Monte Sinai x Monte Calvário

Eu tive a alegria de morar por 2 anos e meio na bela e acolhedora cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, entre 2007 e 2009. Naquele período, frequentei com minha família a IASD do bairro dos Bancários, formada por pessoas maravilhosas, e que se tornaram verdadeiros "amigos mais chegados que irmãos" para nós. 

Lembro de certa ocasião, durante uma semana de orações, na qual o Pr. Jonny Franklin (um homem de Deus, que promoveu um bonito reavivamento entre a juventude local), fez menção a um antigo sermão do Pr. Bullón, o qual faz uma comparação entre dois montes: SINAI e CALVÁRIO. A análise é feita com base em uma concepção equivocada (e ultrapassada) que alguns ainda têm com relação à salvação.

Eu, inclusive, já tive oportunidade de escrever aqui algumas vezes sobre este mesmo assunto, e
hoje, resolvi trazê-lo novamente à tona, afinal "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" (rsrs).

Existem 2 extremos na vida religiosa para os quais um cristão não deve se voltar:
1º) Legalismo - crença de que as nossas obras terão algum mérito para a salvação.
2º) Libertinagem (ou graça "barata") - crença de que a salvação é unicamente um ato de Deus no homem, e que não há necessidade de nenhuma mudança de vida para o "crente". Basta "amar" a Deus, e pronto! (cf. Judas 4).

Devido à nossa forte compreensão da importante relação entre fé e obediência (cf. Tiago 2:17), sabemos que esta "graça barata", muito pregada em algumas grandes igrejas da atualidade, não é bem-vista aos olhos de Deus. Afinal, a Bíblia é muito clara em dizer que o crente verdadeiramente "salvo" desenvolverá uma evidente mudança de vida e de atitudes para com as depravações e vaidades deste miserável mundo de pecado (cf. 2Cor. 5:17; Gál. 5:19-25; etc.).
Porém, c
omo Adventistas, infelizmente, temos uma forte tendência para o primeiro extremo - o LEGALISMO. E o que vem a ser esta "ideologia religiosa"?

Monte Sinai

Como muito bem lembrou o Pr. Jonny (relembrando as afirmações do Pr. Bullón), o povo de Deus que saiu do Egito passou muito tempo como escravo de Faraó. Foram cerca de 400 anos de muita miséria, injustiça, humilhação, fome, sede...

No Sinai, o Senhor precisou Se revelar de forma impressionante (cf. Êxo. 19). Ao final deste período de trovões, relâmpagos, etc., o povo recebeu as Leis que deveriam guiá-lo durante a estada na Nova Terra. Muitas leis menores e regras de convívio social foram também criadas para disciplinarem a vida do povo de Deus, recém libertado da escravidão.

Alguns se apegaram tanto à "letra" da Lei (esquecendo seu "espírito"), que passaram a desenvolver o pensamento de que deveriam "fazer coisas" para agradarem ao Deus do Sinai. Ou seja, Deus era tão severo e poderoso que somente um estilo de vida irrepreensível e perfeito os poderia habilitar a permanecerem recebendo as bênçãos e proteção do Senhor.

Monte Calvário
A maneira como Deus Se revelou no Calvário foi muito diferente à revelação do Sinai. Lá, no deserto, Deus estabeleceu regras e leis de conduta. Aqui, em Jerusalém, o Senhor libertou definitivamente Seu povo da escravidão do pecado, através de um sacrifício santo, imaculado e espontâneo de Si mesmo.

Não é que o Deus do AT seja diferente do Deus do NT (como alguns chegam a pensar). Mas a maneira como Ele Se fez conhecer foi diferente, pois no Calvário o Senhor mostrou que Sua justiça anda lado-a-lado com Sua misericórdia e perdão.

Se antes a imagem que o povo tinha de Deus estava muito impregnada de ira, justiça punitiva, juízo, etc.; agora esta imagem se converteu em amor, bondade, paciência... perdão libertador.

Nosso Monte
O problema é que alguns ainda continuam vivendo sob a imagem do MONTE SINAI, e não conseguiram comprender o efeito libertador que o MONTE CALVÁRIO trouxe para nossa vida.

Vejo muitos irmãos e irmãs que têm uma experiência religiosa amarga e sem vida. E o motivo disso é exatamente porque ainda vivem sob a influência do legalismo. Pensam que precisam cumprir regras (ou "fazer coisas") para que o Senhor os ame e perdoe. Estas pessoas acreditam que Deus só está interessado nelas quando estiverem cumprindo suas "obrigações" religiosas: guardar os mandamentos (o sábado é um fardo para muitos); não comer isso ou aquilo; não usar essa roupa ou aquela; freqüentar a igreja semanalmente; devolver o dízimo com precisão (cf. Mat. 23:23); não freqüentar determinados lugares; não... não... não... E a vida acaba por se tornar um angustiante "pode" ou "não pode".

