quarta-feira, junho 13, 2018

O brasileiro e o futebol

Nestes dias que antecedem a Copa do Mundo de Futebol, muitos brasileiros se entregam "de corpo e alma" à uma das grandes "paixões nacionais": o FUTEBOL.

Juntamente com a Política e a Religião, este esporte tem o poder de despertar emoções extremas em algumas pessoas, fazendo com que elas estejam dispostas até a matar e/ou morrer para defender o "nome" do seu time do coração.

Recentemente li um texto muito legal do Pr. Fernando Dias (da Casa Publicadora Brasileira), que trata deste assunto.

Espero que gostem... eu gostei!

Política, Futebol e Religião
Temas provocam discussões entre pessoas sempre que substituem a devoção devida a Cristo

“Política, futebol e religião não se discutem. Se quiser seu meu amigo, não me fale de seu partido político, de seu time de futebol nem de sua religião. Cada um que vote em quem quiser, torça para quem quiser e escolha a religião que quiser”.

Certamente essas frases, ou suas variantes, já foram usadas inúmeras vezes para tentar aplacar ou prevenir uma discussão entre dois ou mais dialogantes. Em nosso país, onde a fragmentação política é grande, a paixão futebolesca arrebata e a diversidade religiosa cresce, as pessoas tendem a ficar cada vez mais divididas por esses temas tão pessoais. As preferências são formadas geralmente mais com os sentimentos que com a inteligência. Em consequência da defesa inflamada de um favoritismo pessoal, a violência não é rara quando as divergências estão ladeadas, como em comícios, eleições e jogos. Também as inimizades e discussões muitas vezes brotam quando as pessoas apresentam suas crenças religiosas.

Neste ano ocorrerá o mais repercutido evento esportivo do mundo. Milhões de pessoas em nosso país interromperão suas atividades para, de forma entusiasmada, acompanhar as partidas de futebol da Copa. Poucos meses depois, serão realizadas as eleições gerais no Brasil. Apesar da natureza distinta desses dois eventos, a torcida pelos candidatos não costuma ser muito diferente da torcida pelos times de futebol. Frequentemente os eleitores torcem pelos seus candidatos preferidos com muita paixão, substituindo a racionalidade adequada a uma escolha eleitoral por uma devoção impensada.

Como o cristão, que busca a paz, deve se posicionar diante de divergências que envolvem convicções pessoais? Num passado relativamente recente, os evangélicos brasileiros mantinham-se um tanto alheios e indiferentes à coisa mundana que era considerada a política, e as igrejas reprimiam as paixões esportivas. Mas o crescimento das denominações cristãs coincidiu com as maiores oportunidades de participação política dos diversos setores da sociedade (incluindo as igrejas), e as recreações esportivas deixaram de ser condenadas, a ponto de os novos conversos nem saberem que um dia o futebol foi censurado nos sermões.

Hoje as denominações evangélicas contam com um número de adeptos na casa dos milhões. Esfomeados, os candidatos se dirigem às igrejas buscando eleitores entre os fiéis, reescrevendo com linguagem bíblica suas agendas políticas. E, como as ideologias sociais contém tanto elementos convergentes quanto divergentes à fé cristã, há cristãos que passam a aceitar ou rejeitar determinadas ideologias com um fervor religioso, como se uma doutrina política específica fosse parte de sua doutrina cristã.

Surpreendentemente, existe agora a figura do cristão politizado. Ele confunde valores com conservadorismo ou caridade com progressismo. A ideologia é uma doutrina a mais no seu credo de fé. Assim, a cristandade está sendo dividida não somente pelas diferentes interpretações doutrinárias, mas também pelo sincretismo entre cristianismo e política. Essa situação leva à pergunta: “O ativismo partidário enriquece ou corrompe o cristianismo?”

