Só Acredito Vendo...

Tenho o hábito de acompanhar os noticiários para ver o que está acontecendo no mundo, e que possa encaixar-se nos cumprimentos das profecias.
Como já comentei aqui em outras ocasiões, as notícias que vemos hoje em dia não são nada boas, havendo atualmente um grande número de crimes bárbaros e antes inimagináveis.
Nesta semana o Vaticano está dando um importante passo para os católicos do Brasil, pois foi confirmado o segundo "milagre" daquela que será a primeira "santa" nascida no Brasil - Irmã Dulce. Certamente a peregrinação pelos locais onde ela viveu se intensificará ainda mais a partir de agora, e o comércio de imagens e outros "amuletos" com a primeira santa brasileira será um importante incremento na economia daquela região da Bahia.

Isso me lembra o que aconteceu há alguns anos, quando vi uma reportagem que me chamou a atenção para um fato, que era o aumento do turismo em uma cidade do interior de São Paulo, onde um religioso católico estava sendo canonizado (acho que por volta de 2010) - era o Frei Galvão

Ele ficou famoso através de suas "pílulas milagrosas", que são orações escritas em minúsculos pedacinhos de papel, e depois enrolados e distribuídos com os "fiéis".

O "comércio da fé" em países altamente católicos, como o Brasil, rende alguns milhões de dólares anualmente, e movimenta uma rede de artesãos, empresários, agentes de turismo, motoristas, comerciantes, camelôs, etc., que lucram muito com a venda de "artigos religiosos" e com o "turismo religioso".
A mesma pergunta que fiz na época da canonização de Frei Galvão veio novamente agora com a Irmã Dulce: 
"Por que as pessoas têm uma atração tão grande por objetos que lembram seus santos?

Se não é "adoração de imagens" (como contra-argumentam os que defendem a idolatria), então o que é? 
O que faz uma pessoa sair de sua cidade e viajar centenas de quilômetros apenas para ver uma estátua da Virgem Maria, ou para beijar os pés de uma imagem do Padre Cícero, ou para colocar no pulso uma fitinha do Senhor do Bonfim, ou ainda fazer uma caminhada em Santiago de Compostella... etc?
Lembro de um personagem bíblico que também só acreditou na ressurreição de Jesus após ver COM SEUS PRÓPRIOS OLHOS o fantástico milagre. Ele não conseguia depositar sua confiança apenas nos relatos de outras testemunhas - mesmo que oculares. Enquanto ele mesmo não visse e, além do mais, tocasse nas feridas do Jesus ressurreto, ele não creria. O nome deste discípulo você já sabe: Tomé.
Hoje também existe uma legião de "Tomés" por ai. Estas pessoas têm dificuldade em crer em algo que não possam pegar, ver, cheirar, fotografar, comprar, etc.
Parece que o grande incentivo para esta fé baseada em "relíquias", "imagens" e "lembrancinhas" teve seu início na obscura Idade Média. 

Alguns historiadores dizem que somente com os pedacinhos da cruz de Cristo, que eram vendidos aos milhares pelos romanistas da época, daria para se construir centenas - até milhares - de cruzes. Durante este período também se iniciou o estranho hábito de conservar os corpos dos "santos" para serem expostos à visitação dos peregrinos. Ainda hoje esta prática é muito comum pelo mundo afora (veja exemplo recente).
Algumas igrejas da atualidade também já perceberam que as pessoas gostam de terem sua fé materializada em objetos. Por isso é muito comum vermos este tipo de situação no "marketing" feito por diversos grupos de novos cristãos. 

Por exemplo:
- Campanha do descarrego total
- Reunião dos 318
- Tapete do sal ungido
- Campanha do óleo consagrado nas alturas
- As 7 terças-feiras da oração forte
- Fogueira santa de Israel
- Vigília da Luz Branca
- Culto do Poder Forte (com a consagração do óleo ungido)Nestas ocasiões, os pastores distribuem todo tipo de material para ajudar os fiéis a visualizarem a fé, e assim poderem "tomar posse da bênção" (no jargão muito utilizado hoje em dia). 

São saquinhos com sal, vidrinhos com óleo consagrado, pedrinhas trazidas do Monte Sinai, anéis dourados com o nome de Deus, copos de água sobre a TV ou Rádio... etc... etc... etc.
Vale tudo para criar um "clima" que favoreça a fé... e a doação das oferta$.
Os cultos desses movimentos também são caracterizados por forte apelo emocional e êxtase. Eles costumam dizer que sentem o "fogo" do Espírito percorrer-lhes o corpo, em especial quando há manifestação das "línguas estranhas".
Para estas pessoas, um culto baseado na razão e no Estudo da Bíblia, somente, não tem nenhum valor, pois o culto verdadeiramente "quente" é aquele onde o adorador "sente" a presença de Deus, e manifesta isso através dos gritos, pulos, danças, palmas, choros, etc.
Mas, o que diz a Bíblia?
O conceito clássico de fé, conforme as Escrituras, passa bem longe do que vemos hoje nesta "onda" cristã que procura fazer da fé algo palpável e sólido.

"... a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" - Heb. 11:1.

Com relação às imagens, não é necessário nem mencionar que um dos Mandamentos (Êxodo 20:4-6) da Lei de Deus (escrita com Seu próprio dedo - Êx. 31:18) condena inquestionavelmente qualquer manifestação idolátrica (ou de "veneração", como querem os católicos) no uso de imagens, gravuras, relíquias, esculturas, etc.
A verdadeira fé não precisa ver, sentir, pegar... para ser forte. 
Ela é fundamentada na absoluta confiança que temos nas promessas de Deus, independente de vermos ou não seu cumprimento.
Os contemporâneos de Moisés "viram" muitos milagres, mas nem por isso eles tiveram uma fé inabalável. Também na época de Jesus, muitas maravilhas foram realizadas diante dos olhos dos líderes judaicos, mas isso não foi suficiente para os convencer da Divindade e Messianidade de Jesus de Nazaré.
Portanto, devemos ter muito cuidado com este sentimento natural do ser humano que o leva a crer apenas no que ele pode sentir, ver ou pegar.

"Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram" - João 20:29.

Amém!


Comentários

luiz claudio disse…
Gostei do artigo e gostaria ratificar as informações da idade média sobre o problema da idolatria e só lembrando que os crentes de Éfeso também possuiam esta materialização de adoração com relação a sua deusa efesina, pois ocorria ali também um grande comércio, parece que esta prática já era usada a muito tempo e apenas se firmou na idade média.
Maiores detalhes ver história dos éfesos e egito antigo.
Parabéns pelo artigo
Pr. Luiz Cláudio Rocha (SanRo)