terça-feira, agosto 27, 2013

Curiosidades sobre Daniel e Apocalipse

Já que os temas escatológicos (referentes aos últimos dias proféticos) exercem grande fascínio sobre os Adventistas, vou colocar alguns pontos que ajudam a compreender melhor os livros de Daniel e Apocalipse.

As fontes são as seguintes:
- Hans LaRondelle, curso de extensão da Andrews, 1976.
- João Antônio R. Alves, apontamentos em sala de aula, 2004.
- Dean Davis, curso de escatologia.

Características de Daniel e Apocalipse
1. Estes livros são estruturados em relação ao tempo. Exemplos: 1.260 anos, 2.300 anos, 1290, 1335, 70 semanas. Tais profecias de tempo não têm um objetivo em si mesmas, mas seu propósito é apontar para um grande fim – são Teleológicas.

2. A segunda característica é a Teodiceia Cristocêntrica. Cristo representa o caráter de Deus e Se torna o Governador que tem direito sobre este planeta.

3. A terceira característica são as repetições ampliadas. Exemplos:
• Daniel 7 é a repetição de Daniel 2 – os quatro reinos são repetidos nos animais de Dan. 7. Mas não é uma mera repetição. Há um elemento novo – o Anticristo. Portanto, é uma repetição mais ampla.
• Daniel 8 acrescenta ainda outro elemento – o trabalho do Anticristo no santuário.
• Daniel 11 também adiciona outro elemento – que haverá uma guerra bem próxima do fim.
• E no Apocalipse temos várias séries como esta. Por exemplo, as Sete Igrejas, os Sete Selos, as Sete Trombetas, as Sete Últimas Pragas, Apoc. 12, 13 e 14.
• II Tessalonicenses 2 e Mateus 24 também possuem esta característica.

São, ao todo, pelo menos doze séries apontando para o mesmo evento – a Segunda Vinda de Cristo. Nestas séries, é sempre acrescentado um elemento novo àquilo que fora citado anteriormente. Este é o "ABC da Escatologia".

Estas doze séries mostram que estamos vivendo no tempo do fim.
Que peso para o nosso argumento! Que convicção!
Os Adventistas têm esta convicção e podem notar a urgência da mensagem de Deus.

As Escolas Básicas de Interpretação Profética
- Futurismo (criada por Francisco Ribera, católico): o anticristo é um indivíduo ainda por aparecer, um ímpio governante de Jerusalém, que surgirá no fim dos séculos, e governará por 3 anos e meio literais.
- Preterismo (criada por Luis de Alcazar, católico): afirma que praticamente todas as profecias terminaram na queda da nação judaica, e com a destruição de Roma pagã. O anticristo havia sido um imperador romano, como Nero, Domiciano ou Diocleciano.
- Historicismo: as profecias são desenvolvidas ao longo do fluxo histórico. Esta é a corrente aceita na Igreja Adventista do 7º Dia, advinda da Reforma Protestante e defendida por muitos estudiosos ao longo dos séculos.

É curioso observar como o Catolicismo criou simultaneamente 2 sistemas de interpretação (futurismo e preterismo), aparentemente opostos, com o objetivo de desviar do papado as interpretações referentes ao poder que se uniria ao dragão na perseguição a Deus e ao Seu povo.

