Sexta-feira, Julho 29, 2011
Quinta-feira, Julho 28, 2011
Movimentos Dissidentes na IASD
Como alguns leitores do Blog solicitaram informações sobre os Movimentos Dissidentes na IASD, estou atualizando uma postagem colocada há alguns meses.Já que são muitos (nos EUA, por exemplo, existe até uma igreja de Gays, Lésbicas e Simpatizantes, que se consideram Adventistas), eu me limitarei apenas àqueles que foram mais citados nos pedidos dos leitores. Em sites como GOOGLE e WIKIPÉDIA, entre outros, podem ser encontradas informações complementares sobre estes movimentos.
Não vou descrever TODAS as crenças que eles apresentam, mas apenas aquelas que são mais caracteristicamente diferentes das crenças dos Adventistas do 7º Dia.
Igreja Adventista da Completa Reforma
- Proibição de cortar/raspar a barba;
- Celebração de festas anuais judaicas do AT;
- Orar com as mãos levantadas e somente de joelhos.
IASD Movimento de Reforma
*** Como existem muitos outros movimentos dissidentes dentro da própria "Reforma", citarei alguns pontos divergentes mais comuns:
- Abstenção total da carne como requisito para a comunhão;
- Rigidez legalista nos padrões de vestuário;
- Não tomam banhos mistos – homens e mulheres (em praia, por exemplo);
- A santa-ceia é praticada em cálice único;
- Praticam o ósculo (beijo) santo;
- Somente a morte do cônjuge dá o direito ao outro de se casar novamente;
- A Reforma é o "anjo" de Apocalipse 18;
- Algumas congregações utilizam o “gazofilácio” (espécie de baú) para recolhimento das ofertas;
Igreja Adventista da Promessa
- Crê no batismo do Espírito Santo, no estilo das igrejas pentecostais, inclusive com as "línguas estranhas".
Igreja Cristã Bíblica Adventista
- Os líderes não recebem remuneração;
- A congregação local tem autonomia administrativa;
- Não formalizam uma lista de “crenças” ou “credo”;
- As doações financeiras são anônimas.
Ministério Adventista Bereano
- O verdadeiro nome de Jesus é YESHUA ou YEHOSUA;
- Se consideram parte do “verdadeiro” Movimento Adventista.
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A grande maioria das pessoas que fazem parte destes movimentos dissidentes é formada por ex-Adventistas, que se desiludiram com alguma coisa, seja do ponto de vista doutrinário ou administrativo. São, na maioria, pessoas sinceras, que desejam viver uma fé mais próxima dos ditames de sua consciência.
Sei que existem situações em nossa Igreja que não deveriam existir, e aqui no Blog eu já mencionei algumas delas. Mas o estudo dos escritos inspirados me deixa claro que não é SAINDO da Igreja que eu vou promover uma reforma autêntica em minha vida.
A Igreja Adventista do 7º Dia, por mais falhas que possam existir em seu povo, continuará sendo a Igreja Remanescente da profecia bíblica, pois não existe uma OITAVA igreja no Apocalipse. Somos o 7º e último período da Igreja de Deus... e não haverá outro antes do Advento de Jesus.
O que Deus deixou registrado através do ministério profético?
"Conquanto em nossas igrejas, que pretendem crer em verdades avançadas, haja pessoas em faltas e erros, como o joio em meio do trigo, Deus é longânimo e paciente. Ele reprova e adverte o errante, mas não destrói os que são vagarosos em aprender a lição que lhes quer ensinar; Ele não desarraiga o joio do meio do trigo. O joio e o trigo devem crescer juntos até a ceifa; quando o trigo chegar ao seu completo desenvolvimento, e pelo caráter que apresentar quando amadurecido, ele se distinguirá perfeitamente do joio" - A Igreja Remanescente, pág. 42.
"O mundo é um mundo caído, e a igreja é um lugar representado por um campo em que crescem joio e trigo. Terão de crescer juntos até a ceifa. Não é dever nosso desarraigar o joio, segundo a sabedoria humana, para que, por sugestão de Satanás, não se dê o caso de que o trigo seja arrancado, na suposição de ser joio. A sabedoria que vem de cima se oferece ao que é manso e humilde de coração, e essa sabedoria não o levará a destruir, mas a erguer o povo de Deus" – Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 636.
"Até mesmo alguns que se empenham em derrotar o inimigo desenvolvem uma predisposição para fazer o que é errado. O mal prevalece sobre o bem porque eles não confiam totalmente em Cristo. Não habitam nEle e, devido a sua falta de dependência de Deus, mostram inconsistência de caráter. Mas ninguém é compelido a escolher essa classe como companhia familiar. Enfrentam-se por toda parte as tentações da vida, e aqueles que reclamam dos membros da igreja como sendo frios, orgulhosos, arrogantes, e não semelhantes a Cristo não precisam associar-se com essa classe. Há muitos que são afetuosos, abnegados, dispostos ao sacrifício, os quais deporiam a própria vida, se necessário, para salvar pessoas. Que ninguém, portanto, se torne acusador dos membros da igreja, mas permita que o joio cresça junto com o trigo, pois disse Cristo que assim seria. Não precisamos ser joio nós mesmos, só porque não haverá apenas trigo na colheita" – Meditações Matinais 2002, p. 41.
"Nesse tempo o ouro será separado da escória, na igreja. A verdadeira piedade será claramente distinguida da piedade aparente e fictícia. Muitas estrelas que temos admirado por seu brilho tornar-se-ão trevas. A palha, como nuvem, será arrebatada pelo vento, até mesmo de lugares onde só vemos montões de precioso trigo. Todos os que têm cingido os ornamentos do santuário, mas não estão vestidos com a justiça de Cristo, aparecerão na vergonha de sua própria nudez" – Meditações Matinais 1995, p. 363.
A reforma será efetuada DENTRO da Igreja, e não fora dela!
Na sacudidura é a palha que é levada pelo vento.
Terça-feira, Julho 26, 2011
As Incoerências "Cristãs"
O mundo mais uma vez fica perplexo diante da brutalidade de pessoas que acreditam terem o "direito" de exterminar com a vida de outros que, em sua opinião, pensam diferente. Muitas vezes, o alvo de tanta ira são pessoas inocentes, que na rotina diária acabam por cruzar o caminho de algum psicopata com problemas de sexualidade, como diria Freud...Desta vez a barbárie foi na Noruega (relembre a matéria), onde um "cristão fundamentalista", como noticiaram alguns, acordou de manhã com um plano macabro - MATAR!
Há alguns anos, em uma cidade perto de Natal/RN, um sujeito desses também marcou a história de inúmeras famílias, tirando a vida de pessoas inocentes que "ousaram" cruzar seu caminho de morte (clique e veja um resumo do fato). Tudo feito para defender sua "macheza"!
Quem não lembra de que há poucos meses o Brasil novamente foi abalado com a chacina de um "doente" chamado Wellington Menezes, que abriu fogo contra alunos de sua ex-escola?! (clique aqui)
E a História "Humana" está recheada de atos semelhantes, todos praticados por pessoas (na maioria homens) revoltadas com a sociedade... ou parte dela.
Incoerência Cristã
Entretanto, no caso deste evento na Noruega, um detalhe revelado por diversos canais de notícias é o fato de o "sujeito" se considerar um CRISTÃO FUNDAMENTALISTA.
Não lembro em que parte da Bíblia está escrito que o Cristianismo deve nos levar ao ódio contra outras pessoas. Existem, de fato, alguns textos que falam do ódio que teriam CONTRA nós... mas nunca do ódio que deveria partir DE nós.
