terça-feira, fevereiro 02, 2016

"Retenha o que for bom..."

Esta foto ao lado é Dr. Yongi Cho, líder da "Igreja do Evangelho Pleno" (Full Gospel Church), situada na Coreia. Ela é a maior igreja do mundo (não "denominação", mas igreja/congregação), com cerca de 1 milhão de membros que se reúnem em "células" (os Pequenos Grupos) e têm um encontro semanal de celebração.

Outro exemplo clássico de "mega-igreja" é a Saddleback Church, fundada pelo Pr. Rick Warren. Ela passou de 2 membros (o casal Warren) para mais de 20 mil membros, em poucos anos. Os "segredos" para o sucesso estão no livro "Uma Igreja com Propósitos", do Pr. Warren, que muitos de vocês já devem ter lido.

Por que igrejas assim cresceram tanto? 

O que elas fizeram para atingirem marcas tão assombrosas de números de membros? 
O que as chamadas "mega-igrejas" realizaram para adquirirem este título?
Podemos aprender algo com o exemplo deles?

As 8 Marcas de Qualidade

O fenômeno de crescimento de igrejas é estudado no mundo todo, e um dos teóricos mais influentes nesta área é um alemão chamado Christian Schwartz. Ele fez uma pesquisa em 32 países nos 5 continentes, entrevistando líderes de mais de 1000 igrejas, para tentar descobrir os fatores que levaram algumas delas a crescer... e outras a não crescer.

O resultado desta pesquisa está em uma série de livros que o Dr. Schwartz publicou, dentre eles "O Desenvolvimento Natural da Igreja", publicado no Brasil pela Editora Evangélica Esperança, de Curitiba.

Em sua vasta pesquisa, ele descobriu que existem 8 marcas de qualidade que medem o nível de possibilidade de crescimento de uma igreja. Isso quer dizer que a aplicação ou não destes 8 princípios é que determinará se uma congregação tem condições de se desenvolver e tornar-se uma grande igreja.

As orientações são simples... e até óbvias... mas servem muito bem para analisarmos onde nossa congregação local pode estar falhando em conseguir avançar mais na missão de pregar o Evangelho. Não esqueça que o conselho de Paulo é "julgar tudo e reter o que for bom" (1Tess. 5:20)... Ou seja, não pense que não temos nada a aprender com estas mega-igrejas, só pelo fato de elas não guardarem o sábado, por exemplo. Há, sim, boas dicas que certamente você verá que se sua igreja local aplicar os princípios, o evangelismo, os PGs, o trabalho das duplas, os cultos, etc., serão bem mais produtivos e edificantes.


Sei que alguns vão dizer que não precisamos "copiar" ninguém, especialmente se forem igrejas que "transgridem a lei". Mas aqueles que estiverem com um coração desejoso de aprenderem como melhor trabalhar na Obra do Senhor verão que as 8 marcas são facilmente identificadas no Espírito de Profecia e na Bíblia. Ocorre que ficamos apenas esperando a "chuva serôdia" descer como um passe de mágica, e não procuramos fazer QUASE NADA para preparar a Igreja para receber o poder do alto.

Analise cada uma das 8 marcas, e me diga se alguma delas está em oposição aos princípios Adventistas.

Vejamos...

Marca 1 - Liderança capacitadora
Aqui entra o papel importantíssimo do líder da Igreja (o pastor distrital e os Anciãos locais), bem como dos demais líderes/oficiais da Igreja. Cada líder deve estar preparado para se aperfeiçoar em sua liderança eclesiástica e, especialmente, capacitar novos líderes para assumirem as funções que forem surgindo.

Marca 2 - Ministérios orientados pelos dons
Cada membro desempenha sua parte na Obra do Senhor exatamente no local que deveria estar, de acordo com os dons que Deus lhe deu. Não existe, nas igrejas que crescem, a preocupação em colocar pessoas em cargos por conveniência político-partidária, ou nepotismo ou amizades. Todos ocupam seus cargos unicamente através dos dons que possuem.

