sexta-feira, janeiro 09, 2009

Escola Sabatina deste Trimestre

Durante este primeiro trimestre de 2009, a Lição da Escola Sabatina está abordando um tema importantíssimo para a Igreja Adventista do 7º Dia - o dom profético.

Exatamente neste período em que os ataques ao Espírito de Profecia estão ficando cada vez mais acirrados (estão implicando agora até com o túmulo de Ellen White), precisamos ter nossa fé fortalecida e bem fundamentada para podermos defendê-la no momento mais oportuno.

Aproveito para colocar um esboço que poderá servir de auxílio aos professores e alunos no debate da Lição nas Unidades.

A Função do Profeta no Plano de Deus
Desde o mais distante passado, Deus tem muitas vezes falado através de pessoas a quem Ele tem inspirado com divinas mensagens. O chamado ao ofício profético não vem por indicação humana, mas emana de Deus. Este “chamado” vem com o convincente e autoritativo poder do Espírito Santo à pessoa escolhida (Hb 5:4; 2Pe. 1:21).

Terminologias Adotadas
Os profetas foram, no mais remoto passado, chamados por diversos nomes, entre os quais:
• Vidente (1Sm 9:9), ou seja aquele que vê as coisas além da visão “natural”.
• Ele foi designado também como um mensageiro (2Crôn. 36:15).
• Também foi identificado como uma atalaia. (Ezeq. 3:17).

Contudo, o mais comum é o título de profeta, cujo significado é:
• Aquele que prevê o futuro: preditor.
• Aquele que fala por Deus: pregador.

Funções do Profeta
Chamados de todas as posições sociais e profissionais, os profetas foram instrutores de religião e de moral, reformadores e conselheiros, guias espirituais e preditores de eventos que acontecerão num imediato ou distante futuro.
Alguns, como Elias, operaram milagres; enquanto outros, como João Batista, não o fizeram. Porém, movidos por Deus, todos eles anunciaram mensagens vindas do Céu, não suas próprias (Osé. 12:10; Dt 18:18-19; Zc 7:12).

Sentido Etimológico
A palavra “profeta” deriva do grego prophetes, que quer designa uma pessoa que fala em lugar de outra como intérprete ou proclamador. A palavra profeta no hebraico é nabi, cujo sentido genérico é "aquele que anuncia", ou "o anunciante". Assim, nabi era uma pessoa que Deus qualificava para falar em Seu nome aos homens.

O termo “vidente”, usado no Português, vem de duas palavras hebraicas: roeh (1Sm 9:9) e hozeh (Isa. 30:10). Esta nomenclatura se deve ao fato de que a pessoa escolhida entrava em “visão”. A primeira vez que a palavra “visão” é usada nas Escrituras acontece em Gênesis 15:1, embora não seja Abraão a primeira pessoa a ter visão

As Revelações de Deus ao Profeta Ocorrem de Diferentes Formas
• Manifestação pessoal da 2ª Pessoa da Divindade (Jr 31:33 cf. Hb 10:15 e 17).
• Comunicação oral, com ou sem aparição de símbolos (Mt 3:16-17).
• Aparição de anjos que davam instruções de Deus (Jz 13:3 e 7; Dn 9:20 e 22).
• Mediante a ação do Espírito Santo sobre a mente para comunicar conceitos mais claros ou infundir convicção (At 20:23).
• Mediante sonhos (Gn 28:11-15).
• Mediante visões (Nm 24:4, 16; 12:6).

O DOM PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

O dom profético percorre toda a história do povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. A profecia foi dada com as seguintes finalidades: prover instrução, advertência e guia. Assim, ela é uma forma de comunhão de Deus com Seu povo, realizada através do profeta.

O método de revelação profética utilizado é a “eleição”, ou seja, o chamado do profeta é uma iniciativa divina. O homem não escolhe para si esta função (Jr 1:4-9; Am 7:14-15). O dom profético, contudo, não foi confinado e restrito aos escritores da Bíblia. Alguns profetas ou profetizas comunicaram mensagens orais que raramente foram registradas no cânon, tais como:
• Débora (Jz 4:4).
• Asafe (2Crôn. 29:30).
• Hulda (2Reis 22:14).
• Micaías (2Crôn. 18:6-8).
• Eliezer (2Crôn. 20:37).
• Odede (2Crôn. 28:9).
• Outros sem tiveram os nomes mencionados (Jz 6:8 cf. 2Crôn. 25:7-10).

Ainda houve vários outros profetas que escreveram mensagens, mas cujos escritos não foram incluídos no cânon bíblico:
• Livro dos Justos (Js 10:13 cf. 2Sm 1:18).
• Livro do Profeta Natã (1Crôn. 29:29).
• Livro do Profeta Gade (1Crôn. 29:29).
• Livro do Profeta Ido (2Crôn. 9:29).
• Livro do Profeta Jehu (2Crôn. 20:34).
• Livro do Profeta Aías (2Crôn. 9:29).
• Livro do Profeta Semías (2Crôn. 12:15).

Estes escritos tinham só uma aplicação local, embora fossem reconhecidos como escritos de profetas inspirados. Algumas destas visões eram acompanhadas de fenômenos físicos: Dn 10:7 e 11, 15 e 19; Ez 1:28; Nm 24:2-4, 15-16.

O Testemunho de Joel
Joel, que viveu vários séculos antes da primeira vinda de Cristo, fala de eventos que precederão a 2ª vinda (Joel 2:28-32). O evento aqui referido se encontrava no futuro, haja vista as expressões de tempo apresentadas pelo profeta: “Acontecerá depois que derramarei... profetizarão... sonharão... terão visões... derramarei...”.