Ou estou enganado?!
Não encontro nas pregações de Jesus ou dos Seus seguidores diretos nenhum traço de animosidade, raiva, revolta, ira, ódio ou qualquer outro tipo de sentimento negativo que os cristãos deveriam nutrir por pessoas de outras religiões... ou mesmo de outras "doutrinas" do próprio Cristianismo.
A atitude desse norueguês me fez repensar sobre as atitudes que diariamente muitos de nós, cristãos, também assumimos e que revelam o quanto o nosso "Cristianismo" é "incoerente". É comum vermos, por exemplo, barbeiros do trânsito, em seus "zig-zags" frenéticos e arrogantes, ostentarem adesivos que remontam à fé cristã ("propriedade exclusiva de Jesus", "Jesus te ama", "tá estressado, vá orar", algum versículo, o peixe, o rosário, o perfil de Maria, etc., etc., etc.). E o que dizer dos "cristãos" que são maus vizinhos, e detestados por todos que moram perto deles?! E dos "cristãos" que estão entre os mais antipáticos, ranzinzas e anti-éticos colegas de trabalho?!
Uma fé que nos leve a olhar o outro como inimigo mortal, e que nos dê "autoridade" para humilhá-lo, persegui-lo ou mesmo matá-lo, não pode ser definida como uma fé CRISTÃ. Esse tipo de coisa não vem de Cristo.
Muitos de nós, cristãos, fazemos da religião algo muito sem sentido, sem vigor prático, e ainda queremos "converter" outros a viverem esta mesma "fé". Que ironia!
Quantos não praticam seus atos de corrupção, suas falcatruas, seus crimes hediondos... mas no fim-de-semana estão na igreja, rezando/orando e dando uma de "santinhos"?!
Não é à toa que alguns já chegaram a dizer que o problema do Cristianismo são os cristãos!
Mas... em meio a tanta confusão e incoerência, há uma esperança, pois Deus SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE teve alguns que Lhe foram fieis e coerentes, mesmo destoando dos "irmãos" que estavam ao seu redor.
Queira o Senhor que você e eu, amigo leitor, estejamos entres estes... entre os CRISTÃOS COERENTES!
"Nem todo o que Me diz Senhor, Senhor entrará Comigo no Reino dos Céus..." (Jesus).
Segunda-feira, Julho 25, 2011
Duas Maneiras de Obedecer
Certa vez, ouvi um pregador dizer que há 2 maneiras de obedecer a Deus. Uma do jeito "certo", e outra do "errado".Mas, como é possível OBEDECER do jeito ERRADO?!
Vejamos...
1º Jeito de Obedecer
É possível, sim, "obedecer desobedecendo" (rsrs). Um exemplo clássico na Bíblica é Caim.
Deus pediu aos dois irmãos que Lhe trouxessem uma oferta. Um deles OBEDECEU OBEDECENDO, mas o outro OBEDECEU DESOBEDECENDO.
Caim estava disposto a obedecer ao mandado de Deus, mas conforme o seu jeito. Ou seja, ele fez o que Deus pediu, mas não levou em conta "a maneira", "as especificações" da ordem divina.
Ao levar uma oferta de frutas, Caim fez o que Deus havia pedido (uma OFERTA), mas não fez do modo como Deus Se agradaria de ser atendido (uma oferta DE SACRIFÍCIO ANIMAL, símbolo do Messias).
O resultado todos conhecemos: Deus Se agradou da obediência COMPLETA de Abel, mas rejeitou a obediência DEFEITUOSA de Caim.
Portanto, fica claro por este exemplo que o homem não poder ser arrogante o suficiente para determinar a maneira como vai obedecer a Deus.
Para Deus, obediência defeituosa é o mesmo que DESOBEDIÊNCIA. E Caim descobriu isso logo cedo!
Outro exemplo bem conhecido, já no Novo Testamento, é o de Ananias e Safira (cf. Atos 5). Eles obedeceram do seu jeito, ao venderem a propriedade e trazendo UMA PARTE para ser administrada pelos apóstolos. Este tipo de "obediência parcial" o Senhor abomina, e as consequências para o casal "espertinho" foi trágica!
2º Jeito de Obedecer
A maneira de agradar ao Senhor através de nossa obediência é fazê-lo da forma como Ele determinar.
Hoje, infelizmente, o Cristianismo vive uma onda de relativismo (como estudamos na Lição de alguns dias atrás), onde cada um acredita (os adeptos do "achismo") que podem dizer como, onde, quanto e quando serão fiéis a Deus. As determinações que o Senhor concedeu, claramente, em Sua Palavra, são colocadas de lado, e apenas o desejo pessoal, a "hermenêutica" individual, o tradicionalismo denominacional é quem definem o "grau" da obediência.
Apenas obedecendo DO JEITO que Deus determina, é que o ser humano pode estar seguro de que age sob a proteção e controle divinos. Foi pensando em pessoas assim, que gostam de se considerarem "livres" para desobedecer, que Judas escreveu em sua epístola a trágica manobra que alguns já faziam desde sua época: transformavam GRAÇA em LIBERTINAGEM. Ou seja, diziam que o perdão e a misericórdia de Deus os livrava da obediência aos mandamentos (cf. Judas 1:4). Ledo engano!
E hoje?!
Ao meditar sobre este tema, um ponto não saia da minha cabeça: o DIA DE GUARDA.
Uns, dissimuladamente, dizem que basta trabalhar seis dias e descansar no sétimo, independente de em que dia da semana isso ocorra;
Outros, hipocritamente, dizem que não precisam guardar dia nenhum porque santificam a Deus TODOS os dias;
Há ainda aqueles que, arrogantemente, dizem com todas as letras: não guardo, porque vivo no "tempo da graça".
Não é à toa que o Senhor já advertiu de que MUITOS, hoje, utilizam Seu nome, mas são totalmente DESCONHECIDOS por Ele (cf. Mat. 7:21-23).
Também, pudera! Preferem OBEDECER DESOBEDECENDO.
"Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos" (Malaq. 3:6).
Sexta-feira, Julho 22, 2011
A Confiança de Ellen White na Liderança da Igreja
De vez em quando ressurgem pessoas declarando que Ellen White deixou de confiar na Igreja Adventista de sua época.Essas pessoas mal-intencionadas costumam isolar citações pontuais de Ellen White, proferidas em momentos de crise da liderança instituicional (especialmente antes da reforma administrativa do início do séc. XX), e utilizam estes textos isolados para tentarem mostrar que a IASD se apostatou do ideal de Deus e, por isso, Ele a rejeitou.
Estes movimentos dissidentes pseudo-reformatórios sempre existiram, e continuarão a existir até o fim. Aliás, estamos vendo na Lição deste trimestre que os grupos dissidentes apostatados tinham presença marcante já na época do apóstolo João, ou seja, a apenas 40 ou 50 anos depois da ressurreição de Cristo. Portanto, fica evidente que gente para criticar e torcer a Verdade nunca foi novidade para o povo de Deus!
Na minha modesta opinião, o maior argumento que se pode utilizar em favor da confiança que Ellen White mantinha na Igreja Adventista, foi o fato de ela ter deixado em seu Testamento toda sua produção literária sob os cuidados da Organização. Se em 1914 já existiam movimentos dissidentes pseudo-reformatórios, e Ellen White morreu em 1915, seria de se esperar que ela tivesse deixado para os dissidentes o seu legado literário... mas isso não ocorreu!
O motivo? Simples... ela nunca deixou de confiar na direção de Deus para com a Sua Igreja do coração.
