terça-feira, novembro 17, 2015

Deus te quer de volta

Durante muito tempo, a imagem de Deus que vinha à minha mente era de um Ser sério, vingativo e implacável.

Doutrinas deturpadas, como a do inferno, por exemplo, contribuíram para criar gerações inteiras de pessoas que não possuem uma imagem de Deus como um Pai de amor, misericórdia, bondade... e perdão. Imaginar Deus sorrindo, então, nem pensar!

Mas o contato com as Escrituras me revelou uma Divindade formada por 3 Pessoas maravilhosas, que Se alegram quando estou alegre e Se entristecem quando estou triste.

"E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida" (Lucas 15:6).

Alegrai-vos comigo...
 

Que imagem linda Jesus transmitiu através desta parábola! Deus Se alegra! Ele fica feliz quando resgata uma de Suas ovelhinhas desgarradas.

A parábola, em si, já é uma profunda demonstração de amor divino pelo pecador. O pastor poderia muito bem, usando o raciocínio capitalista já em voga naquela época, ficar com as 99 ovelhas que estavam a salvo, e deixar a 100ª para lá. Seria o "fundo perdido" do seu empreendimento comercial.

Mas para Deus, eu e você somos únicos, especiais, exclusivos (cf. 1Ped. 2:9). Ele não Se contentaria com as 99, sabendo que ainda havia 1 que podia e necessitava ser salva.

Depois de enfrentar o frio da noite e os terríveis perigos do deserto, o pastor encontra sua querida ovelha. Ela estava salva em seus braços! Só restava agora voltar para casa, para o aprisco, para junto das outras ovelhas.

O pastor estava cansado, zangado, magoado? Não!
 

Ele estava alegre, pois encontrou e resgatou aquela que rebeldemente havia se desviado do rebanho.

A história que vem na sequência, das dracmas, também mostra a alegria do encontro (cf. Lucas 15:9). Mas é sobre o relato seguinte que eu gosto de me demorar...

"O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se" (Lucas 15:22-24).
Regozijemo-nos...
 

Diante de líderes religiosos tão frios e formais (iguais a muitos que existem em nossas igrejas ainda hoje!), Jesus descreve uma imagem da Divindade que aquelas pessoas jamais sonharam em ver: um Deus que espera o pecador, o recebe de volta e ainda Se alegra! Ainda escreverei um livro sobre a impressão que tenho desse Pai...

Diferente das parábolas anteriores naquele capítulo, agora o personagem "perdido" é um ser humano... um jovem... um rebelde... igualzinho a todos nós. Ele foi embora porque quis, mesmo sabendo que deixaria o pai profundamente triste.

Junto aos porcos, vivendo na "porcaria" que esta vida oferece aos que se rebelam contra Deus, o jovem resolve voltar para sua antiga morada. Ele não tem coragem de solicitar o "status" de filho, pois sabe que pecou muito. Ser um servo já estaria de bom tamanho (cf. v. 19). E assim ele sai pelo caminho de volta, ensaiando as palavras humilhantes e derrotadas: "trata-me como teu escravo".

Mas o coração do pai tinha outro desejo. Para o pai, um filho jamais poderá ser um escravo. Um filho é um filho! 


Quando o jovem inicia seu discurso derrotista, o pai interrompe e não o deixa prosseguir (cf. vv. 21-22). Que Jesus sábio! Ele soube dar à história a dimensão que ela merecia.

Fico imaginando as pessoas, os líderes, os escravos, os servos, os adúlteros, os mendigos, os doutores, os mestres... todos ouvindo Jesus relatar o quanto Deus deseja resgatar Seus filhos que se desviaram. Ele não está com um chicote à espera; não está com as costas viradas para o caminho; não Se coloca em um pedestal inacessível; não! Deus espera... corre... abraça... e beija. E o cheiro dos porcos? Não importa! Por debaixo daquela sujeira e fedentina estava seu filho... seu filho.

A festa começa! O pai mal consegue conter sua euforia... seu filho retornou... vivo! E isto é o que importa.

Um  novo personagem: o irmão mais velho


Infelizmente, muitas vezes agimos como esse irmão. Enquanto todos estão se alegrando com o retorno de um pecador derrotado, mas arrependido, nós ficamos de fora, sem querer entrar. Cometemos os mesmos erros, os mesmos pecados, a mesma rebeldia... mas vestimos a capa de "santarrões", e não aceitamos que outros usufruam dos "direitos" que achamos que apenas nós merecemos. As igrejas estão "empestadas" desses "irmãos", que por fora são santos e consagrados, mas o coração esconde uma podridão de inveja, ciúme, mágoa, rancor e outras nojeiras mais...

"Oh, Senhor, Pai querido... obrigado porque o Senhor me recebeu de volta quando retornei para Seus braços. Obrigado porque o Senhor ainda me recebe, todas as vezes que, constantemente, Te entristeço e renego Teu amor... Oh, querido Pai, este mundo não tem nada de bom para me oferecer, apenas porcarias, mas em Teus braços, em Tua casa, encontro conforto, paz, perdão e aceitação. Obrigado por olhar para mim como filho, enquanto meus próprios irmãos, às vezes, querem me ver como escravo! Obrigado porque o Senhor me estende Sua mão de cura e libertação, e me tira do lodo, da podridão, da lama... e ainda me beija e abraça! Oh, Senhor meu e Deus meu... obrigado!".
Caro amigo, prezada amiga... Deus já Se alegrou com teu retorno?
 

Não deixe que a religião fria e sem vida tire de você a alegria de olhar para cima e ver seu Pai a esperar, com os olhos fixos no caminho, aguardando que você inicie o retorno para que Ele corra em sua direção.

Ele está lá... e continuará lá... te aguardando.

"Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" (Lucas 15:7).
Aleluia!!!!

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