sexta-feira, outubro 02, 2015

O que é o "Outubro Rosa"?

Com o objetivo de reforçar nas mulheres a importância de fazer uma rotina anual de prevenção do câncer de mama, surgiu nos Estados Unidos a campanha “Outubro Rosa”. Segundo o mastologista Bruno Leonardo de Souza, com o passar dos anos, esta iniciativa ganhou proporção mundial de uma forma bonita, elegante e, principalmente, feminina, motivando e unindo diversos povos em torno de uma causa tão nobre.

A história do “Outubro Rosa” remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente. É a própria instituição quem diz: o nome tão significativo remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Desta forma, a iniciativa passa a ser comemorada em todo o mundo.

A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes e teatros surgiu mais tarde, e não há uma informação oficial de como, quando e onde foi efetuada a primeira iluminação. O Brasil começou a participar do movimento “Outubro Rosa” em 2010, em uma iniciativa do INCA e da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – FEMAMA. O importante é que foi uma forma eficaz para que o “Outubro Rosa” tivesse uma disseminação cada vez mais forte para a população e que, principalmente, pudesse ser repetida em qualquer lugar, bastando apenas se adequar a iluminação já existente, segundo a FEMAMA.

De acordo com a Associação Brasileira dos Portadores de Câncer, a primeira iniciativa vista no Brasil em relação ao “Outubro Rosa” foi a iluminação do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera). Essa iniciativa partiu de um grupo de mulheres simpatizantes com a causa do câncer de mama, que com o apoio de uma conceituada empresa europeia de cosméticos iluminaram de rosa o Obelisco do Ibirapuera.

Segundo Bruno Leonardo de Souza, a campanha é conhecida internacionalmente, e nos últimos anos vem ganhando destaque no Brasil, mas precisa de uma participação maior do governo. “Acredito que é uma boa iniciativa, pois tudo que estimula a prevenção de doenças é válido, no entanto acredito que a eficácia do movimento depende de um envolvimento maior das autoridades públicas, tímido atualmente”, comenta o especialista. Como acontece há alguns anos, Brasília também participa da campanha, iluminando monumentos como a Catedral, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Palácio do Buriti.

Detecção Precoce

No Brasil, o câncer de mama é o mais comum e o segundo que mais mata, de acordo com levantamentos do Instituto Nacional de Câncer – INCA.

A detecção precoce do tumor é a principal ferramenta para o tratamento e cura da doença. De acordo com o mastologista Bruno Leonardo, o índice de mortalidade, quando detectado precocemente, varia de 0 a 5%. Por isso, a prevenção e o diagnóstico correto podem fazer uma grande diferença. “O exame clínico feito pelo mastologista e os exames periódicos de ecografia, mamografia e ressonância magnética, são grandes aliados para a detecção, principalmente se estiver nas fases iniciais”, comenta o mastologista. Com isso, as mulheres hoje contam com outra ajuda – o uso dos novos recursos de imagem de alta definição.       

Segundo o médico nuclear Renato Barra, esses aparelhos vieram com um objetivo: diagnosticar precocemente a doença. Ele explica que os equipamentos possuem tecnologia de ponta e facilitam a detecção. A Cintilografia Mamária de Alta Resolução é um aparelho recente e Brasília foi a primeira cidade no mundo a implantar esse método. A imagem de alta definição e com menos compressão da mama traz mais conforto para as mulheres, principalmente para quem tem a mama mais densa. Outro equipamento capaz de detectar o câncer é a Mamografia Digital com Contraste, que foi o primeiro método instalado nas Américas, e propõe a redução do índice de mortalidade.

Tratamento personalizado

O desenvolvimento de novos tratamentos para câncer, de forma geral, tem sido baseado no conceito de que a constituição genética de cada tumor é particular e que determina o comportamento biológico da doença. Dessa forma, o princípio do tratamento personalizado está em identificar anormalidades específicas e características de cada tumor que sejam fundamentais para seu crescimento e desenvolvimento e, a partir dessas informações, administrar tratamentos específicos diretamente a estas anormalidades. É o que afirma o médico oncologista e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas de Porto Alegre – RS, doutor Carlos Henrique Barrios.

Barrios afirma que a principal diferença do tratamento personalizado, para os demais já existentes, é que ele é centralizado no combate específico do tumor, diminuindo as chances de atingir as células saudáveis. “O tratamento quimioterápico tradicional não tem essa especificidade e funciona destruindo um maior número de alvos e, consequentemente, as células que desenvolvem um papel importante no padrão de toxicidade”.

No Brasil, o tratamento personalizado já vem sendo utilizado há algum tempo, porém, seu acesso é limitado a uma pequena parcela da população em função dos altos custos dos medicamentos. “Isto faz com que o sistema público de saúde no Brasil não ofereça a maior parte dos novos tratamentos devido ao seu alto custo”, revela o médico. O oncologista afirma que existem outras dificuldades além dessas, como os entraves burocráticos na definição de coberturas por parte dos seguros de saúde. “Muitos destes tratamentos que se administram por via oral, não são cobertos pelos planos de saúde com base na interpretação da legislação existente, que exime os planos de pagar tratamentos com comprimidos”, esclarece Barrios.

Ele alerta que a mortalidade por câncer de mama continua aumentando em várias regiões do Brasil, mesmo com o desenvolvimento de novas alternativas para o tratamento da doença. Sendo assim, Barrios frisa a importância de um esforço conjunto de gestores públicos, sociedade organizada, sociedades médicas e de todos os interessados no problema, para que sejam definidas estratégias claras que venham a mudar esta triste realidade nos próximos anos.

Mama Mia

Problemas? Todos nós temos. Mas, quando se trata de câncer, é como se isso nunca pudesse acontecer com você, apenas com os outros. E é com esse pensamento que nós convivemos e não acreditamos que podemos ser os próximos. Mas, e se fosse você? Que tal compartilhar com seus amigos, familiares e até mesmo pessoas desconhecidas, tudo que está passando em sua vida naquele momento, dividindo seus sentimentos e conquistas por meio de blogs, sites e redes sociais? Foi o que fez Margareth Vicente, uma jornalista de 53 anos. Depois que descobriu que estava com câncer de mama, ela decidiu criar um arquivo pessoal onde detalhava tudo que estava acontecendo nessa fase delicada de sua vida. 

Toda a trajetória começou em novembro de 2010 e para a maioria dos seus amigos e outros familiares, a notícia que ela estava com câncer foi dada através de um blog chamado “Mama Mia - Um câncer invadiu minha mama”. A jornalista esperou a hora certa para fazer sua primeira publicação. Depois das 33 sessões de radioterapia e quatro de quimioterapia, Meg, apelido carinhoso por qual gosta de ser chamada, passou ainda por uma quadrantectomia (retirada parcial da mama). A partir daí, Meg decidiu abrir seu diário, que se tornou virtual. “O objetivo é passar para as mulheres a reação positiva que tive com o câncer e também mostrar as minhas experiências”, relata a jornalista. 

Meg até hoje faz publicações no seu blog e não conta apenas sua história. Ela o mantém sempre atualizado com diversos assuntos para as mulheres e ainda tem o apoio de outras blogueiras que fazem parte desse ciclo de informações sobre o câncer na rede social. 
A jornalista sempre levou a situação com bom humor, basta acessar seu blog para conferir como ela é exuberante e criativa em todos seus posts. “Chorei poucas vezes, fiquei com medo de morrer, mas não morri”, diz Meg. Ela ressalta ainda, que para ter câncer de mama, tem que ser muito mulher.

Fonte: ASCOM/DNIT


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