Para concluir, deixo algumas citações que ela escreveu sobre a fé que mantinha na vitória final da Igreja Adventista do 7º Dia, apesar de todas as lutas enfrentadas.
“A Igreja de Cristo na Terra será imperfeita, mas Deus não destrói Sua igreja por causa de sua imperfeição” - Igreja Remanescente, pág. 42.
“Digo novamente: O Senhor não falou por nenhum mensageiro que chame a igreja que observa os mandamentos de Deus, Babilônia. É verdade que há joio com o trigo, mas Cristo disse que enviaria Seus anjos para juntar primeiro o joio e atá-lo em molhos para ser queimado, mas recolher o trigo no celeiro. Sei que o Senhor ama Sua Igreja. Ela não deve ser desorganizada ou esfacelada em átomos independentes. Não há nisto a mínima coerência; não existe a mínima evidência de que tal coisa venha a se dar. Aqueles que derem ouvidos a essa falsa mensagem e procurarem fermentar outros, serão enganados e preparados para receber mais avançados enganos, e virão a nada. Há em alguns dos membros da Igreja orgulho, presunção, obstinada incredulidade, e recusa a ceder em suas idéias, embora se amontoe prova sobre prova, que faz aplicável a mensagem à igreja de Laodicéia. Mas isto não extinguirá a Igreja. Deixai que tanto o joio como o trigo cresçam juntos até à ceifa. Então os anjos é que farão a obra de separação” - Idem, pág. 60-61.
“Cobro ânimo e sinto-me abençoada ao reconhecer que o Deus de Israel está guiando o Seu povo, e continuará com eles até o fim” - Test. Seletos, 3:439.
“A mensagem que declara a Igreja Adventista babilônia e chama o povo de Deus a sair dela, não vem de nenhum mensageiro celeste, ou nenhum instrumento humano inspirado pelo Espírito de Deus” - Mens. Escolhidas, 2:66.
“O Senhor deu a Seu povo apropriadas mensagens de advertência, repreensão, conselho e instrução, mas não é próprio tirar estas mensgaens de sua conexão, e pô-las onde pareçam reforçar mensagens de erro. No folheto publicado pelo irmão S e seus companheiros, ele acusa a Igreja de Deus de ser babilônia, e insiste em que haja uma separação da Igreja. Esta é uma obra que não é honrosa nem justa. Compondo aquele folheto, serviram-se de meu nome e de meus escritos para apoio do que eu desaprovo e denuncio como erro” - Test. para Ministros, pág. 36.
“Alguns há que apanham da Palavra de Deus e também dos Testemunhos parágrafos ou sentenças destacados que podem ser interpretados de maneira a se ajustarem às suas idéias, e nelas se detêm, e encastelam-se em suas próprias posições, quando Deus não os está dirigindo. Aí está o vosso perigo. Tomais passagens dos testemunhos que falam do fim do tempo da graça, da sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre esse povo de um outro povo mais puro, santo, que surgirá. Orá, tudo isso agrada ao inimigo” - Mens. Escolhidas, 1:179.
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Para os que desejarem se aprofundar no tema, sugiro a leitura do excelente livro "A Igreja Remanescente", com citações de Ellen White que mostram de forma completa e inequívoca o que ela achava desses movimentos dissidentes que querem destruir a fé do povo do Advento.
No site do Centro White no Brasil também é possível encontrar a refutação para muita mentira que costuma ser dita por ai, por pessoas que se utilizam erroneamente de citações de Ellen White, ou pior, até inventando declarações que ela nunca escreveu.
Sabemos muito bem quem é o "pai da mentira"!
"para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Efés. 4:14).
Quarta-feira, Julho 20, 2011
Quantos Sermões por Ano?
Qual a parte mais importante de um culto?Alguns dirão: "os louvores em adoração a Deus"
Outros: "a confraternização entre os irmãos"
E ainda: "os momentos de oração"
Mas a grande maioria acredita que o ponto "alto" de um culto é o SERMÃO, entendido como o momento em que o Senhor fala ao Seu povo, através do Seu(sua) mensageiro(a).
Apesar de que os sermões, como os conhecemos hoje, nem sempre fizeram parte da liturgia da Igreja Primitiva (nem da Adventista), é compreensível a importância que todos damos ao momento do culto no qual a Palavra de Deus é exposta para nossa edificação.
Porém... uma vez que damos tanta relevância aos sermões pregados em nossos cultos, deveríamos ser mais atenciosos em "praticar" aquilo que nos é exposto através das páginas das Escrituras.
Vejamos...
Um ano tem 52 semanas. Isso dá um total, aproximado, de 52 sábados, 52 quartas-feiras e 52 domingos. Ou seja, um frequentador assíduo da Igreja ouvirá durante um ano algo em torno de 156 sermões nos cultos.
Se acrescentarmos os cultos de pôr-do-sol, meditações de Pequenos Grupos, cultos familiares, Semanas de Oração, Retiros, Acampamentos, etc... podemos facilmente concluir que, em um ano apenas, cerca de 200 sermões são pregados para nós. Isso mesmo, DUZENTOS SERMÕES! Por ano!
Quando eu refleti sobre isso, há alguns anos, logo me veio à mente uma pergunta: "E os temas? São diferentes a cada ano?" A resposta é clara: Não!
Os temas são sempre os mesmos: santificação, perdão, salvação, graça, proteção divina, fé, doutrinas, volta de Jesus, profecias, trabalho missionário, Mordomia Cristã, família, jugo desigual, Reforma Alimentar, vida de Jesus, comunhão, adoração, consolo em momentos de dor, combate às heresias, etc., etc., etc.
Os assuntos são os mesmos... mudam-se, apenas, as abordagens, nuances, pontos de vista, etc.
Certa vez, ouvi uma ilustração muito interessante sobre isso que estou compartilhando com vocês, através deste "púlpito virtual" que é o blog (rsrs). Dizia assim...
Um idoso e experiente pastor foi transferido para um importante distrito de uma grande cidade. Todos ficaram ansiosos para saber qual a "qualidade" do sermão do novo pastor, pois a eloquência e verbosidade do antigo líder era notória, e todos admiravam profundamente sua "verve".
No primeiro sábado, lá estava ele, pronto para pregar seu primeiro sermão ao novo rebanho. Quando ele começou a falar, todos voltaram a atenção e acompanharam, perplexos, o quanto o novo pastor era eloquente e profundo em sua mensagem bíblica. Até mais que seu antecessor! Muitos chegaram às lágrimas, tamanho o "poder" com que o pastor lhes revelava as belezas contidas no texto bíblico escolhido para aquele momento.
Ao final, a Igreja estava certa de que aquele era o pregador que eles tanto necessitavam para continuarem firmes na fé. À porta, os cumprimentos eram quase todos os mesmos: "Parabéns!", "Obrigado pelo lindo sermão!", "O senhor nesta manhã falou para mim!"... e por ai vai.
Quinze dias depois, novamente era o pastor que pregaria no culto divino. Sua "fama" já havia se espalhado, e a Igreja estava lotada de pessoas querendo ouvir o que ele pregaria desta vez. Naquela manhã de sábado, praticamente todo o distrito veio para ouvir o idoso pastor.
Quando ele começou, alguns se surpreenderam pelo fato de que ele estava pregando O MESMO SERMÃO. Quem já o havia ouvido, pensou: "Não tem problema! Foi tão bom que quero ouvir outra vez, para relembrar os detalhes".
E ele pregou o mesmíssimo sermão... do mesmo modo... com a mesma eloquencia e riqueza de detalhes. Ao final, alguns, ainda, foram às lágrimas.