Trata-se aqui da promessa do derramamento do Espírito apresentada com um caráter de certeza. É um derramamento universal, sem limitações de idade, sexo, posição social ou origem racial: “Toda carne...”, “Filhos... Filhas...”, “Velhos... Jovens...”, “Servos... Servas...”.

O Dom Profético aparecerá de forma bem clara:
• Filhos e filhas haveriam de profetizar.
• Os de mais idade receberiam sonhos proféticos; os jovens, por sua vez, teriam visões.

Este fenômeno estaria associado aos sinais que apareceriam no céu e na terra.
• Sangue, fogo, colunas de fumo.
• O sol convertendo-se em trevas, e a lua em sangue.

O Propósito do Dom
Era para que fosse salvo todo aquele que invocasse o nome do Senhor.

Os Beneficiários do Dom
Seria o remanescente que o Senhor haveria de chamar (Ap 12:17).

Os evangélicos resistem tenazmente à aplicação que os Adventistas do Sétimo Dia fazem deste texto, pois o aplicamos a Ellen G. White.

Eles dizem que Joel 2 teve seu cumprimento completo no dia de Pentecoste, conforme Atos 2 (vv. 16, 21). Os Adventistas, entretanto, ensinam que Atos 2 representou um cumprimento parcial de Joel 2. E Atos 2 não pode ser considerado como cumprimento final de Joel 2, em vista de duas razões principais:
• O grande dom prometido em Joel 2 é o de profecia; enquanto que no Pentecoste, o dom mais notável foi o de línguas. Nada se refere em Atos 2 ao dom profético.
• Os sinais no céu, mencionados por Joel não ocorreram em Atos 2; embora sejam mencionados por Pedro.

Portanto, os Adventistas tomam a posição que:
1. Atos 2 representou um cumprimento parcial de Joel 2.
2. Ellen G. White representou um cumprimento adicional, contudo não necessariamente final.


O DOM PROFÉTICO NO NOVO TESTAMENTO

A Doutrina de Paulo Quanto aos Dons Espirituais e sua Relação com o Dom Profético
Paulo não queria que os cristãos fossem ignorantes quanto aos dons espirituais. (1Cor. 12:1).
Em Sua ascensão, Cristo outorgou dons aos Seus seguidores (Efés. 4:8). Paulo procurou identificar vários destes dons em suas listas dos dons do Espírito (Efés. 4:11; 1Cor. 12:8-10, 28; Rm 12:3-8). O dom de profecia é o único que aparece nas quatro listas. Em 1Cor. 12:8, os dons aparecem numa ordem de importância, na qual o dom de profecia ocupa o lugar do 2º dom mais significativo.

Deus Tem Propósitos Específicos ao Conceder Dons
Efés. 4:12-16
• Aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu ministério.
• Edificação da igreja.
• Unidade da fé.
• Pleno conhecimento do Filho de Deus.
• Maturidade cristã.
• Pureza e firmeza doutrinária.

1Cor. 12:25
• Unidade e maturidade (cooperação).

1Cor. 1:5-6
• Enriquecimento em toda revelação e conhecimento.

Devemos lembrar que os dons são dados segundo a vontade do Espírito Santo (1Cor. 12:7, 11 e 13). Como há diversidade de dons, os cristãos não recebem os mesmos dons (1Cor. 12:11, 29, 30). Por isso, somos aconselhados a buscar os melhores dons (1Cor. 12:31). Nada é dito pelo apóstolo que estes dons, ou um deles, devessem esgotar-se na Igreja Primitiva; ao contrário, todos são apresentados como necessários no preparo do cristão e na habilitação de sua tarefa de preparar o mundo para a 2ª vinda de Cristo. Assim, para Paulo, o dom de Profecia era necessário e deveria permanecer até a volta de Cristo (1Cor. 1:5 e 7).

Há aqueles que ensinam que o princípio Sola Scriptura da Reforma (“Somente a Bíblia”) elimina a possibilidade de posterior manifestação do dom Profético, mas isso é um equívoco, pois Paulo insistiu com os cristãos de sua época que não desprezassem o dom Profético; ao contrário, deveriam “testar” todas as coisas (1Tess. 5:19-21).

João também aconselha a Igreja a testar os espíritos, para ver se há entre eles algum falso profeta (1Jo 4:1). O próprio Jesus, no sermão profético, adverte quanto aos falsos profetas, exatamente no mesmo discurso em que Ele fala dos sinais que apontam para Seu breve retorno (Mt 24:24).

Portanto, se a Escritura admite a existência da manifestação do falso dom Profético, e adverte que seja testado, e que não se despreze o verdadeiro dom Profético, é porque este dom existiria na Igreja no tempo do fim. Logo, aqueles que acreditam no princípio da Sola Scriptura devem aceitar o ensino bíblico quanto à manifestação do dom Profético no tempo do fim, porque é a Escritura que o prevê.

A Cadeia Profética
A fórmula da revelação (Ap 1:1 cf. 2Pe 1:21):
DEUS > ANJO > PROFETA > IGREJA > MUNDO

Assim como no Antigo Testamento, nem todos os profetas do Novo Testamento foram escritores do cânon. Na Igreja Primitiva houve outros profetas, como João Batista (o maior), Ágabo, profetas sem nome, profetas de Antioquia, Judas, Silas e as filhas de Felipe (o evangelista), e que não escreveram nenhum livro da Escritura. Como no Antigo Testamento, os profetas do Novo Testamento estavam sujeitos a passar por fenômenos físicos, como aconteceu com Paulo e João (At 9:4, Ap 1:17, 2Cor. 12:1-4).

Fonte: Apostila de Doutrina da Orientação Profética (SALT)

Postado em: 09-Jan-2009

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