Marca 3 - Espiritualidade contagiante
Os membros destas igrejas são pessoas altamente motivadas em sua adoração a Deus. Eles se sentem felizes em participarem dos cultos e estão sempre animados a trazerem amigos para que também sejam inflamados pelo mesmo sentimento. Esses membros possuem uma forte vida de oração e comunhão com Deus, e sentem verdadeira "paixão" pela sua fé.

Marca 4 - Estruturas funcionais
Nada de programas ou projetos formais e ultrapassados. Se algo não está cumprindo seu objetivo, deve ser descartado e substituído por outra estrutura que funcione. O formalismo e frieza que tanto caracterizam as igrejas que estão morrendo, não é visto nas igrejas que crescem, porque em tais igrejas tudo é feito unicamente com um objetivo: semear a Palavra, e tudo que esteja sendo feito de modo a não alcançar esta "função" é colocado de lado.

Marca 5 - Culto inspirador
Este é o contrário do culto monótono, frio e sem vida que temos visto em muitos lugares. Os adoradores saem do culto com a sensação de que REALMENTE tiveram um encontro com Deus, e que isso modificará suas vidas dali em diante. A pregação da Palavra, principalmente, é utilizada para edificar os membros no conhecimento da Bíblia, e não apenas em temas filosóficos, psicológicos, promocionais, etc. O louvor é participativo, vivo, edificante, com músicos que se consagram no ministério de levar a igreja à adoração eficaz, e não apenas por solistas, grupos, vocais... mas por todos os adoradores.

Marca 6 - Grupos familiares
Esse é o que chamamos na IASD de "Pequenos Grupos", e que outras denominações também chamam de "células". As igrejas que crescem são aquelas que mantêm um arrojado programa de encontros semanais entre seus membros, fora do ambiente do templo, reuniões estas voltadas a um maior entrosamento entre os grupos menores da igreja e entres estes e o Senhor. É nos PGs, por exemplo, onde os dons são fortalecidos e os projetos evangelísticos mais individuais são colocados em prática.

Marca 7 - Evangelização orientada para as necessidades
Este é um importantíssimo fator de crescimento, segundo as pesquisas do Dr. Schwartz, pois as igrejas que crescem fazem seus cultos, projetos, programas, etc., sempre com o objetivo de alcançarem os chamados "sem-igreja", ou seja, pessoas que estão necessitando de ouvirem a pregação do Evangelho e aceitarem Jesus em suas vidas. Os sermões são escolhidos com vistas a estes objetivos, e as pessoas que visitam estas igrejas saem com a certeza de que não foram meros "visitantes", mas que tudo que ali foi realizado teve o objetivo de falar-lhes ao coração.

Marca 8 - Relacionamentos marcados pelo amor fraternal
E como pode se medir o nível de relacionamento de amor entre os membros? Através das atitudes para com os que erram, do tempo que é gasto entre os membros fora dos limites do culto, dos encontros informais de confraternização entre eles, da quantidade de refeições que eles fazem juntos mensalmente, etc. Os membros das igrejas que crescem aprendem que não são apenas "irmãos", mas que são, acima de tudo, amigos uns dos outros... para todas as horas.

E agora?

Bem, resumidamente, é isto que se descobriu sobre os "segredos" utilizados pelas igrejas que mais crescem no mundo para terem se tornado o que são. 


Sugiro que os interessados em verem suas igrejas locais crescerem, tanto quantitativa quanto qualitativamente, procurem estudar mais sobre o assunto. Um bom ponto de partida são os livros do Dr. Schwartz, que certamente o pastor do seu distrito poderá disponibilizar para os interessados. Também há o excelente site do NÚCLEO DE MISSÕES & CRESCIMENTO DE IGREJA, do UNASP.

Como Adventistas, com todas as peculiaridades normais da denominação, podemos aplicar estes 8 princípios e fazer de cada igreja local um modelo de sucesso no crescimento? É claro que sim! 