Na terceira vez que ele estava escalado para pregar, a surpresa também foi geral: Ele pregou O MESMO SERMÃO.
E isso se repetiu pela quarta, quinta e sexta vez... então, a Comissão se reuniu e cobrou dos Anciãos uma posição: eles deveriam visitar o pastor e saber se ele não tinha outros sermões para pregar àquela importante congregação.
E assim o fizeram...
Ao chegarem na residência do experiente ministro do Senhor, os Anciãos expuseram a ele a preocupação dos outros líderes da Igreja, e que as pessoas já estavam questionando a capacidade do pastor de produzir outros bons sermões. Ele só tinha aquele mesmo?! Perguntaram-lhe.
Sua resposta foi OUTRO "sermão":
- No dia em que vocês começarem a praticar aquilo que preguei neste primeiro sermão, então começarei a pregar outros...
Que lição!
Isso nos mostra algo MUITO IMPORTANTE:
1. O sermão não acaba quando o pregador diz "Amém" (ou o famoso jargão: "Que o Senhor nos abençoe...");
2. Para que ele surta algum efeito, é necessário que os ouvintes estejam dispostos a praticarem aquilo que foi pregado;
3. A vida do próprio pregador também deve ser uma realidade daquilo que foi pregado à Igreja. Afinal, "as palavras convencem, mas o exemplo arrasta!".
Já iniciamos a segunda metade de 2011. Quantos sermões já ficaram para trás, e quantos ainda virão até 31 de dezembro (que normalmente se encerra com outro sermão...rsrs)?!
Por mais bonitos, eloquentes e profundos que possam ser os sermões, eles nada mais serão do que "palavras ao vento", se não encontrarem lugar no coração dos ouvintes (e do pregador).
Da próxima vez que eu e você estivermos sentados, ouvindo a Palavra do Senhor sendo exposta diante de nós, vamos permitir que o Espírito Santos nos mostre a forma "prática" de vivermos a mensagem, e assim fazermos de cada sermão UM TOQUE DIVINO em nós.
"Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência" (Tiago 1:21-24).
Segunda-feira, Julho 18, 2011
A Lei do Espírito e os Dois Pactos (2Cor. 13)
Um estimado leitor do blog me enviou um comentário solicitando mais informações sobre as declarações de Paulo em 2Cor. 13.Ele mencionou de um diálogo que teve com um pentecostal, o qual argumentava que a Lei do Espírito, mencionada por Paulo, era uma "substituição" à Lei de Pedra, fazendo referência aos 10 Mandamentos.
O senhor também lhe dizia que haviam dois pactos, duas alianças, e nós estamos sob a influência do 2º Pacto. Esta é uma declaração também muito conhecida, pois estas pessoas consideram que o Antigo Testamento, com todas as suas leis, perdeu o valor a partir da existência do Novo Testamento e o sacrifício de Jesus.
O que ocorre é que há uma tendência natural do movimento pentecostal, e de algumas denominações evangélicas mais tradicionais, de rejeitarem aquilo que eles consideram como sendo apropriado apenas ao Judaísmo. Fazendo isso, eles argumentam que todo o Antigo Testamento deixou de ter sentido quando do ministério sacrifical de Jesus. O que eu estranho é o fato de que, no fundo, no final das contas, este argumento só é levado em conta com relação ao 4º Mandamento - o sábado do sétimo dia.
Dificilmente encontraremos um líder pentecostal pregando em sua igreja que alguns elementos predominantemente vinculados ao AT também perderam a validade. Por exemplo:
- O dízimo
- O 2º Mandamento (que assim como o 4º, não se repete no NT, como vociferam os pentecostais)
- O criacionismo
- Os salmos e provérbios
- As histórias de conquistas militares (já perceberam como os pentecostais "adoram" usar detalhes das vidas dos líderes do AT para defenderem a teologia da prosperidade?)
- Os outros 9 Mandamentos de um modo geral
Estas pessoas parecem "esquecer" algo muito simples e inquestionável: as Escrituras que Jesus tanto defendeu não continham o Novo Testamento, pois este não existia em Sua época. Para Jesus, as Escrituras que conduzem o homem a Ele são os escritos do Antigo Testamento, o Novo é, apenas, para confirmar e ampliar o que o Antigo já determinava, profetizava e anunciava (cf. Mat. 21:42; 22:29; 26:56; Marcos 12:24; Luc. 24:27, 45; Jo 5:39, etc.).
Não é demais lembrar que o próprio Jesus já profetizou que muitas pessoas que hoje usam Seu santo nome, não fazem parte do Seu povo, por um motivo bem simples: desprezam Sua Lei (cf. Mat. 7:21-23).
2Coríntios 13
Para ajudar meu amigo leitor a esclarecer as dúvidas sobre esta passagem, vou aproveitar o que está no respectivo Comentário Adventista, disponível na Internet.
"Tábuas de Pedra"
Ou "tabuletas de pedra". Paulo contrasta as duas tábuas de pedra nas quais Deus escreveu os Dez Mandamentos no Sinai com as tabuletas de carne do coração. Não havia nada mau em que a lei de Deus estivesse escrita em pranchas de pedra, mas enquanto só estivesse escrita ali e não fora transferida às tabuletas dos corações dos homens, na prática permanecia só como letra morta. A verdade tem força vivente e ativa só quando é aplicada aos problemas da vida. Paulo antecipa aqui o que vai dizer sobre o novo pacto nos vers. 6-11. Faz-se referência à experiência do novo pacto em passagens das Escrituras como Jer. 31:31-33; Eze. 11:19-20; 36:26-27; Heb. 8:8-10.
Só Deus tem poder para chegar até o coração e escrever ali Sua lei. É mais fácil escrever Sua lei em pranchas de pedra, porque estas não têm vontade para opor-se; mas uma vez que a lei está escrita no coração, deixa de ser letra morta. O papel e a pedra são transitivos; mas não passa o mesmo com a lei escrita no coração e na vida.
Moisés descendeu do Sinai trazendo duas pranchas de pedra, evidência visível de que tinha estado com Deus, e descendeu do monte como porta-voz instituído por Deus. Embora os créditos do Paulo não eram de uma natureza tangível, não eram menos reais, pois a mesma lei divina tinha sido escrita pelo Espírito Santo no coração do apóstolo e nos corações de seus conversos. Paulo não necessitava outros créditos. Sua vida e as daqueles a quem havia levado a Cristo, constituíam uma evidência suficiente de que sua comissão provinha de Deus.
"Novo pacto"
Paulo contrasta o novo pacto com o antigo. A um o identifica com o espírito; ao outro, com a letra. Sob o antigo pacto, a reverência judia pela singela "letra" da lei virtualmente se converteu em idolatria; asfixiou o "espírito". Os judeus preferiram viver sob o domínio da "letra" da lei. Sua obediência à lei, ao ritual e às cerimônias estabelecidas, era formal e externa. A consagração e a obediência de um cristão não devem caracterizar-se por procedimentos rotineiros, minuciosas régias e complicados requisitos, mas sim pela presença e o poder do Espírito de Deus.
"Não da letra"
O contraste entre "letra" e "espírito" nas Escrituras é peculiar do apóstolo Paulo (ver Rom. 2:27-29; 7:6). A primeira é superficial; o segundo chega ao íntimo. Tanto judeus como cristãos correm o perigo de pôr ênfase na "letra", excluindo o "espírito". O AT e o NT constituem uma revelação inspirada pelo Espírito Santo (2 Tim. 3: 15-17). Deus queria que o judaísmo tivesse ambos, a "letra" e o "espírito": o registro da vontade revelada de Deus e certas formas ou ritos prescritos que se traduziram em uma experiência vivente (ver João 4:23-24); o mesmo deve acontecer no cristianismo. Os credos oficiais, a teologia teórica e as formas do culto, não têm poder para salvar aos homens do pecado.
