quarta-feira, agosto 20, 2014

Muito blá-blá-blá teológico e pouco de Jesus

Sabe aquelas pessoas que estão sempre procurando motivos para debater temas bíblicos (ou "teológicos")? Você conhece alguém assim?

Tais pessoas, ficam se apegando a detalhes "técnicos" da religião, muitas vezes com o objetivo apenas de mostrarem que são (?) profundas conhecedoras do "teologuês".

Jesus, certa vez, Se defrontou com uma pessoa assim.

"Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que Lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. Senhor, disse-Lhe a mulher, vejo que Tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar" (João 4:16-20).

O contexto e o final desta história você já conhece...

A mulher tentou usar com Jesus a mesma tática que alguns ainda utilizam em nossos dias: "Quando o seu pecado estiver sendo exposto, mude o assunto para algum ponto divergente da doutrina, e assim desvie o foco para um tema irrelevante".

Esta tática é muito usada, infelizmente, por alguns Adventistas. Em todas as igrejas encontramos aqueles irmãos que têm sempre algum tema secundário para ser "estudado", mas que não valorizam o aspecto mais básico e essencial do Evangelho Eterno - a graça de Cristo. Estas pessoas preferem passar horas e horas em vigílias e reuniões de estudo sobre temas controversos, a ficar alguns minutos estudando sobre o que Jesus fez na Cruz do Calvário em nosso favor.

Certa vez, na primeira igreja que eu frequentei após ser batizado (há uns 20 anos), um desses irmãos foi convidado a pregar num sábado de manhã. Como ele sempre gostou de "estudar" estes temas secundários, foi exatemente um destes que ele escolheu para o sermão daquele sábado - Quem são os 144 mil?

Ao subir à plataforma, ele espalhou algumas dezenas de livros, revistas, folhetos, apostilas, fichas catalográficas, etc., sobre a mesa da Escola Sabatina. Depois da doxologia normal, ele iniciou seu "sermão", e discorreu sobre o assunto (os 144 mil) por quase 1 hora (até perto do meio-dia). Ao final, nem ele, nem os inúmeros visitantes que estavam no culto, nem os irmãos (neófitos ou veteranos) entenderam nada. Resultado prático: nenhum!

Este irmão estava sempre envolvido em grupos de "estudo" deste tipo de assunto, constantemente à procura de uma "nova luz" ou uma interpretação mais "verdadeira" para alguma doutrina. O grupo dele, aos poucos, começou a questionar vários pontos da fé Adventista, sempre com o objetivo de "promover um reavivamento". Oração de joelhos, ingestão de carne, os 144 mil, ordenação do Ancião, divórcio e novo casamento, destino dos dízimos, etc., eram alguns dos itens que sempre estavam na pauta das inúmeras vigílias e encontros que eles promoviam, com o objetivo de "estudarem a fundo" as Escrituras e o Espírito de Profecia.

Sabe onde este irmão está hoje? Longe da fé Adventista, após criar seu próprio movimento reformatório, e casar em jugo desigual.

Neste grupo de "inquiridores da verdade", havia um que até de estuprar a própria esposa ele foi acusado (por ela!), mas perante a igreja apresentava uma postura de homem íntegro e conhecedor das "verdades". Uma que ele gostava muito de defender na época era sua própria interpretação da parábola das 10 virgens (sempre colocando a IASD no grupo das rejeitadas, e eles - os "restauradores da verdade" - no grupo das prudentes).

Você percebe a ligação que há entre estas pessoas e aquela mulher samaritana?

Todos eles estavam muito mais preocupados em questionar pontos sem importância da doutrina, do que viverem à luz da revelação mais essencial: Jesus.

"Sempre que a mensagem de verdade se apresenta às almas com especial poder, Satanás suscita seus instrumentos para disputarem sobre qualquer ponto de somenos importância. Procura assim desviar a atenção do verdadeiro assunto. Quando quer que se comece uma boa obra, há pessoas prontas a suscitar discussões sobre formas e detalhes de técnica, para desviar as mentes das realidades vivas. Quando parece que Deus está prestes a operar de maneira especial em benefício de Seu povo, não se empenhe este em disputas que só trarão ruína de almas. Os pontos que mais nos interessam, são: Creio eu com salvadora fé no Filho de Deus? Está minha vida em harmonia com a lei divina? 'Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida.' 'E nisto sabemos que O conhecemos: se guardamos os Seus mandamentos.' João 3:36; I João 2:3." - Ellen White, ODTN, pág. 396.

"Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se queremos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação" - ODTN, pág. 83.

Nos últimos anos, está proliferando no meio ASD um grande número de pessoas que adoram incitar algum debate teológico/doutrinário, seja com relação à Trindade, à reforma de saúde, à natureza de Cristo, às profecias do tempo do fim, à administração do dízimo, ao nome de Jesus, ao rebatismo, ao decreto dominical, ao divórcio e novo casamento, etc., etc. Na Bahia, houve até um grupo que dividiu igrejas inteiras por ensinarem uma "nova" interpretação sobre o "erro" de pedir perdão nas orações (veja a que ponto eles chegam!). Os temas podem até serem importantes, mas se não forem prioritários, podem facilmente se tornar uma "pedra de tropeço", que é justamente o que está acontecendo com muitos hoje em dia.

