terça-feira, maio 10, 2016

A coragem de Elias

Texto-base: 1Reis 18

De vez em quando relembro personagens bíblicos que inspiraram minha caminhada cristã. E um dos que mais me impressionam é Elias.


Quero convidar você a refletir comigo sobre um dos acontecimentos mais conhecidos do Antigo Testamento – a batalha no Monte Carmelo. Fiz o texto em forma de sermão, para ajudar aqueles que desejam utilizá-lo em algum programa ou culto em sua igreja local.


ELIAS - O PROFETA CORAJOSO
 

Elias foi um profeta que surgiu em cena na história bíblica de forma inesperada e repentina. Muito pouco é mencionado a seu respeito (1Reis 17:1). Ele aparece em um momento de grande apostasia espiritual, durante o reinado do ímpio Acabe e sua esposa Jezabel.

Sob influência da rainha idólatra, Acabe havia levado o reino à completa apostasia em relação a Jeová. O deus pagão Baal estava agora presente nos templos e nos locais de culto, antes consagrados ao Deus de Israel.

Como consequência de sua rebelião, uma forte seca é determinada sobre Israel, através dos lábios do valente profeta Elias. 


Deus o estava utilizando para reconduzir o povo à adoração verdadeira.

DESAFIANDO OS PROFETAS DE BAAL (1Rs 18:19-25)

Eu sempre fiquei curioso por saber o porquê de Elias ter escolhido o Monte Carmelo. Até que descobri o motivo, pois de acordo com o Dicionário Bíblico Universal, o Carmelo era um bonito monte, que sempre estava recoberto por uma vegetação vistosa e verdejante. Porém, devido à seca, o monte estava “morto”. A vegetação havia secado, e ele se tornara um símbolo perfeito da desaprovação de Deus pelo procedimento idólatra do povo. 


Foi neste contexto que Elias propõe uma prova na qual apenas o verdadeiro Deus poderia sair vitorioso. O povo deveria fazer sua escolha ao final do embate: ou Jeová ou Baal (v. 21)

É interessante notar que o Senhor já havia feito milagres semelhantes no passado (Gn 15:17), e Elias sabia que Ele poderia realizá-los novamente. Como Baal era um deus importante e responsável pela chuva, o insulto de Elias com relação à seca havia deixado os seus adoradores muito constrangidos. Agora era a oportunidade para Baal mostrar que merecia a adoração que lhe estava sendo oferecida por Israel.

ADORAÇÃO A BAAL X ADORAÇÃO A JEOVÁ (vv. 26-29)

Os profetas de Baal iniciaram de manhã cedo um ritual de súplicas ao seu deus, que durou toda a manhã, sem nenhum êxito. Ao meio-dia eles continuam com um ritual ainda mais humilhante e ineficaz, passando a manquejar e pular de uma perna só, para que Baal os atendesse.

O povo de Israel, que estava ao pé do Carmelo, teve a oportunidade de ver o quanto é ridículo adorar a um deus falso. Certamente, puderam se lembrar da beleza da adoração no santuário, do sacerdócio levítico e de como Deus Se fazia presente no meio do Seu povo (ah como estava fazendo falta o Shekináh!).

Já percebendo que não estavam conseguindo resultados satisfatórios, os profetas de Baal iniciam um processo de autoflagelação, tão comum entre comunidades idólatras e pagãs (você já deve ter visto algo parecido nos noticiários). Fico impressionado com a coragem de Elias, pois a Bíblia diz que ele aproveitou a situação ridícula dos profetas de Baal, para zombar de seu estado patético (v. 27).

Porém, após todo um dia de gritarias, danças e rituais sanguinários, nada aconteceu (v. 29). O que já era de se esperar...

CONVIDANDO O POVO À RECONSAGRAÇÃO (vv. 30-35)

Elias começa sua “cerimônia”, fazendo um convite ao povo: “venham para perto de mim”.

Durante todo o dia eles puderam ver a diferença entre adorar ao Deus Verdadeiro ou a outro qualquer deus. Como deveriam estar decepcionados consigo mesmo pela maneira ingrata com que agiram contra o Pai!

O convite de Elias representou o convite de Deus – “cheguem-se a Mim”. Você já ouviu esse convite alguma vez? Já sentiu que por algum momento estava tão distante do Pai, que Ele necessitou “gritar” para que você O ouvisse? Eu já senti... 


O verso 30 diz que “todo o povo atendeu ao apelo” – eles estavam carentes do aconchego do Pai. Baal só lhes trazia amargura, remorso e desilusão... Agora eles podiam novamente sentir o amor de Deus sendo dirigidos a eles... que cena linda deve ter sido!

Em seguida, Elias restaura o altar (vv. 30-32). Todo o sistema sacrificial que Deus havia instituído estava esquecido. O altar havia sido desprezado por tanto tempo. Mas agora eles deveriam restaurá-lo antes que Deus operasse o milagre. Que "restauração" você necessita fazer em sua vida, ANTES que o Senhor opere um milagre em você?!

Para dificultar ainda mais, e mostrar ao povo que Deus não necessita de ajuda humana, 12 “baldes” de água foram jogados sobre o sacrifício. Quão valente e corajoso era Elias! Em um período de extrema seca, ele solicita um “desperdício” tão grande de água. Mas isto também fazia parte da lição que Deus queria lhes ensinar.