Observe que o crescimento numérico das chamadas "mega-igrejas" é uma CONSEQUÊNCIA do nível de comprometimento, amor, consagração e eficiência que seus membros atingiram ao longo do processo. Isso mostra que, quando estamos dispostos a melhorar onde falhamos, os frutos certamente virão!

Algumas sugestões para você verificar como pode aplicar estes conceitos universais em sua igreja local (o pastor do seu distrito certamente tem todo o material que sua igreja necessitará nesta empreitada rumo à Qualidade Total na Missão):

1. Reúna a liderança da igreja e promova um curso de capacitação em Princípios Básicos de Liderança. Isso ajudará a iniciar o processo de fortalecimento e reavivamento da equipe.

2. Aplique o "questionário de dons" entre os membros da equipe de líderes, em primeiro lugar, e depois com toda a igreja. Dessa forma, se descobrirão os potenciais "cabeças" nas diversas áreas de atuação da igreja. Cada um fazendo o que gosta e sabe fazer, é a melhor maneira de reavivar uma igreja e torná-la em um exemplo de sucesso, para a glória de Deus.

3. Os membros precisam de um reavivamento da verdadeira fé. Nada de legalismo, fanatismos ou arrogância doutrinária! O que importa para ter uma fé contagiante e firme é a certeza de que somos pecadores, mas que Jesus nos cobre com Seu manto de justiça, e nos concede, a cada dia, uma nova oportunidade. O resto é resto! Os cultos devem dizer isso para as pessoas. Infelizmente muito tempo tem sido perdido com uma modelo de culto frio e sem vida, e o resultado todos conhecemos: mornidão espiritual e falta de entusiasmo na fé. Ou estou mentindo?!

4. Somente aquilo que dá certo deve ser mantido na estrutura de uma igreja que deseja crescer. Liturgias, programas e projetos que não somam em nada à evangelização devem ser colocados de lado, sem dó.

5. Faça dos cultos de sua igreja um momento de encontro VERDADEIRO com Deus. Nada de formalismos frios e sem-sentido, sermões enfadonhos e "chicoteantes", músicas de funeral, rostos tristes e ambiente sombrio. O culto é o momento em que nos encontramos com o Deus do Universo, e isso deve ser sentido por aqueles que compartilham esse momento conosco. É uma pena que alguns ainda confundam "reverência" com "letargia". Aqui no blog você pode encontrar muitos conselhos sobre como transformar para melhor os cultos de sábado, domingo e quarta-feira em sua igreja.

6. Os Pequenos Grupos, infelizmente, não são uma realidade em todas as igrejas, ainda. Mas há tempo de retomar este importantíssimo programa, e fazer de sua igreja um pedacinho do céu aqui na Terra, com os membros se reunindo semanalmente, nos lares, para se confraternizarem e pregarem o Evangelho Eterno aos vizinhos e familiares.

7. Faça de cada culto um encontro evangelístico. Não deixe que o visitante se sinta um "estranho no ninho", pois assim ele dificilmente desejará voltar. Os sermões, especialmente, devem ser voltados para as necessidades reais das pessoas, e não para os casuísmos promocionais ou espírito exibicionista do pregador.

8. Promovam encontros informais entre os membros da igreja. Por exemplo: fazer um rodízio entre os PGs para almoçar a cada sábado na casa de alguém (cada família levando um prato diferente). Isso traz um tremendo poder de aglutinação e fortalecimento da amizade entre os membros.


É isso ai... se você deseja ver sua igreja crescer com poder e glória em 2016, espalhando o Evangelho Eterno em sua região, e apressando fortemente a VOLTA DE JESUS, faça sua parte, e deixe que o Espírito Santo consiga fazer a dEle com o melhor ambiente possível.

"Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2:46-47).

Um comentário:

A.K.Renovatto disse...

Ótimo texto! Seu trabalho no blog é muito bom, Pr Medeiros. Deus abençoe.

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