segunda-feira, abril 25, 2016

A real eficácia de um sermão

Há algumas semanas, o tema da Lição na Escola Sabatina foi o "sermão do Monte", registrado no Evangelho de Mateus. Ali pudemos relembrar a força e o alcance daquele que é, talvez, o sermão mais importante pregado por Jesus.

Mas, o que faz um sermão tornar-se "único", "especial", "poderoso"? Até que ponto um sermão bem apresentado é, de fato, um sermão que toca corações através do Espírito Santo?

Certa vez ouvi uma pessoa dizer o seguinte:
- Para mim, o melhor pregador desta igreja é (fulano de tal).

Esta pessoa hoje está afastada da Igreja Adventista. Parece que os sermões não foram suficientes para mantê-la perto de Jesus.

Recentemente, também tive a oportunidade de presenciar um momento semelhante, no qual um professor de Escola Sabatina elogiava os sermões inspiradores e "profundos" de um determinado pastor de sua época, enquanto que menosprezava outros pregadores da atualidade.

Atitudes como estas revelam o quanto somos seletivos em matéria de pregação e pregadores. Tendemos a supervalorizar alguns, enquanto que subvalorizamos (ou até desprezamos) outros. É claro que existem pessoas que dominam melhor do que outras a "arte" da oratória. Uns são mais eloquentes e conhecem melhor as "técnicas" da pregação; enquanto que outros, às vezes nem mesmo detêm o domínio da língua culta.

Você conhece alguém que antes de decidir se vai ou não ao culto, primeiro olha na "escala" para ver quem será o(a) pregador(a) daquele dia? Eu conheço!

O que observo é que algumas pessoas se prendem apenas à eloquência ou não do pregador, mas não atentam à mensagem que está sendo apresentada. Quantas vezes, como pregador, já não fui cumprimentado na porta com a seguinte expressão (e se você é um pregador ou pregadora também já passou por isso):

- O sermão hoje foi para mim! Parecia que o senhor estava falando diretamente ao meu coração.
Alguns chegam até às lágrimas ao ouvirem um sermão que consideram como "poderoso".

Porém, alguns poucos dias depois já não lembram mais nem mesmo qual passagem bíblica foi estudada (você lembra o que foi pregado no sermão de 2 sábados atrás?). E continuam com a mesma vida de pecados, negligências, mornidão (ou frieza) espiritual, egoísmos, vaidades, avareza... etc... que antes. O fato de não lembrarmos é porque pouco praticamos daquilo que ouvimos.


Quanto sermões em um ano?
 

Você já parou para pensar que ouvimos cerca de 250 SERMÕES TODOS OS ANOS?! Pode somar: 52 domingos + 52 quartas-feiras + 52 sábados + as semanas de oração + meditação de pôr-do-sol + meditações matinais + cultos de ação de graça... Se você for um daqueles membros assíduos a todos os cultos e programações, certamente chegará perto dos 250 sermões por ano!

E eu pergunto para você:
Os temas e passagens bíblicas estudadas não são, quase sempre, as mesmas?!

Quantos sermões já não ouvimos sobre: guarda do sábado, educação dos filhos, temperança, mordomia (nas diversas áreas), doutrinas, volta de Jesus, Espírito Santo, salvação, santificação, etc.?! 


Mas continuamos vivendo de forma contrária ao que ouvimos nos respectivos sermões.

Veja alguns exemplos:
- Quantos sermões já ouvimos sobre a mulher adúltera (João 8)? Mas continuamos tratando aos outros com impiedade e condenação...
- Quantos sermões já ouvimos sobre a a vida diária da Igreja Primitiva (Atos 2:42-47; 4:32-35)? Mas continuamos pensando somente em acumular bens e riquezas para nosso próprio benefício, aqui e agora...
- Quantos sermões já ouvimos sobre jugo desigual (2Coríntios 6:14-18)? Mas continuamos vendo jovens se envolvendo em relacionamentos desaprovados pelo Senhor...
- Quantos sermões já ouvimos sobre o perdão abundante de Deus (Jo 3:16, por exemplo)? Mas continuamos nos martirizando (e martirizando outros) com o sentimento de culpa...
- Quantos sermões já ouvimos sobre a mordomia do tesouro (Malaquias 3:8-10, por exemplo)? Mas continuamos fechando o coração (e o bolso) às necessidades da obra do Senhor...

 

Claro que os sermões são importantes, e têm seu lugar no culto de adoração a Deus; porém se estamos mais interessados em ouvir belas peças de oratória, mas não nos dispomos a "escutar" o que o Senhor tem a nos dizer através de Seus mensageiros... então, o sermão não está atingindo seu real objetivo - promover uma MUDANÇA DE ATITUDE E DE VIDA.

É claro que os pregadores devem procurar fazer sempre o seu melhor, e aprender como cada vez realizar melhor esta importante tarefa da pregação. Mas, o que estou refletindo aqui é sobre este favoritismo que promovemos à pessoa do pregador, em detrimento da mensagem que ele está nos trazendo.

É interessante observar como até os pregadores bíblicos tiveram dificuldades nesta área:

1. Você deve lembrar da controvérsia na Igreja de Corinto, quando alguns ficavam "disputando" para ver quem tinha o melhor líder (1Cor. 1:11-13). O dilema chegou a tal ponto, que havia aqueles que diziam que Paulo era muito bom para escrever, mas como pregador ele era muito "fraco" (cf. 2Cor. 10:10).

2. E quanto a Acabe, que considerava Elias como um "perturbador" (1Reis 18:17), apenas porque ele falava aquilo que o Senhor o mandava dizer?

3. Sem falar no próprio Jesus, que também encontrou pessoas que não estavam muito satisfeitas com alguns sermões que Ele andava pregando (cf. João 6).

Caros amigos nestes tempos "bloguianos", vamos promover uma revolução na maneira de se ouvir sermões. Da próxima vez que você estiver ouvindo alguém pregando a Palavra de Deus, o "Assim diz o Senhor", e perceber que o Espírito Santo está falando ao seu coração, não atente para quem está trazendo a mensagem (se é um humilde assalariado semianalfabeto, ou um "doutor" com pós-graduação no Exterior)... ouça... medite... e ponha em prática!



Um sermão só será "poderoso", "abençoado", "tremendo"... se ele produzir frutos para a vida eterna em nossos corações. Se não produzir isso, terá sido apenas uma bela peça de oratória... mais uma para nossa lista.

"Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" - Apoc. 1:3


Veja também:
- Sermão não muda vidas
- Pregador, faça o seu melhor
- Que sermão pregar


 

3 comentários:

A.K.Renovatto disse...

Excelente texto. Confesso que já fui muito seletivo com pregadores, preferindo os de boa oratória . Mas graças a Deus hoje consigo entender que devemos focar na mensagem e não no pregador e suas habilidades (ou falta delas). Deus o abençoe, Pr Medeiros. Ainda bem que as pessoas sempre podem buscar melhorar...claro que ouvir um sermão com boa oratória é bom, mas não devemos desprezar àqueles mais simples, sem muito estudo. Parabéns pelo tema.

Gilson Medeiros disse...

Meu amigo, eu também já fui bastante seletivo nesta área, mas aprendi que Deus fala através de grandes pregadores, bem como (e, às vezes, até mais) através de humildes servos dEle, que têm o coração cheio da graça e do Espírito.

Um abraço
Gilson.

OLIVEIRA disse...

TEXTO NOTA DEZ ,IMPECAVEL.QUEM JA NAO FOI SELETIVO QUANTO A PREGADORES?PARABENS PELO TEXTO

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