quinta-feira, dezembro 26, 2013

"Uma coisa te falta..."

Quero hoje refletir com vocês, meus amigos, sobre o jovem rico.

A Bíblia não diz o seu nome, e nem dá outros detalhes que nos ajudem a melhor identificar este rapaz. Porém, podemos ver que ele era uma pessoa profundamente religiosa, e que se orgulhava de ser um fiel cumpridor das regras e determinações ensinadas pelos rabinos de seu tempo.

Ao se defrontar com Jesus, este jovem ouve dEle alguma coisa que, provavelmente, não estava em seus planos escutar naquela ocasião: "Só uma coisa te falta: venda tudo que você tem e dê aos pobres".

O restante da história você já conhece... Ele saiu triste, e nunca mais voltou!

Religião = Cumprir Regras ?

Parece que o mesmo sentimento de convicção pessoal da religiosidade, que estava presente na vida do jovem rico, se manifesta também hoje na experiência de muitos cristãos, inclusive Adventistas do 7º Dia.

Estas pessoas imaginam que a religião se resume apenas a cumprir regras, seguir determinações e realizar tarefas que contem pontos lá no Céu.

E qual o problema em procurar ter uma vida correta e fiel às orientações bíblicas? Nenhum!

O erro está em fazer disso o principal, e esquecer que o primeiro passo para um Cristianismo verdadeiro e duradouro é buscar conhecer a Pessoa de Jesus, e fazer dEle o nosso amparo e modelo (você já leu o livro "Conhecer Jesus é Tudo", do Pr. Bullón? Se não, então faça isso o quanto antes. Já será um bom começo para se desvencilhar do legalismo). Cumprir os mandamentos do Senhor é de vital importância, mas isso é um "resultado" da salvação, e não um "meio" para se alcançá-la.

O religioso faz coisas boas para ser aceito por Deus; o cristão autêntico o faz porque tem a certeza de que já foi aceito.
O religioso perdoa aos outros para também ser perdoado por Deus; o cristão autêntico segue o exemplo de Jesus, e perdoa por amor.
O religioso escolhe um ponto da doutrina sobre o qual se torna "especialista" (reforma de saúde, vestuário, dízimos, apocalipse, doutrinas, etc.); o cristão autêntico vive a religião de forma plena e sem extremismos.
O religioso normalmente leva vida dupla: uma em casa/trabalho e outra na igreja; o cristão autêntico não muda de postura quando está longe dos "irmãos" - ele é coerente com sua fé.
O religioso tem dificuldade de trazer ou manter sua família na igreja (devido ao item acima); o cristão autêntico tem a alegria de ver seus parentes aceitando a fé (pois dá um testemunho sincero onde quer que esteja).
O religioso é implacável com os irmãos que erram, pois está sempre disposto a "cumprir o Manual"; o cristão autêntico reconhece as próprias debilidades e nunca está no grupo dos que querem "atirar as pedras" (ele perdoa SETENTA VEZES SETE VEZES).
O religioso vem para a igreja, mas fica conversando, e não presta muita atenção aos sermões; o cristão autêntico vem para ouvir a voz de Deus e adorá-Lo, e sempre é tocado pelo Espírito do Senhor na hora da pregação.
O religioso nunca tem tempo para dedicar à pregação do Evangelho Eterno; o cristão autêntico faz disso uma prioridade em sua vida, pois quer ver muitas pessoas tendo a mesma alegria da salvação que ele tem.

Assim como no caso do jovem rico, falta alguma coisa na vida dos religiosos de nossa época. E tenho visto que, na maioria dos casos, o que está faltando é a compreensão verdadeira do que seja ser um "seguidor de Jesus".

Guardar regras e mandamentos todos conseguem, principalmente quando escolhemos uma área para nos "especializarmos" (como mencionei acima). O difícil é não deixar que o legalismo tome conta da vida, e nos transforme em "fariseus modernos", sempre dispostos a cumprir regras e preceitos, mas sem dar muita importância para o AMOR com que devemos fazer estas coisas.

Lembra-se de como Jesus agrupou os 10 mandamentos?

1. Amar a Deus acima de tudo (de tudo!)
2. E amar ao nosso irmão e à nossa irmã como a nós mesmos (como a nós mesmos!)

O jovem rico não amava a Deus acima de tudo - amava suas riquezas, e não tinha amor pelas pessoas que padeciam.

Veja que irônico!
Ele se orgulhava de cumprir tudo certinho desde que era criança, mas na verdade NUNCA havia feito a coisa da maneira certa... faltava uma coisa!

Não permitamos que o legalismo tome conta de nossa vida de tal forma que não consigamos ver a beleza da salvação em Cristo, e a alegria de saber que não seremos condenados pelos pecados que Deus já perdoou, pois Jesus pagou a conta pelos erros do nosso "velho homem".

E se voltarmos a nos abater e formos vencidos pelas armadilhas do Mal, a Bíblia é clara e incisiva ao dizer que temos um Advogado junto ao Pai... Jesus Cristo, o justo.

Oh glória!

2 comentários:

Carlos Joel Fortes de Lima disse...

Olá Pr. Gilson!

Gostei muito deste tema "Uma coisa te falta", vou até pregar na minha igreja qundo surgir uma oportunidade. Este é um assunto que gosto muito. Já li o livro do Pr Bullon e tamém o livro "Como Conhecer a Deus" de Morris Wenden, que me fez entender o quanto é im portante conhecer a Deus e manter comunhão com ele, ou seja a Justificação pela fé.
Um grande abraço e quando der um tempo visite também o meu blog. Ah, muitas pessoas entraram em meu blog graças você que colocou no seu blog, obrigado amigão!

passos2 disse...

"o cristão autêntico vive a religião de forma plena e sem extremismos."
Irmão, se nós adventistas fizessemos realmente a vontade do Pai, seríamos taxados por todos de extremistas, inclusive por muitos dentro da própria Igreja.

Todos os profetas, apóstolos e o próprio Cristo foram taxados de extremistas, perseguidos e mortos, por pessoas que estava dentro da Igreja de Deus da época.

Sabe porque não somos taxados de fanáticos e extremistas?
Porque rimos com todo mundo, se divertimos com todos, e fazemos o que todos fazem, ou seja, "somos legais" com todos a nossa volta. Mas e aí, isso não é bom? Parece, mas o Anjo da Igreja de Laodicéia não acha isso tão legal assim. Nos chamando de " desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu".

O problema do jovem rico era o amor ao dinheiro e isso impera no mundo de hoje, dentro e fora da Igreja.

Mas porque Jesus pediu que ele vendesse tudo?
Porque para ganhar e manter sua fortuna passou por cima de muita gente e tinha muito o que pagar por seus erros . Ele disse que guardava a lei, mas Jesus sabia que não, por isso citou os mandamentos pra ele, e eram exatamente os mandamentos do próximo, os quais ele quebrara a vida toda.

Só que a história não termina aí, depois eles vão para Jericó e encontram Zaqueu, outro rico que passava por cima das leis e das pessoas para fazer fortuna. Mas veja a diferença, ele aceitou a instrução do Espírito Santo, e acertou toda a sua vida com Deus e com o próximo. (uma lição para quem acha que é só pedir perdão, se batizar que todo o passado está resolvido. Se fosse assim Jesus não teria pedido para o jovem vender tudo, ou não teria elogiado Zaqueu por ter quase vendido tudo)

Dois exemplos que se repetem em nosso meio todos os dias. Pena que o exemplo de Zaque é muito raro nesses dias.

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