A "letra" da lei era boa pois procedia de Deus e ficou registrada nos escritos de Moisés; mas Deus tinha o propósito de que a "letra", o registro escrito da lei, fora só um meio para alcançar um fim mais elevado: estabelecer o "espírito" da lei nos corações dos judeus. Entretanto, a maioria dos israelitas fracassaram em interpretar a "letra" da lei em termos do "espírito" da lei; quer dizer, não a converteram em uma experiência religiosa de salvação pessoal do pecado por meio da fé na expiação que proporcionaria o Mesías. Só o "espírito" da lei pode "vivificar", se trate de judeus ou de cristãos. A prática do cristianismo facilmente pode degenerar em uma "aparência de piedade " sem "a eficácia dela" (2 Tim. 3: 5). De modo que a "letra" do cristianismo "mata" aos que dependem dela para a salvação.
Nos dias de Paulo o judaísmo tinha perdido a tal ponto o "espírito" da verdadeira religião, que seus ritos religiosos eram somente "letra". Como sistema tinha perdido o poder de repartir vida a seus seguidores (ver Marcos 2:21-22; João 1:17); o cristianismo, por sua parte, ainda era jovem e forte, embora nos séculos seguintes também se degeneraria (cf. Dan. 7). De modo que quando Paulo escreveu, o judaísmo estava identificado com a "letra", e o cristianismo se identificava com o "espírito" até onde estava livre da influência do judaísmo.
Não tem nenhum fundamento o argumento de que Paulo menospreza aqui o AT e o Decálogo, pois ao escrever aos gentios que tinham aceito o Evangelho, repetidas vezes ele afirma a vigência do AT e do Decálogo para os cristãos (ver Rom. 8:1-4; 2 Tim. 3:15-17; Efés. 6:2; cf. Mat. 5:17-19). Cristo e os apóstolos não tinham outras "Escrituras" fora do AT (ver João 5:39). Os nomes de muitos fiéis que se registram em Heb. 11, junto com muitos milhares de crentes do tempo do AT, experimentaram a obra do Espírito Santo em suas vidas assim como milhares a sentiram nos dias do NT.
Cada igreja e cada credo tem sua "letra" e seu "espírito". O Evangelho de Jesus tem sua "letra" e tem seu "espírito"; mas sem o poder vivificante do Espírito Santo, o Evangelho indevidamente se converte, em qualquer igreja, em "letra" morta. Milhares e milhares que se chamam cristãos estão satisfeitos com a "letra", e permanecem completamente desprovidos de vida espiritual. O que Deus exige não é simplesmente um proceder correto, mas sim que o dito proceder seja o produto e a evidência de uma boa relação com Deus e uma ótima condição moral e espiritual. Reduzir a vida e o culto cristãos ao cumprimento de um sistema de regras sem que haja dependência do Deus vivente, é confiar no uso e o ministério da "letra". Os atos externos e as cerimônias da religião, seja judia ou cristã, nada mais são que um meio para alcançar um fim. Mas se os considera como fins em si mesmos, convertem-se imediatamente em um estorvo para a verdadeira experiência religiosa.
O mesmo com a lei de Deus, o Decálogo. O cumprimento externo de seus preceitos, em um esforço para ganhar a salvação mediante eles, é vão. A obediência tem valor diante de Deus só quando se produz como um resultado natural do amor a Deus e ao próximo (ver Mat. 19:16-30). No Sermão do Monte nosso Senhor destacou o princípio de que a obediência à "letra" da lei sem o "espírito" de obediência, não alcança a norma de justiça divina (ver Mat. 5:17-22). Contra o que afirmam certos expositores modernos das Escrituras, o "espírito" da lei não invalida sua "letra". Por exemplo, Jesus ordenou a Seus seguidores, apoiando-se no sexto mandamento, que não se zangassem contra seus irmãos (Mat. 5: 22), mas com isso não autorizou a ninguém para que violasse a letra do mandamento matando a seu próximo. É óbvio que o "espírito" do sexto mandamento não ocupa o lugar de sua "letra", mas sim complementa a letra e a magnifica (ver Isa. 42:21). O mesmo pode dizer-se dos outros nove preceitos do Decálogo, inclusive o quarto (ver Isa. 58:13; Marcos 2:28).
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Conclusão
Vemos, mais uma vez, que não há nenhuma contradição na Bíblia. O mesmo Deus do AT é o Deus do NT, por isso não pode haver "duas leis" mutuamente excludentes. Deus é um Deus de ordem, justiça e eternidade.
Assim como Paulo, os Adventistas também crêem e ensinam que não há salvação na guarda dos mandamentos. A graça é o único, eficaz e pleno meio a se alcançar o perdão dos pecados e a vida eterna. Mas, assim como o apóstolo da graça, não podemos aceitar que a graça seja inimiga da obediência.
Somos salvos unicamente pela fé, mediante a graça de Cristo... mas para vivermos uma vida de santidade e obediência, que se expressa, também, na guarda dos mandamentos, não como "meio" de salvação, mas sim como um "fruto" da salvação que já foi conquistada.
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Efés. 2:8-10).
Sábado, Julho 16, 2011
Um Conhecido "Lema" dos Dominguistas
Sabem aquelas Bíblias que trazem as "falas" de Jesus na cor vermelha? Estas versões destacam nesta cor tudo aquilo que Jesus disse quando esteve aqui na Terra.Alguns defensores do domingo, por não encontrarem argumentos bíblicos consistentes para fundamentarem seu equívoco, gostam de dizer o seguinte:
"Por que devemos guardar o sábado se, em nenhum momento, Jesus diz que devemos fazer isso? Não deveria haver um verso dizendo 'lembra-te do dia de sábado para o santificar', do jeito que ocorre no AT?"
Em Teologia, se diz que este é o famoso ARGUMENTO DO SILÊNCIO, ou seja, quando algumas pessoas com mente mais "filosófica" preferem "fechar os olhos" para as claras evidências bíblicas sobre determinado tema (o sábado, por exemplo), e tentam fundamentar suas convicções no que não está escrito, isto é, no "silêncio" da Bíblia.
Usando este mesmo frágil princípio, poderíamos dizer o seguinte:
- "Não precisamos devolver dízimos, pois Jesus nunca repetiu as palavras que se encontram em Levíticos ou Números sobre tal prática". Você conhece algum pastor evangélico (e até padre) que ensine isso? Nem eu! Por que será?!
- "Não há problema algum em adorar imagens de gesso (ou as venerar, como dizem os católicos), uma vez que Jesus nunca disse que era proibido fazer isso, usando as mesmas palavras de Êxo. 20:4-6".
- Que mal há em tomar uma cerveja com os amigos, se Jesus nunca disse que não poderíamos fazer isso?".
- "Se Deus nunca condenou, explicitamente, Salomão por ter tantas esposas, por que eu devo ser fiel somente a uma mulher?".
- "Jesus nunca disse que eu não poderia usar cocaína. Então, qual o problema?".
Percebem o absurdo que pode ser defendido, ao utilizar-se o herético argumento do "silêncio"?!
Em nenhum lugar encontramos a afirmação de que o Novo Testamento deveria ser, OBRIGATORIAMENTE, a repetição IPSIS LITTERIS do Antigo Testamento. As pessoas que defendem tal tolice jamais se dedicaram realmente ao estudo sincero da Palavra de Deus.
