segunda-feira, agosto 12, 2013

Sermão não muda vidas!

Não sei quantos lembram, mas há alguns anos praticamente todos os noticiários apresentaram a manchete de uma atendente de loja nos Estados Unidos, que evitou um assalto após falar de Jesus para o ladrão (veja aqui).

O ladrão realmente desistiu de assaltar a moça, que disse ser "evangélica". Segundo ele, o motivo do assalto era porque estava para ser despejado, e precisava de US$ 300 para pagar o aluguel.

Algumas horas depois o ladrão foi preso, após tentar assaltar outra loja.

Sermão resolve?

Lembro que na época eu ouvi pessoas dizendo: "Tá vendo? Ladrão é assim mesmo!" ou "Não aproveitou a oportunidade de salvação, e acabou sendo preso".

Mas eu gosto de pensar "nos dois lados". Tenho adquirido o hábito de tentar me colocar no lugar "do outro", para entendê-lo.

Aquele rapaz não estava precisando de um sermão, mas sim de US$ 300. É claro que isso não justifica seu erro, mas será que a jovem não poderia ter feito "algo mais"? Ela não poderia ter "andado a segunda milha"? Quem sabe ter ligado para algum empresário membro de sua igreja, para emprestar o dinheiro ou um emprego ao rapaz... ou ter feito uma consulta às Dorcas ou ADRA de sua igreja local... Será que o papel dela era apenas o de "pregar"? "Falar" de Jesus? O ladrão saiu com a consciência pesada por quase ter feito algo de errado, mas será que ao virar a esquina não deu de cara com o proprietário da sua casa, perguntando: "e ai, já arranjou o dinheiro? Lembre-se que você só tem até hoje..."?

Recordo-me que Jesus não Se limitava a "pregar"... Ele também Se preocupava em satisfazer as necessidades dos Seus ouvintes. Lembra da primeira multiplicação dos pães? Os discípulos (nós!) achavam que a pregação por si já estava de bom tamanho, mas qual foi a atitude de Jesus?

"Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer" (Mateus 14:15-16).

Viram como nós, os discípulos, somos muito insensíveis às necessidades dos nossos "irmãos"?! A gente tem uma forte tendência a achar que nossa parte é pregar, falar de Jesus. Quem não quiser aceitar, que se vire! Já fiz minha parte! Estou livre do "sangue" deste!!!

Mas cada vez que tiro tempo para refletir sobre a maneira de Jesus agir, eu fico mais convicto do quanto os Seus discípulos do passado e os de hoje O compreendem mal. Atualmente estou relendo o "Parábolas de Jesus"... que coisa linda era a maneira dEle de tratar e ensinar as pessoas.

Na mente dos que ouviram as palavras de Jesus naquela multiplicação miraculosa, uma profunda impressão deve ter ficado. Anos depois, Tiago escreveu sua epístola e fez questão de "detalhar" aquilo que Jesus lhes havia ensinado:

"Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?" (Tiago 2:15-16).

Fico imaginando como seria o nosso mundo se os bilhões que professamos o Cristianismo "fizéssemos" nossa parte!

Ainda haveriam crianças nos orfanatos?
Existiriam famintos nas cidades?
Teríamos irmãos morando de aluguel, enquanto nós gastamos no luxo para ornamentar as nossas moradias?
Haveria falta de sangue nos hospitais (ou será que nossa "obrigação" se resume às fantásticas manifestações em eventos jovens durante a Semana do Calvário)?
Os políticos que se auto-intitulam de cristãos (e até de Adventistas!) seriam vistos nos noticiários policiais envolvidos em corrupção?
Seríamos tão frios e insensíveis diante de tanto sofrimento e miséria que devasta a vida de milhões de pessoas que cruzam nosso caminho todos os dias?

Deixa eu parar por aqui... senão vai ficar parecendo que o Cristianismo verdadeiro é uma utopia.

E eu ainda acredito que não é.... Ele é real! Só precisa de menos sermão e mais ação!

Aliás, atualmente estou evitando convites para "pregar", pois começo a perceber que estamos "empanzinados", como se diz aqui no Nordeste, de tanto "pão espiritual"... Já chegou a hora de começarmos a repartir com outros as bênçãos que Deus nos concede, bondosa e misericordiosamente.

4 comentários:

Gleidson Galindo disse...

O sr tem toda a razão! Se cada cristão resolver assumir sua verdadeira posição o mundo seria totalmente diferente, e até seríamos enxergados com outros olhos. O problema é que nós seres humanos temos uma hipocrisia natural, que carregamos em nossa genética.

Fernanda Araújo dos Santos. - Fernanda@hotmail.fi disse...

Concordo. Preciso desenvolver essa parte em mim também, desenvolver o lado da caridade, pois está muito fraco. A maioria das pessoas me pedem dinheiro, não me pedem alimento e quando pedem alimento, estamos longe de algum lugar para comprar esse alimento. Vou ficar vigilante, estou pedindo a Deus que quando me pedirem alimento eu esteja próxima de algum lugar para comprar o alimento.

Penso em fazer isso:
A pessoa diz "Me dá dinheiro."
Eu disfarço compro o alimento e digo "Meu dinheiro só deu para comprar um alimento. Toma o alimento, pois é seu."

Amei essa parte, é bom que aqui eu estou aprendendo a Bíblia: "Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?" (Tiago 2:15-16).

Débora Avelar disse...

É verdade!! Li esse versículo no livro de Tiago à algumas semanas atrás, e agora vendo o seu post de maneira mais profunda, nos leva a refletir sobre as nossas atitudes diárias. Infelizmente temos uma fraqueza, um egoísmo, que nos leva a achar que somente falando de Jesus, estamos fazendo a nossa parte (com o intuito de conseguirmos salvação somente pelas obras).
Devemos buscar sempre em oração ao Pai, colocar em nosso coração o amor ao próximo, não somente à nos mesmos, assim tirar a tendência do egoísmo e sermos iguais a Cristo em Seu caráter e essência. E se eu fosse o sr. não deixaria de pregar, não... Ao ler esse post, na minha opinião, em forma de pregação, seria uma excelente oportunidade, em dar uma "sacudida" no nosso coração, que infelizmente adormecido e endurecido pelas nossas transgressões, a refletirmos e mudarmos nossa postura perante a vida e às pessoas ao nosso redor. Adorei seu post! Fique com Deus!!

Gilson Medeiros disse...

Cara Débora, obrigado pelo comentário.

Um abraço.
Gilson.

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