É indiscutível que a pregação do evangelho resulta em transformação social. Mas a mensagem de Cristo vai além. Seu foco é a redenção espiritual: o ser humano perdido em pecado sendo salvo após o arrependimento por meio da fé em Cristo. Salvo do pecado e da morte eterna. Salvo para uma vida renovada, com pensamentos e atitudes alinhados com a revelação da vontade de Deus encontrada na Bíblia. Mudanças sociais podem ser um caminho para tocar o coração de uma pessoa quanto à necessidade de redenção espiritual, ou são consequências dessa redenção. Não combina com o discurso de Cristo substituir a redenção espiritual pela redenção social.

Nem Jesus nem os primeiros cristãos tiveram como meta mudar as estruturas sociais e políticas de seu tempo. João Batista, por exemplo, esteve mais preocupado com a condição espiritual de seu governante que com suas políticas públicas (Mt 14:3, 4). O apóstolo Paulo orientou os fiéis declarando que a mudança de condição social é questão secundária (1Co 7:20-24), e Cristo recusou Se aproveitar de qualquer posição de liderança política para favorecer Sua missão (Jo 6:15).

Nenhuma ideologia política leva em conta a realidade espiritual, a condição do pecado e o plano da redenção. Respostas mais ou menos satisfatórias para os problemas sociais podem ser dadas, mas a política não apresenta a saída para o mais profundo dilema humano: o pecado, mal que verdadeiramente rouba a dignidade pessoal. Ideais políticos podem traçar caminhos para tirar pessoas da pobreza, da violência, dos vícios, da incultura e da doença, mas são incapazes de oferecer contentamento, paz interior, temperança, conhecimento da verdade e cura para a alma. Podem melhorar o mundo, mas não melhoram as pessoas. Isso só Cristo faz.

Em vista disso, é irrazoável que o cristão aplique ao ativismo partidário o mesmo fervor que deveria devotar à grande Comissão de Cristo (Mt 28:19, 20). Pode, e deve até certo ponto, se interessar pelas questões da sociedade, mas seu interesse e sua atuação sempre serão secundárias e subordinadas à missão maior de apresentar Cristo como única esperança para os problemas humanos. Mesmo que alguém trabalhe na política, nenhuma agenda partidária substitui os valores do Reino de Deus. Davi, acima de ser rei, era um homem segundo o coração de Deus. Daniel, antes de ser um estadista, era um profeta do Altíssimo. José, além de ser o governador de uma nação, era principalmente um homem que sonhava os sonhos de Deus. Ester, adiante das preocupações da corte medo-persa, preocupava-se com o povo de Deus.

Numa sociedade polarizada, o cristão não tem a missão de acentuar as diferenças, mas a tarefa de convidar todas as pessoas a uma convergência em torno do Rei Jesus. Só assim as soluções humanas que dividem serão substituídas pela solução divina que une.

Fonte: Revista Adventista

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veja também:
- O País do Futebol


2 comentários:

A.K.Renovatto disse...

Também creio que Jesus ainda não voltou por misericórdia! O que seria da Igreja de Cristo, sem a misericórdia de Deus?! Esse tema sobre perdão sempre me prende atenção, justamente porque se fala muito sobre isso nas igrejas e fora do meio religioso também. Nunca será demais falar sobre o perdão e levar pessoas à reflexão sobre a necessidade de ouvir, mas acima de tudo, colocar em prática o que aprendeu sobre perdão. Acho muito necessário nas igrejas ter sermões sobre esse tema, pois é um assunto que incomoda muitas pessoas ainda. Assim como ansiamos pelo perdão de Deus, devemos aprender perdoar quem nos ofendeu.

A.K.Renovatto disse...

Um dos melhores textos que já li sobre o assunto, sob a ótica cristã! As pessoas andam intolerantes com as diferenças que permeiam a sociedade, principalmente em pontos delicados que quase sempre geram discussões acaloradas, como na religião, política, futebol entre outros. O cristão deve e pode estar sempre a par de tudo que está acontecendo na sociedade, não deve ser alienado e pode ter senso crítico quando preciso for. Mas sem dúvidas, são interesses secundários, quando na balança com a prioridade que Deus deseja para sua Igreja! O final do texto encerra o texto com "chave de ouro".

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