As características do "chifre pequeno" do livro de Daniel
1. Ele sobe no meio dos 10 chifres do animal, após derrubar 3 deles – o chifre surgiria do império romano, e abateria 3 dos 10 reinos que formaram este império (foram eles, 3 destes 4 reinos: Visigodos, Vândalos, Hérulos e Ostrogodos).
2. Ele possuía olhos, como os de homem, bem como uma boca “arrogante” e “insolente” – o poder representado pelo chifre pequeno é um poder temporal, religioso e com pensamentos arrogantes e orgulhosos relativos ao seu alcance de dominação mundial.
3. O chifre pequeno parecia mais “robusto” do que os seus “companheiros” – ele conseguiria em certo momento dominar até mesmo o poder temporal, bem como o poder religioso.
4. Fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles – seria um perseguidor daqueles que desejasse permanecerem fiéis às leis de Deus, e rejeitarem a contrafação que o chifre pequeno apresentaria ao mundo.
5. Proferiria palavras contra Deus – sua pretensão seria tal que até mesmo as prerrogativas de Deus este poder tomaria para si.
6. Magoaria os santos de Deus – a perseguição aos fiéis seria grande e feroz.
7. Mudaria os tempos e a lei – o sábado da lei de Deus seria alterado por um outro dia de guarda, em obediência total ao poder do chifre pequeno.
8. Dominaria os santos por 3,5 tempos (1260 anos) – durante este período de tempo, os santos estariam totalmente à mercê das perseguições sangrentas do chifre pequeno (538 AD a 1798 AD).
9. Seria julgado pelo tribunal divino, e destruído – chegará o momento em que Deus intervirá definitivamente, e o chifre pequeno, com todos os seus seguidores, será destruído ante a autoridade do Deus do Céu.

Estrutura Quiástica de Apocalipse
Um “quiasma” é uma estrutura literária na qual a mensagem se desenvolve até se chegar a um “núcleo”, retornando em seguida para ampliar as mensagens do início da estrutura.
Veja um exemplo: 

A. Prólogo (1:1-8)
    B. Sete igrejas (1:9-3:22)
       C. Sete selos (4:1-8:1)
         D. Sete trombetas (8:2-11:18)
            E. A crise final (11:19-15:4) – MENSAGEM CENTRAL DO LIVRO
         D’. Sete pragas (15:5-18:24)
      C’. Milênio (19:1-20:15)
   B’. Nova Jerusalém (21:1-22:5)
A’. Epílogo (22:6-21)

Cuidados com a “Marcação de Datas”
O Pr. Demóstenes Neves (SALT-IAENE) selecionou 15 verdades sobre marcar datas para a volta de Jesus e os últimos eventos, segundo o Espírito de Profecia (Mensagens Escolhidas, vol. 1, cap. 23):

1. Fique claro que não nos pertence saber o tempo que Deus reservou para Si (Atos 1:3 a 8). E isso vale para os nossos dias (Mens. Escolhidas, vol. 1, p. 185-186).

2. Deus não revelou esse tempo.

3. Em vez de vivermos preocupados na expectativa de algum tempo especial de excitação ou exaurir as energias de nossa mente em especulações quanto ao tempo e as estações, devemos fazer o que é preciso para que as almas sejam salvas (Mens. Escolhidas, vol. 1, p. 186).

4. “Satanás está sempre pronto a encher a mente com teorias e cálculos que desviam homens da verdade presente, e inabilitam-nos para dar a mensagem do terceiro anjo ao mundo” (Idem).

5. “Jesus não veio assombrar os homens com alguns grandes pronunciamentos de um tempo especial em que havia de ocorrer algum grande acontecimento, mas veio instruir e salvar os perdidos” (Idem, p. 187).

6. Progredíssemos nós em conhecimento espiritual, e veríamos a verdade se desenvolvendo e expandindo em sentidos com que mal temos sonhado, porém ela jamais se desenvolverá em quaisquer direções que nos levem a imaginar que podemos saber os tempos e as estações que o Pai estabeleceu pelo Seu próprio poder (Idem, p. 188).

7. “Tenho sido repetidamente advertida com referência a marcar tempo. Nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo” (Idem).

8. “Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo” (Idem).

9. “O Senhor mostrou-me que a mensagem deve ir, e que não deve depender de tempo; pois o tempo nunca mais será uma prova [após 1844]” (Idem).