No caso do sábado, por exemplo, não havia nenhuma necessidade de Jesus REPETIR o mandamento dado por Ele mesmo em Êxodo 20:8-11, por um motivo óbvio: Jesus vivia o sábado em Sua vida, e todos sabiam disso (por exemplo: Lucas 4:16). Para quê, então, repetir o mandamento?
Os santos apóstolos que O sucederam na missão, também viviam a guarda do sábado de forma normal, regular e espontânea, como o livro de Atos nos demonstra em diversas situações (por exemplo: Atos 16:13; 18:1-4; etc.).
Assim como o dízimo, as leis de saúde, o cuidado com o corpo, a fidelidade matrimonial entre pessoas casadas, etc., o sábado era uma rotina na vida de Jesus e dos Seus seguidores. Qualquer leitor sincero da Bíblia verá isso por si mesmo.
Penso que no dia em que estas pessoas, muitas delas sinceras (outras, nem tanto...), deixarem de lado os "achismos" pessoais, e não se fiarem apenas no que seus líderes religiosos esbravejam no púlpito, então acredito que o Espírito Santo encontrará entrada para convencer essas pessoas de seus pecados, da justiça de Deus, e do juízo para os que não se entregarem a Ele (cf. João 16:8).
Sinceramente, não quero nem pensar como será frustrante para estas pessoas que insistem em viverem na desobediência, confundindo "graça" com "libertinagem" (cf. Judas 4), quando ouvirem dos lábios do próprio Jesus: NUNCA VOS CONHECI, AFASTEM-SE DE MIM! (cf. Mat. 7:21-23). E qual será o motivo? Segundo Ele mesmo: "Vocês vivem na iniquidade!".
"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:12).
Aleluia!
PS.: A propósito... não há salvação SOMENTE entre os Adventistas do 7º Dia, como alguns ignorantes gostam de esbravejar com nós. Entretanto, segundo as Escrituras, Deus tem uma Igreja "visível", formada por pessoas que HOJE já se dedicam a uma fé prática e bíblica (cf. Apoc. 14:12; 12:17). Sua Igreja "invisível", formada até mesmo de ateus sinceros, um dia será convidada a seguir o grande Pastor do Universo (cf. Apoc. 18:1-4).
Quinta-feira, Julho 14, 2011
Palavras... nada mais do que palavras.
Não sei quantos lembram, mas há alguns meses praticamente todos os noticiários apresentaram a manchete de uma atendente de loja nos Estados Unidos, que evitou um assalto após falar de Jesus para o ladrão (veja aqui).O ladrão realmente desistiu de assaltar a moça, que disse ser evangélica. Segundo ele, o motivo do assalto era porque estava para ser despejado, e precisava de US$ 300 para pagar o aluguel.
Algumas horas depois o ladrão foi preso, após tentar assaltar outra loja.
Sermão resolve?
Eu ouvi pessoas dizendo: "Tá vendo? Ladrão é assim mesmo!" ou "Não aproveitou a oportunidade de salvação, e acabou sendo preso".
Mas eu gosto de pensar "nos dois lados". Tenho adquirido o hábito de tentar me colocar no lugar "do outro", para entendê-lo.
Aquele rapaz não estava precisando de um sermão, mas sim de US$ 300. É claro que isso não justifica seu erro, mas será que a jovem não poderia ter feito "algo mais"? Ela não poderia ter "andado a segunda milha"? Quem sabe ter ligado para algum empresário membro de sua igreja, para emprestar o dinheiro ao rapaz... ou ter feito uma consulta às Dorcas ou ADRA de sua igreja local... Será que o papel dela era apenas o de pregar? "Falar" de Jesus? O ladrão saiu com a consciência pesada por quase ter feito algo de errado, mas será que ao virar a esquina não deu de cara com o proprietário da sua casa, perguntando: "e ai, já arranjou o dinheiro? Lembre-se que você só tem até hoje..."?
Recordo-me que Jesus não Se limitava a "pregar"... Ele também Se preocupava em satisfazer as necessidades dos Seus ouvintes. Lembra da primeira multiplicação dos pães? Os discípulos (nós) achavam que a pregação por si já estava de bom tamanho, mas qual foi a atitude de Jesus?
"Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer" (Mateus 14:15-16).
Viram como nós, os discípulos, somos muito insensíveis às necessidades dos nossos "irmãos"?! A gente tem uma forte tendência a achar que nossa parte é pregar, falar de Jesus. Quem não quiser aceitar, que se vire!
Mas cada vez que tiro tempo para refletir sobre a maneira de Jesus agir, eu fico mais convicto do quanto os Seus discípulos do passado e os de hoje O compreendem mal.
Na mente dos que ouviram as palavras de Jesus naquela multiplicação miraculosa, uma profunda impressão deve ter ficado. Anos depois, Tiago escreveu sua epístola e fez questão de "detalhar" aquilo que Jesus lhes havia ensinado:
"Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?" (Tiago 2:15-16).
Fico imaginando como seria o nosso mundo se os bilhões que professamos o Cristianismo fizéssemos nossa parte!
Ainda haveriam crianças nos orfanatos?
Existiriam famintos nas nossas cidades?
Teríamos irmãos morando de aluguel, enquanto nós gastamos no luxo para ornamentar as nossas moradias?
Haveria falta de sangue nos hospitais (ou será que nossa "obrigação" se resume às fantásticas manifestações em eventos jovens durante a Semana do Calvário)?
Os políticos que se auto-intitulam de cristãos (e até de Adventistas!) seriam vistos nos noticiários policiais?
Seríamos tão frios e insensíveis diante de tanto sofrimento e miséria que devasta a vida de milhões de pessoas que cruzam nosso caminho todos os dias?
Deixa eu parar por aqui... senão vai ficar parecendo que o Cristianismo verdadeiro é uma utopia.
E eu ainda acredito que não é.... Ele é real! Só precisa de menos sermão e mais ação!
Quarta-feira, Julho 13, 2011
O "Domingo" em 1Cor. 16:2
Não tem como fugir!O povo de Deus surgiu após o final da profecia dos 2300 anos (Dan. 8:14), o que ocorreu na década de 1840 d.C., com uma missão importantíssima: reparar as brechas que o diabo havia feito na Lei de Deus (cf. Isa. 58:12-14).
Que "brecha" foi essa? O sábado do sétimo dia, conforme o próprio Isaías deixa evidente em sua profecia!
É por isso que frequentemente somos obrigados a levantar esta bandeira, e mostrar ao mundo o erro de desobedecerem a este importante Mandamento.
Apenas para "prevenir", mais uma vez tenho que reafirmar: NENHUM ADVENTISTA DO 7º DIA GUARDA O SÁBADO PARA SE SALVAR. Fazemos isto porque JÁ ESTAMOS SALVOS EM CRISTO, e demonstramos nosso amor e gratidão sendo obedientes aos Seus Mandamentos (cf. João 14:15), que não são nada penosos aos sinceros de coração (cf. 1Jo 5:3).
Então... venho NOVAMENTE tentar desfazer uma falácia com relação à suposta mudança do dia de guarda, do sétimo para o primeiro dia da semana, mudança esta amparada UNICAMENTE na tradição católico-romana (os evangélicos são obrigados a "engolir" este fato!), do que em um "Assim diz o Senhor".