Assim como a mulher de Samaria, estas pessoas estão procurando se apegar em "ganchos" para desviarem a atenção do que é mais importante e essencial à salvação. Em vez de ficarem gastando tanto tempo e recursos em estudar assuntos secundários, eles deveriam se ater mais no tema da justificação pela fé em Cristo e na certeza de Sua breve volta.

Se você conhece algum destes que, quando percebe que seu pecado está sendo confrontado, prefere desviar o foco para algum tema irrelevante, então faça-lhe o convite de Jesus, e deixe que ele descubra a verdadeira face do Evangelho Eterno:

"Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (João 4:14).

"O Espírito e a Noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apoc. 22:17).

6 comentários:

Kleber Monázio disse...

Muito bom esse texto!
Estava em um pequeno grupo da minha igreja,e uma irmã disse assim, temos muitos erros... Pensei nisso na hora q quanto tive a oportunidade de falar, retruquei, irmã! "Nós não temos erros temos um que é deixar de se entregar a Jesus, deixar que ele venha e nos quebre por dentro! Qd ele fizer isso nas nossas vidas tudo mudará."
E vc foi ao ponto certo, Jesus e o q Ele quer fazer pelo ser humano é o mais importante!
Eu acho q muitos irmãos tem q entender mais sobre isso, que toda doutrina e princípios q temos só terá valor se estiver baseado no amor de Jesus. Creio tb q satanás influência muitos destes grupos que surge e estes debates inúteis! Mas q Deus proteja e cuide de seu povo!
Att
Kleber Monázio

Allan Candido Felix disse...

rs. Engraçado o Senhor escrever isso no seu próprio blog, e onde se entitula Professor.
só não chega a ser paradoxal.

Prof. Gilson Medeiros disse...

E não é que é mesmo, Allan?! rsrs

Só que, se vc prestou atenção no texto, verá que eu reprovo aqueles que usam a Teologia apenas como "rota de fuga", ou para darem uma de "sabichões" diante dos outros.

Graças a Deus, este não é o meu caso.

Um abraço.

JOel disse...

Irmão, obrigado por suas palavras. Graças a Deus eu vejo que existem pessoas como o senhor que enxergam a realidade e não ficam indiferentes. Precisamos mesmo de uma fé mais viva, e também viver pela fé; e não de debates sem sentido que não levam a lugar nenhum ,antes causam separações e tristeza ao Espírito Santo.

irmão leitor disse...

Pena que só agora estou em contato com este artigo (hoje é 11.08.2011). Outros que venham a ler apartir de agora, levem o assunto para suas igrejas.
1 - Não conheço igreja que tenha promovido cursos de como e o que pregar. Pode ser que haja, mas não conheço.
2 - Acredito que antes dos esquisitos subirem no púlpito, já deveriam ter sido identificados. Ninguém é esquisito de repente.
3 - Pontualidade para começo e fim do programa deveria ser ponto inquestionável. O show do intervalo tem comprometido o tempo para a pregação da Palavra.
4 - Cultos para promoção de departamentos não cumprem a vontade de Deus. Promovam em outro momento. Preguem a Palavra.
5 - Os ouvintes são crianças que podem estar cansadas; jovens rápidos de pensamento; mulheres que precisam providenciar a refeição dos maridos que não são da fé; idosos; pessoas que dependem de ônibus; e amigos visitantes. O pregador sabe disso?
6 - Suponhamos que alguém esteja para tomar uma importante decisão. A palavra pregada terá qual influência? Sem querer ser fatalista, mas, se alguém morrer antes do próximo culto, a última pregação promoveu arrependimento e entrega?

A.K.Renovatto disse...

Bem oportuno o texto! Não pude deixar de achar certa graça no comentário do "Irmão Leitor", mas ele disse algo para se pensar. Infelizmente, em todas as denominações há esses irmãos preocupados com temas secundários e até mesmo irrelevantes, gastam tempo estudando e debatendo tais assuntos. Não sou contra Teologia, mas sou contra pessoas que usam estudos apenas para debater e/ou tentar propagar suas teorias irrelevantes em sermões nas igrejas (muitas vezes o assunto é na verdade chato e nada interessante). Por isso, creio que muitas vezes ao sabermos quem irá pregar em determinado culto já desanimamos (creio que todo cristão já passou por isso, desânimo diante do pregador do dia). A teologia bem aproveitada pode fazer diferença, mas se usada de modo equivocado ou ficar focado em assuntos sem importância, não surte muito efeito. Aprecio muito uma mensagem objetiva (sem floreios e invencionices) com começo, meio e fim. Sim, pode parecer absurdo, mas alguns pregadores "floreiam" tanto a mensagem que se perdem e esquecem de fechar o assunto, ficando sem conclusão a mensagem. Já vi pregações com temas que tinham tudo para serem excelentes, se perderem porque no meio o pregador começou a inovar demais (sem contar que uns para se mostrarem cultos, começam a usar um linguajar rebuscado demais que chega a ficar hilário rsrs). O ideal é uma linguagem culta, porém de fácil compreensão por todos, afinal, nas igrejas em geral há pessoas cultas, as há pessoas com menos estudos, há crianças etc, então é preciso bom senso. A palavra certa para uma boa mensagem é "equilíbrio" (nem demais, nem de menos). Parabéns pelo tema! Como o "Irmão Leitor" disse, esse artigo deveria ser distribuído nas igrejas rsrs. Deus o abençoe, Pr Medeiros.

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