sexta-feira, setembro 30, 2016

O Dom de Línguas na Bíblia

Atendendo ao pedido de um amigo, estou colocando hoje um resumo sobre o estudo referente ao DOM DE LÍNGUAS.

Uma análise mais aprofundada sobre a "evidência" do batismo com o Espírito Santo deixa claro que não há UM SINAL específico, único, que simbolize tal batismo: o grande e verdadeiro SINAL é a vida transformada (cf. Gál. 5:22-23).

Relatos de recebimento do Espírito Santo, sem a menção de que falaram em línguas

Há 9 passagens no livro de Atos que tratam sobre pessoas “cheias” do Espírito Santo, mas nenhuma delas fala do dom de línguas:
4:8 - Pedro perante o Sinédrio
4:31 - Igreja em oração pela libertação de Pedro
6:3 - Escolha dos diáconos
6:5 - Descrição de Estêvão
7:55 - Estêvão perante os líderes judaicos
9:17 - Imposição de mãos sobre Paulo
11:24- Descrição de Barnabé
13.9 - Paulo perante Elimas
13:52- Relato sobre os discípulos
 


O sinal do batismo no Espírito Santo

No Novo Testamento, a evidência do recebimento do Espírito não reside no fenômeno exterior, passível de enganosa imitação, mas na conversão do homem a Jesus Cristo, com seus respectivos frutos (Gál. 5:22-26).

Quando ocorreu o dom de línguas no NT ele era como um sinal dentre outros. Este dom não veio como consequência de uma busca determinada, mas como surpresa (Atos 10:45). O dom não era esperado, exigido nem procurado, como fazem os pentecostais hoje.

Nosso máximo exemplo – Jesus – em nenhum momento do Seu ministério falou em “línguas estranhas” para provar que era cheio do Espírito.

O verdadeiro “sinal” da plenitude do Espírito na vida do crente é:
Atos 2:42-47; 4:32-37 - Desprendimento, amor, comunhão, zelo pela obra do Senhor.
Romanos 5:5-6 - Amor a Deus e a Seus filhos
1João 5:2-3 - Obediência

 

O DOM DE LÍNGUAS E SUA NATUREZA NA BÍBLIA

ATOS 2
O Espírito Santo foi derramado no Pentecostes, e não antes, porque o ministério do Espírito não havia ainda sido iniciado (João 7:39; Atos 2:33). O ministério do Espírito só iniciou após a glorificação de Jesus como Vencedor sobre a morte.

Pedro estava naquela ocasião em um momento especial para a disseminação do Evangelho. Estavam em Jerusalém milhares de judeus vindos de diversas partes do mundo (v. 5), e aquela seria a ocasião propicia para falar de Jesus para eles. Mas como isso ocorreria, uma vez que eles falavam diferentes idiomas (vv. 6-11)?

Deus, então, dotou o apóstolo da capacidade sobrenatural de pregar o evangelho de uma maneira que todos os diferentes grupos linguísticos compreendessem e pudessem aceitar a mensagem. E foi o que aconteceu.

Pedro pregou e cada pessoa ali presente o ouviu falar em sua própria língua, ou seja, o dom concedido em Atos 2 não foi uma “língua estranha” ou “língua dos anjos”, incompreensível. Mas foi, sim, a capacidade de falar no idioma da pessoa que estava necessitando da mensagem de salvação. E qual foi o resultado? Veja no verso 41.

ATOS 10
Deus já havia concedido a Pedro uma revelação sobre o preconceito religioso que ainda estava presente no coração dos judeus, inclusive dele próprio (Atos 10:9-16, 28).

Após receber a visita de pessoas enviadas por Cornélio, Pedro vai ter com ele, porém leva “alguns irmãos”, para servirem de testemunha da conversão do militar gentio (v. 23).
Ao chegarem lá, Pedro compreende o significado da visão sobre o lençol, pois ele percebeu que a mensagem do evangelho deveria alcançar todas as pessoas, de todas as nações, independentemente de raças (vv. 28 e 34).