- Onde fica a certeza da salvação em Cristo? (muitos não têm esta certeza)
- Onde fica o sentimento de ter sido perdoado e aceito por Deus? (o legalista só se sente assim quando não está cometendo algum pecado "mortal")
- Por que alguns não têm em seu rosto o brilho da alegria que a salvação transmite ao crente em Jesus? (o "alegrai-vos" que Paulo tanto fala é desconhecido para estas pessoas)

Segundo o Pr. Bullón, estas pessoas ainda não saíram do SINAI, e não descobriram ainda a Nova Aliança estabelecida no CALVÁRIO.

Como eu disse no início, há 2 extremos a serem evitados: LEGALISMO e LIBERTINAGEM. O Adventista equilibrado (ou "temperante"), não andará nos extremos, mas no meio. E como é isso?

1. Creia que Jesus te salvou e te libertou da condenação dos pecados (Rom. 8:1).
2. Esta salvação e libertação independe das obras próprias que você possa ou não realizar. A graça é TOTALMENTE gratuita (que redundância! rs), portanto, Deus ela para você... e ponto final.
3. Os pecados passados foram perdoados pelo Senhor, mesmo que a sociedade continue a tentar "jogá-los" diante de você. Lembra como Jesus tratou da mulher pecadora (cf. João 8)?
4. Não pense que Deus está com um chicote só esperando o momento de te repreender e castigar, quando alguma coisa não estiver andando bem.
5. Mesmo quando você estiver no lamaçal do pecado, vivendo uma vida de aparências ou rebeldia... mesmo assim o amor de Deus estará com você, e a porta da graça continuará aberta. Não hesite em entrar!
6. Basta que você peça, o braço poderoso o Senhor se apressará a levantar você novamente. Aquela história de que "minha oração não passa do teto" é um engano... Ela sempre chega ao Trono da Graça de Deus. Creia!
7. A partir do momento em que nos entregamos de coração a Deus, nossa vida passará por uma progressiva transformação... para melhor!
8. Os pecados outrora acariciados deixam de ter poder em nossa vida, e nós vamos nos moldando à vida de obediência que o Senhor espera de Seus filhos. Mas tudo é feito de forma natural, espontânea... não obedeço para me salvar... obedeço porque JÁ ESTOU SALVO.
9. Algumas lutas contra o pecado você enfrentará por toda a vida (cf. Rom. 7), mas isso não quer dizer que você está sendo derrotado(a)... apenas significa que deve continuar lutando. A vitória já está garantida!



Espero que o texto de hoje ajude você a encontrar paz e alegria na salvação que Jesus nos concede.


Saia do Sinai... e veja a beleza do Calvário.


Jesus está de braços abertos esperando por você.

Comentários

Anônimo disse…
De fato, parece q as regras se sobressaem sobre o verdadeiro motivo de reunirmos na igreja, o amor a Cristo. Louvado seja Deus pelas palavras verdadeiras q trazem alívio e consolo.
Obrigado

Julio
A.K.Renovatto disse…
Muitos ainda não veem beleza no Calvário, por isso pendem para o legalismo e pessoas assim, vivem sempre focadas em olhar para o que os outros andam fazendo, sempre recriminando e julgando, já que na cabeça de legalistas, só há salvação em obras e mais obras. Também, há mesmo outro extremo, como diz no texto, os que vivem na libertinagem, para esses, o que basta é dizer que amam a Deus e não se nota nenhuma mudança de vida. Realmente, concordo com a posição do texto, o que um cristão precisa é de equilíbrio, não ir para os extremos, pois só prejudicam entender o propósito de servir a Deus com alegria, leveza e não como se fosse uma "obrigação enfadonha ou pesada". Somente com temperança podemos enxergar a beleza do Calvário! Muito oportuno o artigo!


Anônimo disse…
As pessoas quase sempre estão nos extremos. Acho que é tão difícil entender a Graça de Deus, que muitos acabam achando que fazendo obras, criando regras além do que é necessário, estarão conquistando a salvação.

O item 3 me tocou: "Os pecados passados foram perdoados pelo Senhor, mesmo que a sociedade continue a tentar "jogá-los" diante de você. Lembra como Jesus tratou da mulher pecadora (cf. João 8)?"

A sociedade pode ser capaz de impedir uma pessoa de se sentir perdoada muitas vezes em vários aspectos. Pode ser desanimador, mas quando lemos e entendemos que o perdão mais importante é o de Deus (pois só Ele conhece de verdade o coração e suas intenções) sentimos um pouco de alívio. O perdão dos homens é bom, mas se alguns não conseguem perdoar, nosso conforto está em saber que o perdão de Deus é o mais importante.

CACAU.