quarta-feira, abril 26, 2017

O que achei do filme "A Cabana"

Sabe aquele verso bíblico que diz que devemos "julgar tudo e reter o que for bom"? (1Tess. 5:21)

Pois é... esse é um dos meus favoritos nas cartas de Paulo, pois mostra que o cristão não precisa ser um "alienado" das coisas que se passam ao seu redor (política, economia, religião, cultura, direito, etc.), mas deve ter uma base teológica suficientemente boa para que ele saiba discernir o certo do errado, em tudo... ou seja, saber o que é "bom".

Com relação ao polêmico livro/filme "a Cabana", que estava em cartaz recentemente nos cinemas e foi um dos livros mais vendidos nos EUA nos últimos anos, eu vi muita gente falando pontos negativos e positivos do filme/livro, e algumas pessoas enviaram emails pedindo minha opinião.

Particularmente, eu gostei de alguns pontos tratados na história, e discordei fortemente de outros. De um modo geral, eu achei interessante o seguinte:

1. A tentativa de dar uma "resposta" para a grande inquietação humana: Por que pessoas boas sofrem?
O autor do livro/filme, na minha opinião, acertou ao tentar passar a noção de que Deus não é o culpado pelo que ocorre de ruim (nem pelo que Ele permite que ocorra). Na hora da dor, temos a tendência de culpá-Lo pelo sofrimento que vem a nós, mas esquecemos que vivemos em um mundo tomado pelo pecado, e pelos pecadores, e por isso estamos sujeitos às fatalidades e crueldades que tal mundo nos impõe. Como cristãos, achamos que Deus é "obrigado" a nos proteger de todo mal, e ficamos frustrados quando nos deparamos com o diagnóstico de uma doença fatal, a morte trágica de um filho, o desemprego... nesta hora, nossa oração é "Por que, Senhor, isso foi permitido em minha vida?"... conheço muitos que desanimaram na fé depois de entenderem (equivocadamente) que não havia muita diferença entre seguir a Deus ou curtir o mundo. Estas pessoas tiveram o mesmo dilema do autor do Salmo 73 (veja aqui).

2. Uma maneira de entender as atitudes do outro é conhecer o que ele passou até aqui.
Na ficção, o autor também se preocupa em dar uma "explicação" (o que é diferente de "justificativa") para o comportamento mau de algumas pessoas. Muitas vezes, e a Ciência Humana explica isso, passamos por traumas e dores no passado que provocam duras cicatrizes em nossa personalidade. Abusadores, por exemplo, muitas vezes também foram abusados em alguma fase de sua vida... esposas frias e crueis, aprenderam a ser assim porque nunca experimentaram o carinho e afeto em sua infância/adolescência... Não é fácil se colocar no lugar do outro (a antipatia é muito mais atraente que a empatia), e o egoísmo que reina em nosso mundo sempre nos levará a olhar para o próximo que nos machuca com um olhar de vingança, ódio e retaliação, assumindo a posição de juízes implacáveis.

3. Uma tragédia familiar pode ser o estopim para a implosão da família.
A história tem por base a morte trágica de uma garotinha, levando seu pai, mãe e irmãos a um caos que os estava levando à ruína emocional e familiar. Apenas quando passamos a entender a dor do outro (por exemplo, o cônjuge ou um filho), e nos colocamos à disposição para ajudá-lo (e, muitas vezes, perdoá-lo), é que poderemos iniciar o delicado processo de restauração das feridas e cura das enfermidades emocionais.

Estes foram 3 pontos fortes que são abordados no desenrolar da história de ficção "A Cabana", que chamaram minha atenção pela forma coerente (repito, na minha opinião) com que tais temas foram explanados.

Para outros momentos da história, e da forma que alguns "personagens" são caracterizados (quem leu ou assistiu sabe do que estou falando), assim como os enxertos espiritualistas e heréticos que encontramos em diversos pontos da narrativa, fiz o que Paulo orientou: "não os retive"... não são "bons", na minha concepção.

Para aqueles que desejam conhecer melhor esta história que tem feito tanto "barulho" no meio evangélico americano e brasileiro, dou um conselho: 
PRIMEIRO, FIRME-SE NA FÉ E NA DOUTRINA (1Tim. 4:16).

Um crente que conhece as Escrituras e seus ensinos, saberá discernir em um filme, novela, livro, saga, música, horário eleitoral, etc., aquilo que é BOM e aquilo que NÃO SERVE.

A propósito, como está seu momento de meditação na Palavra? Seu estudo da Lição da Escola Sabatina está em dia? E seu ano bíblico? E a leitura do Espírito de Profecia? Tem frequentado o PG? O seu trabalho missionário é uma prioridade?

Quem não se firma, é levado por qualquer "brisa"... Quanto mais o será pelos furacões que estão por vir... 

Pense nisso!





Um comentário:

A.K.Renovatto disse...

Excelente texto! Concordo plenamente com seu ponto de vista. Li o livro "A Cabana" algum tempo atrás (ainda não vi o filme) e minha impressão no começo foi positiva. Achei uma história sensível até certo ponto e talvez por isso tenha impactado muito. Quantas famílias não passam por tragédias assim e ficam tentando achar resposta? São várias famílias! Tragédias acontecem a todo momento ao nosso redor e algumas vezes atingem pessoas próximas e queridas. Hipocrisia tentar dizer que quem passa por tragédias aceita sem questionar, por mais que se tenha fé, se questiona sim. O livro é bom de ler, porém, conhecendo a Bíblia captei certos pontos que considerei "negativos". Na minha opinião pessoal, não gostei muito do modo como a Trindade foi apresentada, embora entenda que o livro quis realmente quebrar certos tabus ao apresentar Deus como uma mulher negra, Jesus como um carpinteiro judeu e uma mulher asiática como sendo Espírito Santo. Quem não é acostumado com a Bíblia pode se encantar facilmente pelo livro, que apresenta um "Papa" que não julga nunca e faz parecer que toda a humanidade já foi redimida. Enfim, a "teologia" do livro na minha opinião pessoal, apresenta sim distorções e heresias. Parabéns pelo tema abordado! Deus o abençoe.

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