Após Pedro pregar sobre Jesus e confirmar a conversão do centurião, o Espírito desce sobre os que ouviam o apóstolo, deixando os discípulos judeus “admirados” (v. 44-45), pois viam Cornélio e outros falando em línguas, “engrandecendo a Deus” (v. 46). Imediatamente eles reconheceram que ali estavam pessoas fieis a Deus, e concluíram a festa com o batismo de Cornélio nas águas.

O dom de línguas aqui serviu para quebrar o preconceito que os judeus tinham sobre a aceitação de gentios no Reino de Deus. Tanto é assim, que a Igreja da Judeia ficou querendo mais informações sobre o ocorrido (Atos 11:1-18), e Pedro teve a oportunidade de testemunhar do que ele havia visto com seus próprios olhos.

Como militar romano, Cornélio também poderia usar o dom de falar em outros idiomas para difundir a mensagem do evangelho em suas viagens pelo Império.



Para mais detalhes sobre o significado do lençol em Atos 10, clique aqui.

ATOS 19
Paulo faz um breve questionamento aos discípulos que encontrou em Éfeso, e percebe que eles receberam um batismo “pobre”, pois não possuíam nenhum conhecimento sobre o Espírito Santo (Atos 19:1-3).

Paulo os orienta, acrescentando o ensino verdadeiro sobre a salvação em Jesus Cristo, e eles recebem o batismo no Espírito Santo, com a manifestação do dom de falar em línguas (v. 6).

Assim como no caso de Cornélio, o dom serviu para ajudar aqueles discípulos a pregarem o Evangelho naquela cidade, conhecida pela importância do seu porto, e pela grande passagem de pessoas de todas as regiões, e de outras nações também.

“Foram então batizados em nome de Jesus; e impondo-lhes Paulo as mãos, receberam também o batismo no Espírito Santo que os capacitou a falar as línguas de outras nações, e a profetizarem”. - Atos dos Apóstolos, p. 283.

1 CORÍNTIOS 14
Em Coríntios, a língua não era “estranha”, mas um dom legítimo que precisava ser orientado.

O que é um dom espiritual? - Capacitação natural, dada por Deus aos salvos, para um objetivo útil da Igreja.
O que é um talento? - Capacitação natural, recebida por herança ou adquirida por treinamento, podendo ser usado dentro ou fora da Igreja.

Os dons SEMPRE são concedidos pelo Espírito com um fim “proveitoso” para a Igreja (1Co 12:7; 1Co 14:12, 19). Portanto, o objetivo principal da concessão do dom é EDIFICAR, INSTRUIR e ORIENTAR a Igreja de Deus (Efésios 4:11-13).

No caso do dom de línguas, a condição para que ele seja útil é que possa ser COMPREENDIDO (1Co 14:6-11). Para a evangelização e edificação é necessário que os “sons” sejam compreensíveis. Isso deixa totalmente de fora as "línguas estranhas" que vemos nos movimentos pentecostais e carismáticos da atualidade.

Como é dito que, embora o que fala em línguas não seja entendido por ninguém, mas é dito que o que fala em outra língua se edifica a si mesmo, e que só pode haver edificação se houver entendimento, conclui-se que o que fala em línguas, fala uma língua estrangeira, porque os que falam as “línguas estranhas” atuais dizem sempre que não sabem o que estão falando. Já que o que fala se edifica (1Co 14:1-4), e portanto entende o que fala, então ele certamente fala em um idioma estrangeiro.

O que ocorre em 1Co 14 é o mesmo dom de Atos 2. O que estava havendo de errado era a desordem com que acontecia o dom, e a irreverência que isto causava ao culto. Por isso Paulo orienta a organização do dom (vv. 26-33, 39-40).