DEUS ATENDE A ORAÇÃO HUMILDE E SINCERA DO PROFETA (vv. 36-39)

Ao contrário da ladainha proferida durante todo o dia pelos profetas de Baal, Elias inicia uma oração singela e objetiva, provinda de um coração que sabia que somente o poder e a misericórdia de Deus é que poderiam tirar o povo daquele estado de apostasia.

Elias nos dá um grande exemplo para estes últimos dias. Enquanto muitos pregam um culto a Deus cheio de emoção e sensacionalismo, com gritarias, danças, e tudo que for para exaltar o emocional, Elias mostra que Deus Se agrada mesmo é de uma adoração humilde, racional e sincera. Que lição para os que acham que o culto só é “inspirado” se tiver muita música alta, orações “gritadas”, palmas, coreografias, etc.!

Após umas poucas palavras de oração do profeta, o fogo desce veloz do céu. Todos puderam comprovar que Jeová ainda estava vivo. Puderam ver que o Senhor não abandonara Seu povo, e que Ele estava disposto a restaurá-los à Sua comunhão.

O resultado não poderia ser outro. Deus ouviu a oração do Seu servo e reconduziu o povo à adoração verdadeira (v. 39).

O QUE POSSO APRENDER DA HISTÓRIA DE ELIAS?

A trajetória de Elias foi de grandes vitórias. No Carmelo ele mostrou que confiava em Deus e estava pronto para provar a Israel que Jeová estava vivo e continuava com Seu povo. Elias saiu vitorioso porque permaneceu firme no que era correto, apesar de aparentemente todos os demais terem se acovardado e apostatado.

Nos dias atuais também nos defrontaremos com ocasiões em que precisaremos permanecer firmes, apesar de parecer que todos os demais abandonaram a Deus. Como jovens, precisaremos aceitar o chamado para sermos o “Elias do Tempo do Fim”, e em todos os lugares (escola, trabalho, amigos, família) representarmos a Deus de forma digna e confiante. Não posso deixar de lembrar dos valentes estudantes que fazem o ENEM confinados para não desrespeitarem o Mandamento do Senhor (cf. Êxo. 20:8-11).

Você lembra de algum momento em que “apenas você” (pelo menos de forma aberta) estava defendendo os princípios de Deus? 


Talvez até mesmo algum outro jovem da sua Igreja estivesse por perto, mas preferiu se calar, enquanto você levou todo o peso que os fiéis e sinceros devem suportar...

Aceite o chamado de Deus para ser Seu representante, um “Elias” Moderno, e levantar bem alto a bandeira do Jeová Vivo.

A parte mais difícil Ele já fez por você...


OBS.: Depois desse evento no Carmelo, Elias foge e se acovarda com medo de Jezabel... Isso nos mostra que mesmo os maiores herois têm seus momentos de vacilo e desânimo... mas... isso é outra história.

Um comentário:

A.K.Renovatto disse...

Pegando o "gancho" em sua menção ao desânimo de Elias no final do texto, quero dizer que esse "detalhe" faz com que o profeta Elias seja visto como todo ser humano, ou seja, ele era um homem sujeito às mesmas paixões e fraquezas que nós. Apesar de profeta, ele não era um super-homem. Em 1 Reis 19 notamos um Elias cansado, desanimado, triste, chegando ao ponto de orar pedindo a Deus que Ele o dispensasse do pesado ministério profético e o deixasse morrer. Muitos cristãos acham que depressão é coisa do diabo ou de quem está no pecado, porém, em muitos casos a depressão não tem ligação com pecado ou demônios, é mesmo uma doença que pode acometer pessoas de qualquer credo, idade, cor, classe social...ou seja, qualquer um pode em determinado momento da vida experimentar esse sentimento de profunda tristeza e desprezo a vida. Vejo que o fato da Bíblia mostrar esses detalhes, serve para acalentar e auxiliar pessoas que fizeram grandes feitos no trabalho para Deus e na vida particular e mesmo assim perderam a alegria, o ânimo, a vontade de viver. Mas Deus assim como cuidou do desalento de Elias de modo compassivo, Ele pode ajudar e cuidar daqueles que estão tristes, desesperados e com medo de encarar a vida. Deus pode capacitar, fortalecer as pessoas desanimadas, e mesmo que algumas venham precisar de tratamento psiquiátrico e psicológico para a depressão, com Deus tudo é melhor, porque algumas vezes além de se buscar ajuda espiritual em Deus, deve-se buscar também auxílio médico. Sei que o artigo está tratando de outros pontos, mas me detive nesse ponto da depressão, porque me causa pesar ouvir da boca de certos cristãos (já ouvi, infelizmente), que a pessoa depressiva está em pecado ou com ação maligna, ou seja, alguns abrem a boca para julgar ao invés de ajudar. Falo muito dessa questão, porque vejo que ainda há certa resistência de alguns cristãos entenderem que a depressão pode acometer tanto um ateu, quanto um crente fervoroso, tanto um pobre, quanto um rico, tanto um solteiro, quanto um casado. Aliás, pessoas com bom casamento, filhos bem sucedidos e educados, situação financeira boa, com tudo do bom e melhor (casas, carros de luxo, dinheiro, fama) podem ter depressão. Acredito que já houve um avanço considerável nessa área, as pessoas estão lendo mais, buscando mais informações, mas ainda precisa-se de mais atenção a esse assunto no meio cristão. Podemos tirar grandes lições como as que mostrou no texto (sobre a coragem de Elias), mas também lição do "outro lado" de Elias (no momento em que ele caiu no desânimo). Deus o abençoe, Pr Medeiros.

Cursos Básico, Médio e Avançado

Ebook 101 Razões