Recebo muitos e muitos e-mails de pessoas que acreditam que vão me converter e tirar desta "terrível seita", como alguns definem a IASD...rsrs. Alguns usam termos até mais "baixos", mesmo se dizendo cristãos... o que é uma tremenda incoerência. Não percam seu tempo! Alguns agem tão "ingenuamente" (para não dizer de outra maneira), que enviam comentários e e-mails com diferentes nomes, pensando que não percebo que se trata da mesma pessoa... rsrs. Como a Bíblia diz, o diabo está irado (cf. Apoc. 12:17)!
Já falei aqui exaustivamente sobre a guarda do sábado no Novo Testamento, e já ficou claro que este Mandamento era parte ativa na vida de TODOS os santos de Deus do passado, desde o Éden, passando pelos dias de Cristo, e indo até a Eternidade. Aleluia!
1Cor. 16:2
Um dos muitos argumentos equivocados apresentados em defesa da guarda do domingo é o verso 2 de 1Cor. 16:
"No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for".
Aqueles que desejarem um esclarecimento profundo deste texto bíblico, comprovando que ele não defende a mudança do dia de guarda, têm um excelente material à sua disposição. Trata-se de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do bacharelado em Teologia do Pr. Rinaldo Franco Garbelini, orientado pelo eminente Dr. Reinaldo Siqueira, do UNASP.
O TCC também está disponível através do site da Revista Teológica KERYGMA, do UNASP.
É mais uma excelente oportunidade de você aprofundar seus conhecimentos, e melhor fundamentar seus argumentos teológicos sobre a fé Adventista, que se mostra cada vez mais inabalável... Afinal, temos uma ROCHA que sustenta nossa Esperança (cf. Efés. 2:20), e ela não é Ellen White, como vociferam os criticos...rsrs.
"antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1Ped. 3:15).
Postado em: 31-Jul-2009
Segunda-feira, Julho 11, 2011
Pedro era mesmo um "papa"?
A alegação que os católicos romanos fazem de que o apóstolo Pedro foi o principal líder dos apóstolos - o primeiro papa - tem fundamento nas Escrituras?Há um pensamento geral entre os católicos de que Pedro foi o apóstolo que recebeu de Jesus a tarefa primordial de liderar os seus companheiros e fundar a Igreja.
Este artigo foi elaborado exatamente no período das festividades conhecidas por “juninas”, em 2008, dentre as quais há um dia dedicado a Pedro. Na época, em entrevista a uma emissora de televisão da Paraíba, uma senhora católica afirmou sua fé e respeito por “São” Pedro, citando exatamente a passagem na qual ela acredita que Jesus comissionou o apóstolo a fundar a Igreja Católica. Outra entrevistada concluiu a referência ao texto bíblico, dizendo que Pedro é a “pedra” sobre a qual Jesus edificou Sua Igreja.
As senhoras supra-citadas estavam fazendo referência à passagem do capítulo 16 do evangelho de Mateus, no verso 18, que diz: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Mas era mesmo isso que Jesus queria dizer? Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que Jesus colocou em Pedro a liderança total sobre os demais apóstolos? A “pedra” a que Jesus Se referiu pode, realmente, ser entendida como sendo Pedro?
O presente estudo faz uma análise não exaustiva da passagem em questão, complementando com a pesquisa de outras referências bíblicas no Novo Testamento (ou NT), tentando chegar a uma conclusão para as questões inicialmente propostas sobre o papel real de Pedro na liderança da Igreja Cristã do tempo dos apóstolos.
Evangelho de Mateus: Escrito em Aramaico ou em Grego?
Um dos pilares do ensinamento católico sobre o papel de Pedro na fundação da Igreja está no fato de Roma utilizar-se da língua aramaica para a passagem de Mt 16:18, na qual as palavras “Pedro” e “pedra” são grafadas da mesma maneira: “kepha”. Dessa forma, a Igreja Católica fundamenta-se dizendo que Jesus fez de Pedro a “pedra” sobre a qual o Senhor edificou a Igreja.
Há algumas referências ao texto hebraico de Mateus, ocorridas entre os chamados “Pais da Igreja”, que parece abonar o argumento católico. Dentre tais referências, uma relevante é aquela atribuída a Papias, considerado um dos discípulos diretos do apóstolo João. Eusébio de Cesaréia, historiador cristão dos primeiros séculos, falecido por volta do ano 340 d.C., cita o seguinte:
“Referente a Mateus, [Papias] diz o seguinte: ‘Mateus ordenou as sentenças em língua hebraica, mas cada um as traduzia como melhor podia’”. Baseado em referências patrísticas como esta é que a Igreja Católica fundamenta um dos seus principais argumentos acerca da interpretação de Mt 16:18 como Pedro sendo a pedra de edificação da Igreja, uma vez que, como citado anteriormente, no texto hebraico (aramaico) não há distinção entre “Pedro” (kepha) e “pedra” (kepha).
Porém os estudiosos não são unânimes em acreditar que Mateus escreveu realmente seu evangelho em aramaico (hebraico). Dentre os argumentos utilizados, podemos citar os seguintes:
1. As várias citações que Mateus faz do Antigo Testamento não refletem uma única forma textual, ou seja, não são a própria versão de Mateus em aramaico tirada da Bíblia normalmente aceita pela Igreja Primitiva, que era a Septuaginta (LXX).
2. O texto grego de Mateus não soa como uma tradução, pois apresenta muitas expressões que demonstram um profundo conhecimento do pensamento judaico, que os estudiosos chamam de “semitismos”.
O que tem sido aceito dentre importantes teólogos da atualidade é que Papias estava, na verdade, declarando que o “estilo” ou a “forma” literária utilizada por Mateus é que eram hebraicos, mas não a “escrita” em si. O Dr. David Alan Black, por exemplo, cita a pesquisa de J. Kürzinger na qual a expressão utilizada por Papias (traduzida por: “em língua hebraica”), foi hebraidi dialektō, que pode significar tanto “em língua hebraica” quanto “em estilo hebraico”, dependendo do contexto. Segundo a pesquisa acima mencionada, no contexto em questão, [Papias] estava explicando alguns problemas quanto ao estilo e/ou conteúdo de Marcos, pois esse relato não possuía nem o estilo judaico de Mateus nem o estilo literário normal de uma biografia grega como o relato de Lucas.
Esse erro de interpretação da citação de Papias, cometido inclusive por Orígenes, acabou sendo perpetuado por escritores posteriores, levando ao pensamento atual entre alguns teólogos de que o evangelho de Mateus foi escrito em hebraico, o que parece estar mesmo descartado.
Breve Exegese do Texto Grego de Mt 16:18
Adotando-se a evidência de que Mateus escreveu seu evangelho em grego, assim como os demais escritores do NT, podemos realizar uma exegese não exaustiva das palavras gregas utilizadas por Mateus para “Pedro” (petros) e “pedra” (petra), para verificarmos que Jesus não colocou sobre Pedro a fundação da Igreja.
O texto em português foi traduzido assim: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
A respeitada tradução espanhola, Reina Valera, verte o texto da seguinte forma: “Mas yo también te digo que tú eres Pedro [PETROS, no grego]; y sobre esta roca [PETRA, no grego] edificaré mi iglesia, y las puertas del Hades no prevalecerán contra ella.”
A palavra grega “petros”, ocorrer 100 vezes no Novo Testamento, como original para o nome de Pedro (cf. 1Pe 1:1; 2Pe 1:1). Já “petra” ocorre apenas 4 vezes, sendo duas delas relacionadas diretamente a Jesus como sendo a Pedra (cf. 1Co 10:4; 1Pe 2:7-8).
Há um pensamento comum, porém não irrefutável, de que “petros” é uma referência a um “pedregulho”, uma pedra de menor importância; enquanto que “petra” é uma “rocha”, uma pedra de maior durabilidade.