Os pentecostais dizem que o dom de línguas é uma “prova” perante a igreja de que determinado irmão foi “batizado” com o Espírito Santo. Neste caso, o dom seria um sinal para os crentes, o que está totalmente em desarmonia com o que Paulo afirma no verso 22.

Paulo também estava interessado em desvincular o culto cristão com o culto à deusa Cibele, que era realizado em Corinto, e que era caracterizado por grandes demonstrações de êxtase e transes.

Alguns dizem que o dom de línguas visto hoje no meio pentecostal é algo "divino", uma "língua de anjos", e por isso ninguém entende. Mas, pergunto: em qual momento da Bíblia os anjos se apresentaram com estas "línguas estranhas"? Em nenhum! Sempre que eles entraram em contato com o ser humano, falaram a língua do ser humano... Ou seja, esse negócio de "língua dos anjos" foi outro argumento furado que criaram para justificar os sons eufóricos e até neuróticos vistos em muitas manifestações atuais.

ESTUDO DO TERMO GREGO USADO PARA “LÍNGUAS”

O estudo de uma palavra no seu original bíblico pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas.
 

A palavra grega utilizada para “línguas” é GLOSSA (de onde vem glossário, glossolalia, etc.). Em inúmeras passagens do Novo Testamento, esta palavra (ou suas variações) SEMPRE está vinculada ao idioma falado pelas pessoas e nações.

Vejamos alguns dos versículos onde esta palavra ocorre:


Lucas 1:64; Atos 10:46; 1Ped. 3:10; Atos 2:26; Atos 19:6; Apoc. 13:7;
Rom. 14:11; Rom. 3:13; Apoc. 14:6; 16:10; Filip. 2:11; 1Cor. 12:10, 28, 30; 1Jo 3:18; Tiago 3:5-6; 1Cor. 13:1; Marcos 7:33, 35; Atos 2:3-4; 1Cor. 14:5-6; 1Cor. 14:9; 1Cor. 13:8; 14:18, 23, 39; Apoc. 5:9; 1Cor. 14:22; Apoc. 10:11; Apoc. 7:9; 11:9; Apoc. 17:15; Lucas 16:24; Atos 2:4, 11; Marcos 16:17; 1Cor. 14:2, 4, 13-14, 19, 26-27; Tiago 1:26; 3:8.
 

Observe, especialmente, os que estão em destaque.

Não restam dúvidas, CONFORME O TEXTO BÍBLICO, de que o dom de línguas é uma manifestação sobrenatural para o crente falar em OUTRO IDIOMA ESTRANGEIRO, diferente do seu, para o qual ele não teve qualquer treinamento, com o ÚNICO objetivo de fazer avançar a pregação do evangelho, levando a Igreja de Deus a ser edificada e reconhecida.

Portanto, o dom bíblico não tem NADA parecido com as manifestações emocionais e confusas que são observadas nas Igrejas Pentecostais de nossos dias.

Então, de onde vêm as "línguas" faladas no meio pentecostal e carismático?


Para quem deseja se aprofundar no assunto, sugiro a leitura do excelente livro do prof. Vanderlei Dorneles, Cristãos em busca do êxtase, publicado pela editora do UNASP.

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Os Adventistas creem na existência de TODOS os dons espirituais mencionados nas Escrituras, inclusive no de falar em novas línguas, e creem que o Espírito Santo nos dotará deles, na medida em que sua necessidade seja manifesta, e conforme a soberana vontade de Deus.

Veja também:
- Contraste entre o Pentecostalismo e os Pais da Igreja (Revista Kerigma - UNASP)
- O Dom de Línguas em Corinto (Revista Kerigma - UNASP)



2 comentários:

Anônimo disse...



