ellen White escreveu os grandes livros sobre a justificação pela fé – Caminho a Cristo, Desejado de Todas as Nações, Maior Discurso de Cristo, etc.
Esta é mais uma prova de que a consolidação do corpo doutrinário da Igreja Adventista se deus com o tempo, e não podemos pegar citações de livros isolados do início do Movimento e dizer que tais pensamentos eram os “marcos” doutrinários que jamais poderiam ser removidos.

DOUTRINA DA CARNE SANTA – Este era um ponto interessante defendido por alguns pioneiros, que logo deixou de ser pregado, tamanho o absurdo teológico que representava. Os defensores de tal teoria diziam que estavam com a “carne santa” e por isso não poderiam mais pecar. Estavam selados pelo Espírito Santo de tal maneira que nada os poderia influenciar novamente para a vida de pecado. Em poucos anos esse ensino foi abandonado, também devido à PROGRESSIVA orientação dada por Deus à Sua Igreja que estava ainda dando seus primeiros passos. Deveríamos, também, voltar a crer neste ENSINO DOS PIONEIROS? Seria este também um dos tais “marcos doutrinários”? É óbvio que não!

Mais informações sobre o desenvolvimento teológico de nossas doutrinas pode ser encontrado em livros da história denominacional de nossa Igreja, como, por exemplo, no excelente livro do Pr. Enoch de Oliveira, chamado A Mão de Deus ao Leme.

Como exposto acima, foram muitos os pontos doutrinários equivocados nos quais criam ALGUNS pioneiros do movimento adventista, ainda em seus primeiros anos.


Não podemos dizer que TUDO que eles ensinaram, mesmo através de nossas revistas e periódicos, era a máxima expressão da verdade presente. Muitos se utilizavam de sua influência como redatores e diretores das revistas para escreverem em defesa de seus pontos de vista PARTICULARES (como Uriah Smith, por exemplo), apesar de que haviam outros que discordavam de suas opiniões.

Ao longo do tempo, o Senhor concedeu orientações à Sua amada Igreja, através do ministério de Ellen White, para que esses equívocos fossem retirados, e a doutrina pura de Cristo se aprofundasse no movimento Adventista.

O mesmo ocorreu com a Trindade, que foi fortalecida nos escritos de Ellen White, e estabelecida como doutrina bíblica fundamental das Escrituras, ainda na época do ministério da profetiza do Senhor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse assunto relacionado com a Trindade é muito importante e devera ser melhor divulgado, especialmente na igreja, uma vez que existem muitos membros, que de uma forma ou de outra estão sendo influenciados por essas doutrinas espúrias que tentam provar que o Espírito Santo não existe e é, nada mais, nada menos, que o próprio Deus, ou seja, é o Seu Espírito.
Um grande abraço!
Márcio de Aguiar

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