10. “Vi que alguns estavam ficando com uma falsa excitação, nascida de pregar-se o tempo; vi que a terceira mensagem angélica pode subsistir sobre seu próprio fundamento, e que não precisa nenhum tempo para fortalecê-la, e que ela irá com forte poder, e será abreviada em justiça” (Idem).

11. “Os tempos e estações, Deus estabeleceu por Seu próprio poder. E por que não nos deu esse conhecimento? - Porque não faríamos dele o devido uso, caso Ele assim fizesse. Desse conhecimento viria em resultado um estado de coisas entre o nosso povo, que retardaria grandemente a obra de Deus no preparar um povo para subsistir naquele grande dia que há de vir. Não devemos viver em excitação acerca de tempo” (Idem, p. 189).

12. “Jesus disse aos Seus discípulos: ‘vigiai’, mas não para um tempo definido. Seus seguidores devem encontrar-se na posição dos que estão à escuta das ordens de seu Comandante; devem vigiar, esperar, orar, e trabalhar à medida que se aproxima o tempo da vinda do Senhor; ninguém, no entanto, será capaz de predizer exatamente quando virá aquele tempo; pois ‘daquele dia e hora ninguém sabe’. Não sereis capazes de dizer que Ele virá dentro de um, dois, ou cinco anos, nem deveis retardar Sua vinda, declarando que não será por dez ou vinte anos” (Idem).

13. “Deus não nos revelou o tempo em que esta mensagem será concluída, ou quando terá fim o tempo da graça. As coisas reveladas aceitaremos para nós e nossos filhos, não busquemos, porém, saber aquilo que foi mantido em segredo nos concílios do Todo-Poderoso” (Idem, p. 191).

14. “Têm-me chegado cartas perguntando se tenho qualquer esclarecimento especial quanto ao tempo da terminação do tempo de graça; e respondo que tenho apenas esta mensagem a dar: ‘que agora é tempo de trabalhar, enquanto é dia, pois a noite vem, quando ninguém pode trabalhar’”. (Idem, p. 189).

15. “Não há, porém, nenhum mandamento para ninguém pesquisar as Escrituras a fim de verificar, se possível, quando terminará o tempo da graça. Deus não tem tal mensagem para quaisquer lábios mortais. Ele não quer que nenhuma língua mortal declare aquilo que Ele ocultou em Seus secretos concílios” (Idem, p. 191).

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Já refulge a glória eterna de Jesus, o Rei dos reis;
Breve os reinos deste mundo ouvirão as Suas leis!
Os sinais da Sua vinda mais se mostram cada vez.
Vencendo vem Jesus!

Glória, glória! Aleluia

Glória, glória! Aleluia
Glória, glória! Aleluia
Vencendo vem Jesus!

Maranata!!!

Veja também:
- Dúvidas sobre Daniel 8:14
- Entenda a renúncia de Bento XVI
- Carta do papa sobre o domingo

3 comentários:

jose roberto disse...

Você poderá se beneficiar em suas pesquisas estudando os livros "preste atenção à profecia de Daniel e "revelação seu grandioso clímax está próximo que
você pode adquirir com as testemunhas de jeova Atenciosamente José Roberto

Pirâmide disse...

Sao todas interpretações, como qualquer outra. E, como interpretação, por mais que uma seja aceita e outras nao, nao deixam de ser interpretações, por mais bem fundadas que sejam.

No tocante as profecias, carecem de provas, ou seja, quando elas acontecerem, saberemos qual a corrente que conseguiu chegar mais perto. No tocante a forma de interpretar textos bíblicos, geram uma salada de interpretações. Como adventista, prefiro, tb, o método grmatico histórico, mas sei que nao passa de um método para se compreender.

Gilson Medeiros disse...

Você está certo, "Pirâmide".
Mas existe sim uma maneira de sabermos se a interpretação que fazemos está correta: através da Bíblia. E é assim que tem se pautado a interpretação profética dos Adventistas.

Um abraço
Gilson.

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