Não sei se meu comentário será publicado, mas de qualquer forma deixarei minha participação. Respeito aos cristão tradicionais e pentecostais, há diferenças na adoração? Há. Mas sei que Deus enxerga o interior enquanto o homem julga o exterior. Infelizmente, por causa de umas igrejas neopentecostais da mídia, as pessoas generalizam achando que todas as igrejas pentecostais são iguais, com gritarias, gente rodopiando e caindo e não é verdade. Já fui em igrejas tradicionais (que não creem no batismo com o Espírito Santo como os pentecostais creem), mas já fui em igrejas pentecostais também e a conclusão que cheguei é que em todas as igrejas têm problemas e falhas, porque simplesmente homens são falhos. Mas nessas igrejas encontrei pessoas honestas e tementes a Deus e vi que a intenção de todos é adorar a Deus. As pessoas podem crer e ter a sua religião, mas acho triste quando vejo pessoas rotulando outras igrejas, falando de seus cultos e forma de adorar como "confusas e neuróticas". Cada grupo religioso se fecha no seu círculo achando que os outros de fora não estão à altura e rotulando os cultos diferentes.

Isso sinceramente me entristece, vejo que não há unidade e compreensão. Em Atos 2 fala que falaram linguas estrangeiras, outros idiomas. Mas não interpreto que isso exclui alguém de falar línguas estranhas como os pentecostais. Claro que há exageros nas neopentecostais e por isso as pentecostais sérias levam a fama junto. Mas cultos pentescostais podem ser ordeiros, bons, e em todos os cultos que fui, as pessoas estavam sentadas, não havia berros e rodopios, muito menos pessoas caindo. Há também exagero no que os outros grupos contam sobre pentecostais, porque claro que existem igrejas ruins pentecostais, como existem igrejas péssimas tradicionais e históricas, a questão é não generalizar. Igrejas históricas protestantes por acaso são todas iguais? Assim como devem estar pensando que não, digo que as pentecostais também não são todas iguais. Podem falar no que creem e o que questiono nem é isso, não querem crer no batismo como creem os pentecostais, tudo ok. O que acho chato é as pessoas rotularem cultos de outras pessoas como "neuróticos". Vejo que no meio cristão, ficam grupinhos rotulando outros grupos distintos, sendo que é possível demonstrar o que pensam sem chamar pessoas de neuróticas, confusas e eufóricas por serem e crerem diferente.

Deus tem filhos diversos e seus filhos são diferentes. Um pai ama os filhos mesmo um sendo mais tímido e o outro sendo mais efusivo não é mesmo? Deus enxerga o coração, coisa que nenhum homem vê. Uma pessoa que recebe o Espírito Santo é edificado e pode ser como em Atos 2 falando outros idiomas (árabe, espanhol etc) e pode em línguas estranhas ser edificado, orando em espírito e recebendo paz e conforto, intimidade maior com Deus. Tudo tem que ser equilibrado e também o fato de pessoas em Atos 2 dizerem que os irmãos estavam embriagados, dá uma certa noção de que eles não estavam sentadinhos e extáticos. Deviam estar exteriorizando o que sentiam. Ninguém diria que estariam embriagados se todos estivessem sentados, em silêncio ou falando um por vez noutro idioma. O que dá a entender é que exteriorizavam o que sentiam e isso fez com que aparentassem embriaguez. Não quero ser polêmica e nem discutir interpretação bíblica, apenas comentar. E quero deixar claro que eu entendo que ordem e decência cabem em cultos tradicionais e pentecostais também, não se devem rotular de neuróticos os pentecostais por verem uns cultos neopentecostais na internet por aí escandalizando, as igrejas têm diferenças, mas sei que há filhos de Deus nelas e para quê magoar pessoas só por serem de outras igrejas? Porque pentecostais tem que criticar os tradicionais e os tradicionais tem que criticar os pentecostais? Isso só magoa e causa divisão, dá para falar do que pensa usando apenas a Bíblia sem rotular grupos.

A.K.Renovatto disse...

Muito bom o estudo e oportuno. Deus continue abençoando seu ministério de evangelismo e conceda sempre saúde, disposição de estar levando a Palavra a quem precisa ouvir. Seu blog tem me ajudado nos momentos difíceis.

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