Partindo deste ponto de vista, na verdade Jesus quis dizer que Pedro era uma pedra menor, enquanto Ele, Cristo, é a verdadeira pedra (ou rocha) sobre a qual a Igreja seria edificada.
Pedro Era Mesmo o “Chefe” dos Apóstolos?
Além do estudo das palavras gregas empregadas por Jesus, algumas evidências internas nos revelam que, caso Jesus tenha realmente colocado sobre Pedro a primazia entre os demais apóstolos e líderes da Igreja, esta não foi a interpretação que eles mesmos deram às palavras de Cristo. Vejamos algumas dessas evidências encontradas dentro do próprio texto bíblico:
1. Os discípulos permaneceram com insinuações de quem seria considerado como o “maior” entre eles (cf. Mc 9:33-35). Isso certamente não aconteceria, caso Jesus tivesse colocado sobre Pedro a supremacia pastoral.
2. Vemos em Mt 20:20-28 (claramente posterior à conversa do capítulo 16) que a mãe de Tiago e João fez um curioso pedido a Jesus: para que seus filhos fossem o n° 1 e o n° 2 no governo do reino de Cristo. Demonstrando claro descontentamento com tal pensamento, Jesus novamente expressa Seu desejo de que não haja este tipo de sentimento, onde um se considere superior aos demais. O conceito católico de “primo entre pares” parece encontrar aqui uma clara reprovação de Cristo.
3. No Concílio de Jerusalém (At 15:1-29), por exemplo, também não há evidências de que Pedro tenha presidido tal reunião de líderes da Igreja, o que seria lógico, caso fosse ele realmente o líder maior, como advogam os católicos. Vemos que Pedro teve um papel importante (v. 7), assim como também tiveram Barnabé e Paulo (v. 12), e Tiago (v. 13), que parece ter dado a palavra final sobre o debate teológico em questão. O próprio Pedro já havia mencionado o nome de Tiago com certo destaque no governo da Igreja (cf. At 12:17).
4. Paulo declara que não só Pedro, mas também Tiago e João, eram considerados “colunas” da Igreja (cf. Gl 2:9), o que mostra que a responsabilidade de liderança era dividida igualmente. E mesmo nessa citação, Paulo não menciona Pedro em primeiro lugar, o que poderia ter ocorrido caso houvesse alguma ordem de autoridade entre essas “colunas”.
5. Na mesma epístola aos Gálatas, Paulo cita um curioso evento no qual ele repreendeu Pedro na presença de todos os demais discípulos (cf. Gl 2:11-16). Como poderia o apóstolo Paulo, que nem mesmo fora um dos 12, ousar repreender teologicamente o “papa” da Igreja? Essa é mais uma fortíssima evidência de que Pedro não era considerado o maioral dos apóstolos, muito menos possuía a infalibilidade (ex-catedra), arrogada pelo bispo de Roma da atualidade. Paulo também condena aqueles que queriam colocar Pedro, ou qualquer outro, em posição de destaque (cf. 1Co 1:10-12).
6. O próprio Pedro se considerava um presbítero companheiro e igual aos demais (cf. 1Pe 5:1), o que mostra que ele não possuía tal pensamento de considerar-se melhor ou superior aos outros líderes. Aliás, há uma referência bíblica que demonstra claramente que não havia apenas um bispo em cada cidade, como quer a teologia católica, mas algumas delas poderiam ter vários, conforme, talvez, o tamanho de sua população convertida, como era o caso de Filipos (cf. Fp 1:1).
7. Interessante notar, ainda, que Pedro não é mencionado na carta de Paulo aos romanos, escrita por volta do ano 58 d.C. Isto pode ser uma forte evidência de que Pedro era, na verdade, um pregador itinerante (cf. 1Pe 1:1), e não o “bispo de Roma” como querem os católicos. Inclusive, Eusébio (citado acima) menciona que o primeiro “bispo” de Roma foi Lino (cf. 2Tm 4:21), logo após o martírio de Paulo e Pedro, considerados pelo historiador como os fundadores do evangelho em Roma.
Uma Igreja Monárquica
Vemos que há um grande esforço na teologia católica em colocar sobre Pedro o fundamento humano da Igreja Cristã, sendo que, a partir dele, tal autoridade foi sendo transmitida ao longo dos séculos, de bispo para bispo, mantendo-se uma estrutura hierárquica forte, onde no topo da “pirâmide” de poder está o papa, líder supremo da cristandade, para os católicos.
Esta estrutura hierárquica robusta e consistente, que tem se mantido ao longo de quase 2 milênios, parece não ter surgido realmente na declaração de Cristo a Pedro, como pregam os católicos, mas em uma ambição meramente humana, nascida na mente de um imperador romano, pretensamente convertido à fé cristã. O professor católico Luis Aznar, faz um interessante comentário em uma edição do livro História Eclesiástica, de Eusébio:
Culminava então (313 AD) a carreira política do imperador Constantino para a monarquia universal e absoluta. A audaz empresa exigia uma mudança substancial na concepção forjada por Augusto e retocada por Adriano e Deocleciano... Constantino compreendeu que necessitava do apoio das tenazes comunidades cristãs para edificar o novo império. Assim, desde que foi proclamado imperador pelo exército, em 306, tomou sob sua proteção os cristãos e ingressou entre os que podiam escutar a leitura dos evangelhos nos templos. Porém seu pensamento era político e não religioso. Queria organizar as comunidades episcopais autônomas em uma igreja universal.
Vê-se que o objetivo por trás da instituição da hierarquia da Igreja Católica, encabeçada pelo papa, era mais uma estratégia política de dominação (que realmente deu certo!), do que o cumprimento de uma orientação divina.
Resumo e Conclusão
Não há evidências conclusivas sobre a composição em aramaico do evangelho de Mateus. A hipótese da escrita nesta língua é defendida por alguns teólogos católicos, por facilitar o argumento de que Jesus colocou sobre Pedro a autoridade de fundamentar a Sua Igreja, conforme o texto de Mt 16:18.
Porém, há fortes evidências de que o texto foi mesmo escrito em grego, no qual o “jogo” das palavras petros e petra pode indicar que Jesus colocou sobre Si mesmo, a pedra angular (cf. At 4:11; 1Pe 2:7), a autoridade única de fundamento da Igreja Cristã.
Há também, dentro do próprio texto do Novo Testamento, fortes indicações de que Pedro não exerceu a função de líder maior da Igreja, como pôde ser visto no Concílio de Jerusalém, no debate com Paulo acerca dos ritos judaicos para os gentios conversos, da não-citação de Pedro na epístolas aos romanos, entre outros pontos que foram aqui analisados.
Podemos concluir, então, que Pedro era um importante apóstolo de Cristo, com papel de destaque em diversos acontecimentos ocorridos nas primeiras décadas da Igreja. Entretanto, ele não assumiu o papel de um “papa”, nos moldes que a Igreja Católica defende, nos quais Pedro teria iniciado uma “linhagem” papal, que foi transmitida ao longo dos séculos a cada “bispo de Roma”, chegando até o atual papa Bento XVI. Pedro assumiu um papel relevante, sim, mas sem exercer supremacia sobre os demais apóstolos, bispos ou presbíteros da Igreja Primitiva.
A verdadeira Pedra sobre a qual Cristo edificaria Sua Igreja foi,
sem sombra de dúvidas, Ele mesmo (cf. At 4:11).
sem sombra de dúvidas, Ele mesmo (cf. At 4:11).
Para pegar uma cópia do artigo original, com as fontes bibliográficas, clique aqui.
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